Friday, June 30, 2023
A ÁRVORE E A OBRA
Thursday, June 01, 2023
Friday, May 05, 2023
ERGUET'Ó
De novo
Longe do cobertor
Sem tempo para iniciar descanso
Jamais para terminar sono
E, acordado, sonho
Erguet'homem!
Grit'empilhado o trabalho
Sunday, April 02, 2023
UM PASSARINHO NA BUNGAVÍLIA
Txe, txe, txe
Saltita pequenino
Celeste, passarinho
Do quintal, visto magrinho
Txe, txe, txe
Da palmeira do vizinho
Voa, à bungavília, curtinho
Espraiando-se ao sol amarelinho
Txe, txe, txe
Fecunda, de pianinho
Flores vermelhas e tons branquinhos
Atraindo outros bichinhos
Txe, txe, txe
Olho adiante
Há no caminho mulher andante
Um seio papaia, outro abacate
Txe, txe, txe
Com abacate alimenta
Com papaia abebeira
No futuro há epopeia
Txe, txe, txe
Não é dela que celeste canta
Mas sua beleza encanta
Homem que decanta
Txe, txe, txe
Água rara no incerto
Caminho longo no deserto
Desafiando vida curta do insecto
Txe, txe, txe
Alegra-se a bungavília
Que fecundada alarga família
Com o pólen que o azul polvilha.
Saturday, December 03, 2022
KWABA KWOSO
Tamanha beleza
Kalumba kuwaba wanga
A beleza da jovem é infinita
Dyala ndemba kala myenge
Os cabelos do jovem se parecem a feixes de cana
Kizwa njila imoxi aditemu
Certo dia cruzaram caminho
Ngalasa nyi ngalasa ate maka
Engraçando-se um pelo outro, iniciaram conversa
Dyala uzwela umona kwenda kwê
O jovem fala e encata-se pelo seu jingar
Kalumba kwenda kala hoha
Um gingar de cabra-do-mato
Kwo pholo a sange lwiji
Um magestoso rio pôs-se à frente
Ngasakidila, bâ!
Muito obrigado!
Kalumba amutabula nyi ujitu
Disse a jovem ao colo levada com carinho
Kuwaba kwa hanga
Beleza impar como galinha de Angola
Dizwi kala dyembe!
Voz melosa com rosa
Kwala kuzeka, nyi kubalumuka!
Há sono e acordar
Kutanga, nyi kumona wê!
Ler e ver também
Kimenemene kuditemexa,
Amor matinal
Ngoloxi mbambi!
E frio vespertino
Dyala kumaku,
Vale o homem pela bondade
Muhatu ujitu kalunga!
Delicadez é obra de mulher
Kuzola kwami, kufa!
Meu amor é morte (infinito)
Kusonika kuzwela!
Representar é falar (há coisas indiscritíveis)
Kumona kusonika wê!
Ver é também representar
PS: o poema foi pensado em Kimbundu, daí a dificuldade em encontrar uma tradução fiel.
Wednesday, July 27, 2022
CAMINHOS
Olivais?
Thursday, June 30, 2022
AFRIKANISTAS & SATIRCÓPIH
É dia d'Afrika
Wednesday, May 25, 2022
GRITOS (C)EGOS
Cantaram-se vivas
a Afrika
Friday, April 01, 2022
DIVERTINDO-TE
(à distância)
Pensando que estou por perto
São minhas mãos
O vento que te cerca
Monday, March 28, 2022
À PEDRA (II)
Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Ngiti yami yulya¹
Tuesday, August 31, 2021
O CÃO E O PORTÃO
Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:
"Cuidado com o cão!"
E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:
"Cão mudo, mudo cão!"
Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:
"Cuidado com o cão!"
Então uma voz, mordaz como o açoite,
Bradou, com fina reflexão:
"Se o dono já padece sorte de cão,
Que proveito há em sustentar outro cão?"
Wednesday, July 21, 2021
CAVALO CANSADO
Quer o homem andante
Cavalo valente
E o equino de
bruços,
Do chão sai aos
soluços
Chegou a mulher
mercante
Carroça repleta
Pensando no cavalo
galopante
Relincha, negando
a sela
Chia a vida na
curva da cidade
No trabalho, é
homem com capacidade
Ordena a mente ao
caminho
Corpo cansado nega
destino
Homem doente
Cavalo cansado
Trabalho parado
Monday, March 01, 2021
CANTO À KAM&MESA
Um dia proclamaremos vitória
Monday, November 02, 2020
UM CANTO A TEREMBEMBE
Abraçando córregos de sempre
Lagoa de (10)encantos
Encantos meus
Feito cantos
Prantos alheios
Fundidos no sono perdido
No mosquito faminto e sanguinário
Da mamã sem chão
Reconquistado pela água
Oh, água nossa da (10)graça!
Terembembe,
Inunda e imunda
Águas fecais negras
Nauseabundas, venenosas
Há meses presas nos córregos
Novos da modernice sem perícia
Vieram libertadoras
Dos altos, chuvas divinas
Com cantos e prantos
E, quando te apartares deste manto
Lúgubre, verde darás
Vidas novas trarás
Pois, dele estrume farás
Para a enxada da camponesa faminta
Monday, September 21, 2020
LADEAND'OURO
Correndo abaixo
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também
Sunday, August 30, 2020
COVID'ENJOATIVO
Porra!
Matem a arte, por favor!
Deixem-me descomprimir
É muito tédio
É muita pressão
É demasiada informação negativa
Tanta proibição
Artistas sem inspiração (?)!
Se se inspiram no corona, não têm onde publicar
Se publicam, ninguém se deleita
Se procuram deleitar-se vem falta de leite
Até jornais apartam-se da crónica
Ateliers fechados para expor
Salões encerrados para dançar
Canto restrito à Live da televisão
Estou enjoado
Pareço coronhado!
Monday, December 02, 2019
2TEMPOS
Friday, November 01, 2019
INSTANTE NOSSO
Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto
Chuva lavando cidade prometida
Enxugando teu leito
E tu,
Cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à meia-luz
Mundo reduzido a nós
Gemidos teus
Gemidos meus
Nosso instante
Imune de pudor
Não há dor
Não há temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!
Thursday, September 05, 2019
REPOUSO EM KALUMBU
Repousa
o sol.
Repousa
o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.
Repousa
o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.
Repousa
também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.
Repousa
a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.
Repousa
o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.
Repousam
as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:
jingwingi,
jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.
Repousa
o dongo.
Repousa
o rio.
Thursday, August 01, 2019
UM MAR (D)E DESERTO
Muito próximos,
Abraçando-se para vida e,
Às vezes, para a morte
Deserto,
Para mim, não são apenas dunas, areias e lagartos
Não são apenas arbustos espinhosos e secura...
É a cabra que deixa de trepar árvores sem folhas!


