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Monday, November 02, 2026

A "FUNERAR" O FUTURO

No Dia dos Finados fui ao derradeiro chão,

Levar meu sobrinho à sua morada;
Vítima da estrada escura e descurada,
Ceifado pela imprudência em veloz colisão.
Sem luz suficiente naquela extensão,
A noite tornou-se armadilha cerrada;
E uma vida jovem foi ali roubada,
Deixando luto, dor e interrogação.

Mas junto à campa vi outra aflição,
Entre jovens sem rumo na caminhada;
Onde a dor pedia atitude moderada,
Surgiam desacatos e perturbação.
Perguntei a mim mesmo, com preocupação:
Que pátria nascerá desta jornada,
Se tanta força viva é desperdiçada,
Longe do trabalho e da formação?

Durkheim já falava da desorientação,
Quando a norma social é abandonada;
Becker viu na falta de ocupação estruturada,
O terreno fértil para a transgressão.
E Ayittey denunciou, com razão,
Uma juventude capaz, mas desaproveitada;
Energia que, se fosse bem orientada,
Transformaria riqueza em cada nação.

A resposta não virá da repressão,
Nem da crítica fácil e apressada;
Mas da juventude activa e valorizada,
Pela escola, pelo ofício e pela educação.
Desporto, civismo, trabalho e formação,
Podem mudar a estrada hoje enevoada;
Pois nenhuma geração nasce condenada,
Se lhe derem horizonte e motivação.

Ao voltar de Lukala-Norte, em reflexão,
Vi mais que uma campa recém-fechada;
Vi uma geração por vezes afastada,
Dos valores que sustentam uma nação.
Ainda há tempo para inverter a direcção,
E evitar uma perda prolongada;
Porque a morte mais triste e ignorada,
É "funerar" o futuro de uma geração.

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