Oh tempo, que em sombras se encobre,
Eis que o porvir se anuncia em véus cerrados;
O coração, trêmulo, recusa o alento,
E a razão, contida, cala seus ardores.
Renova-se o mundo em ciclos milenares,
Mas perpetua-se o medo em tronos invisíveis;
Mãos ocultas, de poder inaudito,
Sufocam falas, extinguem rumores.
Ninguém ousa, ninguém comenta,
Que venha o futuro em passos de ferro;
E o espírito, em luto, aguarda silente,
O jugo da aurora que tarda em surgir.
Oh destino, severo e inexorável,
Que em tua marcha não conheces clemência;
O homem, frágil, curva-se em silêncio,
E o devir, sombrio, governa em temor.
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