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Wednesday, July 27, 2022

CAMINHOS

Olivais?

Talvez Rinchôa
Apenas caminhos
Quiçá, Massamá?
Também pode ser Kis(s)ama
Caminhos longos...
Sempre passos,
Pessoas, pergaminhos
Enfim, ideias!

Thursday, June 30, 2022

AFRIKANISTAS & SATIRCÓPIH

É dia d'Afrika

Chovem encômios
A antigos e novos colonos
Desonestos e
De tudo culpados
Nos cantos de vácuo
Repletos gritaram ébrios
Afrika nossa, dos irmãos
Sem mãos
Rasgadas nos aplausos ignorantes
Do abraço ao irmão carente
De bruços
Prostrado no dia D'Afrika!
E todos o viram chegar,
(menos os afrikanistas)
Congregados no dia
É d'Afrika!

Wednesday, May 25, 2022

GRITOS (C)EGOS

Cantaram-se vivas

                 a Afrika

- Belo dia!
Escreveu-se missal 
       ao Continente
- Quão lindo exercício!
Racharam-se mãos 
  de tanto palmejar
- Que ensurdecedor!
Enrouqueceram-se vozes
          de gargantas secas
- Quanto grito?!

É tua festa mãe Afrika
Mesmo suada, dorida e rouca
                responda amem!
Ao kajimaka na maka
- Que é do dia d'Afrika!

Friday, April 01, 2022

DIVERTINDO-TE

(à distância)

Pensando que estou por perto

São minhas mãos

O vento que te cerca  

Que delicadas t'afagam

Os ruídos, tuitares de kaxexe e dikole,

São minha voz

Rouca

Falando baixinho

Em teus ouvidos

Sedentos

De prazer adiado

Monday, March 28, 2022

À PEDRA (II)

Ki ngaxiti supa

Ki ngaxiti supa

Ngiti yami yulya¹

Ah!

Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Mbe yakazamendu²
Uh!

Ngiti yami yolya
Ah
Ngiti yami yolya
Mbe yakazamendu
Uh!
Estórias cantadas sobre a pedra
Onde o martelo-pau
Contra o milho, um lacrau
E fazem fuba com destreza!
=

1- Fui moer milho pensando que seria para consumo no lar.
2- Serviu para casamento com outra.

Tuesday, August 31, 2021

O CÃO E O PORTÃO

Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:

"Cuidado com o cão!"

E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:

"Cão mudo, mudo cão!"

Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:

"Cuidado com o cão!"

Então uma voz, mordaz como o açoite,

Bradou, com fina reflexão:

"Se o dono já padece sorte de cão,

Que proveito há em sustentar outro cão?"



Wednesday, July 21, 2021

CAVALO CANSADO

 Quer o homem andante

Cavalo valente

E o equino de bruços,

Do chão sai aos soluços

 

Chegou a mulher mercante

Carroça repleta

Pensando no cavalo galopante

Relincha, negando a sela

  

Chia a vida na curva da cidade

No trabalho, é homem com capacidade

Ordena a mente ao caminho

Corpo cansado nega destino

 

Homem doente

Cavalo cansado

Trabalho parado

Soldo ausente! 

Monday, March 01, 2021

CANTO À KAM&MESA

Um dia proclamaremos vitória


E a Victória saberá

Que valeu a pena

A metade de pão

E meio copo de leite
(Quando houvesse)

Ou kapungu-pungu de todos os dias!

Um dia dormiremos sono

Sono profundo de morrer

E os patrões colherão

Patacas, Kwanzas e elogios

Sem pressa em controlar o relógio

Pois o sono terá um ninho!

Monday, November 02, 2020

UM CANTO A TEREMBEMBE

Depósito secular
Abraçando córregos de sempre
Lagoa de (10)encantos
Encantos meus
Feito cantos
Prantos alheios
Fundidos no sono perdido
No mosquito faminto e sanguinário
Da mamã sem chão
Reconquistado pela água
Oh, água nossa da (10)graça!

Vejo-te,
Terembembe,
Inunda e imunda
Águas fecais negras
Nauseabundas, venenosas
Há meses presas nos córregos
Novos da modernice sem perícia
Vieram libertadoras
Dos altos, chuvas divinas
Com cantos e prantos
E, quando te apartares deste manto
Lúgubre, verde darás
Vidas novas trarás
Pois, dele estrume farás
Para a enxada da camponesa faminta
Que anseia terra enxuta



Monday, September 21, 2020

LADEAND'OURO

Ânus limpidus
Correndo abaixo
Lidimus
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado 
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também

Sunday, August 30, 2020

COVID'ENJOATIVO

Porra!

Matem a arte, por favor!

Deixem-me descomprimir

É muito tédio

É muita pressão

É demasiada informação negativa

Tanta proibição 

Artistas sem inspiração (?)!

Se se inspiram no corona, não têm onde publicar

Se publicam, ninguém se deleita

Se procuram deleitar-se vem falta de leite

Até jornais apartam-se da crónica 

Ateliers fechados para expor

Salões encerrados para dançar

Canto restrito à Live da televisão

Estou enjoado

Pareço coronhado!

Monday, December 02, 2019

2TEMPOS

Muitos
Voluntariamente
Entregaram-se à luta
Para libertar o povo

Alguns
Forçosamente
Libertam-se do povo
Para juntar tostões

Friday, November 01, 2019

INSTANTE NOSSO


Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto 

Língua molhada é
Chuva lavando cidade prometida
Enxugando teu leito
E tu,
Cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à meia-luz
Mundo reduzido a nós
Gemidos teus
Gemidos meus
Nosso instante
Imune de pudor
Não há dor
Não há temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!

Thursday, September 05, 2019

REPOUSO EM KALUMBU

Repousa o sol.

Repousa o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.

Repousa o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.

Repousa também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.

Repousa a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.

Repousa o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.

Repousam as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:

jingwingi, jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.

Repousa o dongo.

Repousa o rio.

Thursday, August 01, 2019

UM MAR (D)E DESERTO

(Namibe)

Muito próximos,
Abraçando-se para vida e,
Às vezes, para a morte
Deserto,
Para mim, não são apenas dunas, areias e lagartos
Não são apenas arbustos espinhosos e secura...
É a cabra que deixa de trepar árvores sem folhas!

Monday, November 19, 2018

DE SOL EM SOL

Na roça colonial
Agora em mão nacional
Cresce a lavoura
Cresce a miséria
Trabalha, todo o dia, toda a hora
Cresce, apressada, a barriga do patrão
Vive o camponês abaixo de cão
Lavra de sol em sol
P'ro filho, barriga-cheia, nem mebendazol
Lavoura-recolha de chuva em chuva
Um quilo de fuba
Atendendo o estômago só
A paga do camponês
Uma tábua de peixe seco
Quando a jimboa não atende
É a fome que o surpreende
Na nova escravidão
Que engorda o ladro-patrão!

Wednesday, October 10, 2018

UM CHEIRO BOM

Cheira um cheiro bom
Pelas narinas sentido
É profundo, traz húmus
Promete Insumos
Alegra homens
Aves, plantas e demais viventes
É cheiro à chuva.
Choveu!

Saturday, September 01, 2018

NO LIBOLO, AMBOIM E NGULUNGU


Café maduro/
Avermelhado/
Bagos doces/
Reclamando cesto e o terreiro/
Para secar e escurecer/
Aguardando-lhe o descasque e torrefacção/
Aqui, sim/
Fica negro/
Na boca deixa amargo/
Amargura sentida pelo negro/
"Negro da cor do contratado"/

 

Tuesday, August 28, 2018

AGOSTO MORNO

Sem bandeiras ao vento desfraldadas,
Sem cóleras de turbas inflamadas,
Sem bebedeiras de euforia vã,
Sem trombetas rompendo a manhã.

Sem barulho de palcos improvisados,
Sem elogios em coro declamados,
Sem maratonas de fervor aparente,
Sem multidões seguindo a mesma corrente.

Sem esbulho da paz quotidiana,
Sem a pressa festiva e quase insana,
Sem o ruído dos dias ceremoniais
Que vestiam de festa os velhos ais.

Agosto chegou discreto à cidade;
Nem fogos, nem delírios, nem vaidade.
Passou sereno pelas ruas nuas,
Sob o silêncio das tardes e das luas.

E muitos, por costume ou nostalgia,
Procuraram o estrépito de outrora;
Mas encontraram uma nova hora,
Feita de calma e de monotonia.

Talvez falte o fervor que entontecia,
Talvez sobre a memória um véu se estenda;
Mas a quietude, quando enfim se assenda,
Também revela o preço da alegria.

E assim agosto segue o seu caminho,
Morno, sem cortejo nem clarim;
Mostrando que o tumulto tem um fim
E que o silêncio pode vir sozinho.

Afinal,

Sem bandeiras,
Sem cóleras,
Sem bebedeiras,
Sem barulho,
Sem esbulho,
Sem ruído,

É possível.

Afinal.

Tuesday, May 01, 2018

AMOR SEM PUDOR

Depois de
- 10encantos
- Canções ao vento
Já temos
- Amor sem pudor