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Wednesday, October 28, 2026

A FUBA E A CHUVA

Sobre a pedra rangia o duro grão, Ao peso da handa firme e certeiro; Voava a fuba em branca dispersão, Qual névoa errante sobre o tabuleiro; Chegara à lavra o povo da região, Movendo a enxada em gesto costumeiro; Mas nuvens ameaçavam a plantação, Com negro véu cobrindo o mundo inteiro. Disse a matrona ao jovem Bonifácio: "Se a chuva vier, combate-a sem demora!" Falou sem arte, sem rigor, sem prefácio, Julgando clara a ordem daquela hora; E o moço, estranho a todo malefício, Guardou no peito a voz orientadora; Tomou por guerra o simples exercício, E preparou-se para a luta voadora. Veio o temporal em fúria montanhesa, Vergando o milho e a tenra sementeira; Bonifácio investiu com tal braveza Contra a tormenta rude e traiçoeira; Braços ao vento, em vã destreza acesa, Buscou deter a água passageira; Mas viu crescer a líquida aspereza, E a fuba pereceu na enxurrada inteira. Chamado o soba à causa desastrada, Ponderou com prudência costumeira: "Não deve a culpa ser assinalada A quem seguiu palavra aventureira; Porque a ordem confusa e malfalada É mãe da perda, da dor e da asneira; Não se reclama da acção mal julgada
Do infante a quem faltou voz verdadeira".