Oh, como anseio em letras saudosistas
Gravar o assobio que, em doce arcadismo,
Cortava a brisa em tardes de narciso,
Sem mágoas, só veludos e conquistas!
Quando irrompia, límpido, na praça
Do amigo — e eco, travesso, na fachada,
Anunciava a lírica jornada
De meninos sem trama nem desgraça.
E mais doce era ouvi-lo na vereda,
Sem fios, sem telas, sem pressa louca:
“Já cheguei, meu amor”, dizia a boca
Que assobiava à lua, leda e queda.
Ah, como o tempo, em seu rigor, roubou-me
Esse assobio que a alma ainda implora!
Pois hoje o celular, frio, devora
O som que, outrora, o peito namorava.
Permite, Musa, em versos noventistas,
Que eu fixe o assobio que, na puberdade,
Marcou tua alma com felicidade
E o dê, rimado, às páginas tão tristes.
