Na turva senda onde o povo jaz,
A fome reina, o consolo se desfaz.
Nos rostos ocos, a dor se revela,
E a miséria, altiva, o mundo desvela.
As casas frágeis, sem teto seguro,
Guardam segredos de um viver obscuro.
Porcos famintos buscam cheiro no ar,
Cães vadios multiplicam o lugar.
Infantes erram nas ruas sem guia,
A infância perde-se em penúria fria.
Enquanto os nobres, nos muros fechados,
Vivem distantes, em palácios dourados.
Só no sufrágio se encontram, afinal,
Mas o castigo é do tutor infiel.