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Sunday, May 15, 2022

DIVERTINDO-TE

(à distância)

Pensando que estou por perto

São minhas mãos

O vento que te cerca  

Que delicadas t'afagam

Os ruídos, tuitares de kaxexe e dikole,

São minha voz

Rouca

Falando baixinho

Em teus ouvidos

Sedentos

De prazer adiado

Monday, March 28, 2022

À PEDRA (II)

Ki ngaxiti supa

Ki ngaxiti supa

Ngiti yami yulya¹

Ah!

Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Mbe yakazamendu²
Uh!

Ngiti yami yolya
Ah
Ngiti yami yolya
Mbe yakazamendu
Uh!
Estórias cantadas sobre a pedra
Onde o martelo-pau
Contra o milho, um lacrau
E fazem fuba com destreza!
=

1- Fui moer milho pensando que seria para consumo no lar.
2- Serviu para casamento com outra.

Tuesday, August 31, 2021

O CÃO E O PORTÃO

Levado pelo medo

Da bandidagem em crescimento

Dundão apontou no portão:

- Cuidado com o cão!

- Cão mudo, mudo cão!

Gozou a rapaziada de então

Sem pão, nem patrão 


Dundão ficou-se pela placa no portão.

- Cuidado com o cão!

Com vida de cão, é p'ra ter cão?!

Wednesday, July 21, 2021

CAVALO CANSADO

 Quer o homem andante

Cavalo valente

E o equino de bruços,

Do chão sai aos soluços

 

Chegou a mulher mercante

Carroça repleta

Pensando no cavalo galopante

Relincha, negando a sela

  

Chia a vida na curva da cidade

No trabalho, é homem com capacidade

Ordena a mente ao caminho

Corpo cansado nega destino

 

Homem doente

Cavalo cansado

Trabalho parado

Soldo ausente! 

Monday, March 01, 2021

CANTO À KAM&MESA

Um dia proclamaremos vitória


E a Victória saberá

Que valeu a pena

A metade de pão

E meio copo de leite
(Quando houvesse)

Ou kapungu-pungu de todos os dias!

Um dia dormiremos sono

Sono profundo de morrer

E os patrões colherão

Patacas, Kwanzas e elogios

Sem pressa em controlar o relógio

Pois o sono terá um ninho!

Monday, November 02, 2020

UM CANTO A TEREMBEMBE

Depósito secular
Abraçando córregos de sempre
Lagoa de (10)encantos
Encantos meus
Feito cantos
Prantos alheios
Fundidos no sono perdido
No mosquito faminto e sanguinário
Da mamã sem chão
Reconquistado pela água
Oh, água nossa da (10)graça!

Vejo-te,
Terembembe,
Inunda e imunda
Águas fecais negras
Nauseabundas, venenosas
Há meses presas nos córregos
Novos da modernice sem perícia
Vieram libertadoras
Dos altos, chuvas divinas
Com cantos e prantos
E, quando te apartares deste manto
Lúgubre, verde darás
Vidas novas trarás
Pois, dele estrume farás
Para a enxada da camponesa faminta
Que anseia terra enxuta



Monday, September 21, 2020

LADEAND'OURO

Ânus limpidus
Correndo abaixo
Lidimus
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado 
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também

Sunday, August 30, 2020

COVID'ENJOATIVO

Porra!

Matem a arte, por favor!

Deixem-me descomprimir

É muito tédio

É muita pressão

É demasiada informação negativa

Tanta proibição 

Artistas sem inspiração (?)!

Se se inspiram no corona, não têm onde publicar

Se publicam, ninguém se deleita

Se procuram deleitar-se vem falta de leite

Até jornais apartam-se da crónica 

Ateliers fechados para expor

Salões encerrados para dançar

Canto restrito à Live da televisão

Estou enjoado

Pareço coronhado!

Monday, December 02, 2019

2TEMPOS

Muitos
Voluntariamente
Entregaram-se à luta
Para libertar o povo

Alguns
Forçosamente
Libertam-se do povo
Para juntar tostões

Friday, November 01, 2019

INSTANTE NOSSO


Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto 

Língua molhada é
Chuva lavando cidade prometida
Enxugando teu leito
E tu,
Cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à meia-luz
Mundo reduzido a nós
Gemidos teus
Gemidos meus
Nosso instante
Imune de pudor
Não há dor
Não há temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!