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Thursday, September 05, 2019

REPOUSO EM KALUMBU

Repousa o sol.

Repousa o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.

Repousa o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.

Repousa também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.

Repousa a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.

Repousa o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.

Repousam as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:

jingwingi, jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.

Repousa o dongo.

Repousa o rio.

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