Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:
"Cuidado com o cão!"
E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:
"Cão mudo, mudo cão!"
Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:
"Cuidado com o cão!"
Então uma voz, mordaz como o açoite,
Bradou, com fina reflexão:
"Se o dono já padece sorte de cão,