Correndo abaixo
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também
Encantos & 10encantos ® Todos os direitos reservados ao autor deste Blog
Porra!
Matem a arte, por favor!
Deixem-me descomprimir
É muito tédio
É muita pressão
É demasiada informação negativa
Tanta proibição
Artistas sem inspiração (?)!
Se se inspiram no corona, não têm onde publicar
Se publicam, ninguém se deleita
Se procuram deleitar-se vem falta de leite
Até jornais apartam-se da crónica
Ateliers fechados para expor
Salões encerrados para dançar
Canto restrito à Live da televisão
Estou enjoado
Pareço coronhado!
Repousa
o sol.
Repousa
o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.
Repousa
o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.
Repousa
também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.
Repousa
a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.
Repousa
o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.
Repousam
as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:
jingwingi,
jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.
Repousa
o dongo.
Repousa
o rio.
Sem bandeiras ao vento desfraldadas,
Sem cóleras de turbas inflamadas,
Sem bebedeiras de euforia vã,
Sem trombetas rompendo a manhã.
Sem barulho de palcos improvisados,
Sem elogios em coro declamados,
Sem maratonas de fervor aparente,
Sem multidões seguindo a mesma corrente.
Sem esbulho da paz quotidiana,
Sem a pressa festiva e quase insana,
Sem o ruído dos dias ceremoniais
Que vestiam de festa os velhos ais.
Agosto chegou discreto à cidade;
Nem fogos, nem delírios, nem vaidade.
Passou sereno pelas ruas nuas,
Sob o silêncio das tardes e das luas.
E muitos, por costume ou nostalgia,
Procuraram o estrépito de outrora;
Mas encontraram uma nova hora,
Feita de calma e de monotonia.
Talvez falte o fervor que entontecia,
Talvez sobre a memória um véu se estenda;
Mas a quietude, quando enfim se assenda,
Também revela o preço da alegria.
E assim agosto segue o seu caminho,
Morno, sem cortejo nem clarim;
Mostrando que o tumulto tem um fim
E que o silêncio pode vir sozinho.
Afinal,
Sem bandeiras,
Sem cóleras,
Sem bebedeiras,
Sem barulho,
Sem esbulho,
Sem ruído,
É possível.
Fruto honrado da estação;
Se quiser, há mais opção,
Para fartar a refeição.
Há jindungo e há mamão,
Maracujá, lima e limão;
Tudo brota deste chão,
Generoso em produção.
Pequenino, mas não em vão,
Certo fruto enche a mão;
Também cresce o agrião
E o tenro e verde feijão.
Junto à fresca hortelã,
Perfuma a manhã cristã;
E o sabor que daí vem
Faz bem ao corpo também.
A batateira, em expansão,
Já desafia o corrimão;
E a cajá-manga, em profusão,
Enche alegre o carro-de-mão.
Não se acanhe, meu irmão,
Nem duvide da lição;
Campo ou cidade, com atenção,
Compus um verso, esqueci a dor,
Bebi um trago, sonhei amor;
Dormi um pouco, passou o ardor,
Mas despertou comigo o dissabor.
Voltou a vida, severa e nua,
Com sua longa procissão:
O pão ausente sobre a mesa crua,
E as contas sobre o coração.
Filhos por criar, males por vencer,
Patrões que exigem mais que o dever,
Amores fugidos a renascer,
E a eterna luta pelo viver.
Enquanto isso, canta o pavão,
Vestido de glória e vaidade;
Eu vou vestido de necessidade,
Remendando os panos da ilusão.
Mais um trago!
Que importa o troco?
Que importa o estorvo?
Se a vida me fez,