Olivais?
Wednesday, July 27, 2022
CAMINHOS
Thursday, June 30, 2022
AFRIKANISTAS & SATIRCÓPIH
É dia d'Afrika
Wednesday, May 25, 2022
GRITOS (C)EGOS
Cantaram-se vivas
a Afrika
Friday, April 01, 2022
DIVERTINDO-TE
(à distância)
Pensando que estou por perto
São minhas mãos
O vento que te cerca
Monday, March 28, 2022
À PEDRA (II)
Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Ngiti yami yulya¹
Tuesday, August 31, 2021
O CÃO E O PORTÃO
Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:
"Cuidado com o cão!"
E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:
"Cão mudo, mudo cão!"
Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:
"Cuidado com o cão!"
Então uma voz, mordaz como o açoite,
Bradou, com fina reflexão:
"Se o dono já padece sorte de cão,
Que proveito há em sustentar outro cão?"
Wednesday, July 21, 2021
CAVALO CANSADO
Quer o homem andante
Cavalo valente
E o equino de
bruços,
Do chão sai aos
soluços
Chegou a mulher
mercante
Carroça repleta
Pensando no cavalo
galopante
Relincha, negando
a sela
Chia a vida na
curva da cidade
No trabalho, é
homem com capacidade
Ordena a mente ao
caminho
Corpo cansado nega
destino
Homem doente
Cavalo cansado
Trabalho parado
Monday, March 01, 2021
CANTO À KAM&MESA
Um dia proclamaremos vitória
Monday, November 02, 2020
UM CANTO A TEREMBEMBE
Abraçando córregos de sempre
Lagoa de (10)encantos
Encantos meus
Feito cantos
Prantos alheios
Fundidos no sono perdido
No mosquito faminto e sanguinário
Da mamã sem chão
Reconquistado pela água
Oh, água nossa da (10)graça!
Terembembe,
Inunda e imunda
Águas fecais negras
Nauseabundas, venenosas
Há meses presas nos córregos
Novos da modernice sem perícia
Vieram libertadoras
Dos altos, chuvas divinas
Com cantos e prantos
E, quando te apartares deste manto
Lúgubre, verde darás
Vidas novas trarás
Pois, dele estrume farás
Para a enxada da camponesa faminta
Monday, September 21, 2020
LADEAND'OURO
Correndo abaixo
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também
Sunday, August 30, 2020
COVID'ENJOATIVO
Porra!
Matem a arte, por favor!
Deixem-me descomprimir
É muito tédio
É muita pressão
É demasiada informação negativa
Tanta proibição
Artistas sem inspiração (?)!
Se se inspiram no corona, não têm onde publicar
Se publicam, ninguém se deleita
Se procuram deleitar-se vem falta de leite
Até jornais apartam-se da crónica
Ateliers fechados para expor
Salões encerrados para dançar
Canto restrito à Live da televisão
Estou enjoado
Pareço coronhado!
Monday, December 02, 2019
2TEMPOS
Friday, November 01, 2019
INSTANTE NOSSO
Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto
Chuva lavando cidade prometida
Enxugando teu leito
E tu,
Cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à meia-luz
Mundo reduzido a nós
Gemidos teus
Gemidos meus
Nosso instante
Imune de pudor
Não há dor
Não há temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!
Thursday, September 05, 2019
REPOUSO EM KALUMBU
Repousa
o sol.
Repousa
o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.
Repousa
o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.
Repousa
também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.
Repousa
a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.
Repousa
o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.
Repousam
as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:
jingwingi,
jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.
Repousa
o dongo.
Repousa
o rio.
Thursday, August 01, 2019
UM MAR (D)E DESERTO
Muito próximos,
Abraçando-se para vida e,
Às vezes, para a morte
Deserto,
Para mim, não são apenas dunas, areias e lagartos
Não são apenas arbustos espinhosos e secura...
É a cabra que deixa de trepar árvores sem folhas!
Monday, November 19, 2018
DE SOL EM SOL
Agora em mão nacional
Cresce a lavoura
Cresce a miséria
Trabalha, todo o dia, toda a hora
Cresce, apressada, a barriga do patrão
Vive o camponês abaixo de cão
Lavra de sol em sol
P'ro filho, barriga-cheia, nem mebendazol
Lavoura-recolha de chuva em chuva
Um quilo de fuba
Atendendo o estômago só
A paga do camponês
Uma tábua de peixe seco
Quando a jimboa não atende
É a fome que o surpreende
Na nova escravidão
Que engorda o ladro-patrão!
Wednesday, October 10, 2018
UM CHEIRO BOM
Saturday, September 01, 2018
NO LIBOLO, AMBOIM E NGULUNGU
Café maduro/
Avermelhado/
Bagos doces/
Reclamando cesto e o terreiro/
Para secar e escurecer/
Aguardando-lhe o descasque e torrefacção/
Aqui, sim/
Fica negro/
Na boca deixa amargo/
Amargura sentida pelo negro/
"Negro da cor do contratado"/
Tuesday, August 28, 2018
AGOSTO MORNO
Sem bandeiras ao vento desfraldadas,
Sem cóleras de turbas inflamadas,
Sem bebedeiras de euforia vã,
Sem trombetas rompendo a manhã.
Sem barulho de palcos improvisados,
Sem elogios em coro declamados,
Sem maratonas de fervor aparente,
Sem multidões seguindo a mesma corrente.
Sem esbulho da paz quotidiana,
Sem a pressa festiva e quase insana,
Sem o ruído dos dias ceremoniais
Que vestiam de festa os velhos ais.
Agosto chegou discreto à cidade;
Nem fogos, nem delírios, nem vaidade.
Passou sereno pelas ruas nuas,
Sob o silêncio das tardes e das luas.
E muitos, por costume ou nostalgia,
Procuraram o estrépito de outrora;
Mas encontraram uma nova hora,
Feita de calma e de monotonia.
Talvez falte o fervor que entontecia,
Talvez sobre a memória um véu se estenda;
Mas a quietude, quando enfim se assenda,
Também revela o preço da alegria.
E assim agosto segue o seu caminho,
Morno, sem cortejo nem clarim;
Mostrando que o tumulto tem um fim
E que o silêncio pode vir sozinho.
Afinal,
Sem bandeiras,
Sem cóleras,
Sem bebedeiras,
Sem barulho,
Sem esbulho,
Sem ruído,
É possível.

