De novo
Longe do cobertor
Sem tempo para iniciar descanso
Jamais para terminar sono
E, acordado, sonho
Erguet'homem!
Grit'empilhado o trabalho
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De novo
Longe do cobertor
Sem tempo para iniciar descanso
Jamais para terminar sono
E, acordado, sonho
Erguet'homem!
Grit'empilhado o trabalho
Txe, txe, txe
Saltita pequenino
Celeste, passarinho
Do quintal, visto magrinho
Txe, txe, txe
Da palmeira do vizinho
Voa, à bungavília, curtinho
Espraiando-se ao sol amarelinho
Txe, txe, txe
Fecunda, de pianinho
Flores vermelhas e tons branquinhos
Atraindo outros bichinhos
Txe, txe, txe
Olho adiante
Há no caminho mulher andante
Um seio papaia, outro abacate
Txe, txe, txe
Com abacate alimenta
Com papaia abebeira
No futuro há epopeia
Txe, txe, txe
Não é dela que celeste canta
Mas sua beleza encanta
Homem que decanta
Txe, txe, txe
Água rara no incerto
Caminho longo no deserto
Desafiando vida curta do insecto
Txe, txe, txe
Alegra-se a bungavília
Que fecundada alarga família
Com o pólen que o azul polvilha.
Tamanha beleza
Kalumba kuwaba wanga
A beleza da jovem é infinita
Dyala ndemba kala myenge
Os cabelos do jovem se parecem a feixes de cana
Kizwa njila imoxi aditemu
Certo dia cruzaram caminho
Ngalasa nyi ngalasa ate maka
Engraçando-se um pelo outro, iniciaram conversa
Dyala uzwela umona kwenda kwê
O jovem fala e encata-se pelo seu jingar
Kalumba kwenda kala hoha
Um gingar de cabra-do-mato
Kwo pholo a sange lwiji
Um magestoso rio pôs-se à frente
Ngasakidila, bâ!
Muito obrigado!
Kalumba amutabula nyi ujitu
Disse a jovem ao colo levada com carinho
Kuwaba kwa hanga
Beleza impar como galinha de Angola
Dizwi kala dyembe!
Voz melosa com rosa
Kwala kuzeka, nyi kubalumuka!
Há sono e acordar
Kutanga, nyi kumona wê!
Ler e ver também
Kimenemene kuditemexa,
Amor matinal
Ngoloxi mbambi!
E frio vespertino
Dyala kumaku,
Vale o homem pela bondade
Muhatu ujitu kalunga!
Delicadez é obra de mulher
Kuzola kwami, kufa!
Meu amor é morte (infinito)
Kusonika kuzwela!
Representar é falar (há coisas indiscritíveis)
Kumona kusonika wê!
Ver é também representar
PS: o poema foi pensado em Kimbundu, daí a dificuldade em encontrar uma tradução fiel.
Olivais?
É dia d'Afrika
Cantaram-se vivas
a Afrika
(à distância)
Pensando que estou por perto
São minhas mãos
O vento que te cerca
Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Ngiti yami yulya¹
Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:
"Cuidado com o cão!"
E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:
"Cão mudo, mudo cão!"
Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:
"Cuidado com o cão!"
Então uma voz, mordaz como o açoite,
Bradou, com fina reflexão:
"Se o dono já padece sorte de cão,
Quer o homem andante
Cavalo valente
E o equino de
bruços,
Do chão sai aos
soluços
Chegou a mulher
mercante
Carroça repleta
Pensando no cavalo
galopante
Relincha, negando
a sela
Chia a vida na
curva da cidade
No trabalho, é
homem com capacidade
Ordena a mente ao
caminho
Corpo cansado nega
destino
Homem doente
Cavalo cansado
Trabalho parado
Um dia proclamaremos vitória
Porra!
Matem a arte, por favor!
Deixem-me descomprimir
É muito tédio
É muita pressão
É demasiada informação negativa
Tanta proibição
Artistas sem inspiração (?)!
Se se inspiram no corona, não têm onde publicar
Se publicam, ninguém se deleita
Se procuram deleitar-se vem falta de leite
Até jornais apartam-se da crónica
Ateliers fechados para expor
Salões encerrados para dançar
Canto restrito à Live da televisão
Estou enjoado
Pareço coronhado!
Repousa
o sol.
Repousa
o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.
Repousa
o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.
Repousa
também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.
Repousa
a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.
Repousa
o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.
Repousam
as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:
jingwingi,
jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.
Repousa
o dongo.
Repousa
o rio.