Repousa
o sol.
Repousa
o peixe moribundo,
destinado à boca faminta
do monandenge,
dançarino das esquinas,
de cueca rota pela escola
que teve por carteira uma pedra.
Repousa
o negócio
da noite comprida,
preguiçosa e lenta
como o Kwanza em sua derradeira curva.
Repousa
também
o bolso roto da tia pregoeira,
cansado de dar mais do que recebe.
Repousa
a canoa,
de quilha voltada ao silêncio,
depois de medir caminhos de água.
Repousa
o pescador exausto,
com os braços vencidos pelo remo
e os olhos gastos pela espera.
Repousam
as ervas flutuantes,
guardando segredos do espelho líquido:
jingwingi,
jingandu,
jimbiji nyi madiwanu.
Repousa
o dongo.
Repousa
o rio.