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Wednesday, April 15, 2026

PORQUÊ TU, ADI?!

Porquê tu, ó Adi, de mármore e gelo,

Que em toda a vigília me deste o degredo,

No paço do sonho te fizeste braseiro,

E abrindo-te inteira, clamaste: “Eu te quero?!"


Fui eu o andejo, de viagem volvido, 

Sem carta, sem nova, de pó revestido. 

E tu, aparição no trilho do mercado, 

Fizeste do sol meio-dia pecado.


Roubei-te dos lábios o mel proibido, 

E tu mo tornaste em dobro, em gemido. 

De mãos atreladas, febris, delirantes, 

Ganhámos o leito em passos arquejantes.


Mentia a razão: “é só pensamento...” 

Mas logo os vestidos caíram ao vento. 

Da mesinha ao colchão, num salto lascivo, 

Morreu o recato, asceu o instintivo.


Gulosamente te sorvi os clamores, 

Entre ancas e coxas, colhi teus ardores. 

Teu ventre era forja, teu seio era chama, 

E eu, possuído, bradava teu nome na cama.


Com dentes e unhas riscávamos versos 

Na pele suada, em acordes perversos. 

Bebi-te os ais, o suor, o pecado, 

Té ver-te em espasmos, o corpo arqueado.


Mas súbita, a tormenta, madrasta do gozo, 

Rasgou-me dos sonhos o véu voluptuoso. 

Despertei em tormenta, de hastes erguidas, 

Com teu gosto na boca e as veias partidas.


Porquê tu, Adi,

Tão casta e negacionista, 

Me deste em morfeu tua flor desfolhada? 

Terminei o voo, porém vou condenado: 

Trago-te na carne, de fogo marcado.

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