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Monday, November 27, 2023

CHOVE PAÍS ADENTRO

Que venha comida 

Dos rios fartura

Depois relva e caça

Que homens venham

Com ideias-máquinas e construam 

Estradas também!

Tuesday, August 29, 2023

O MAR

O mesmo Atlântico que nos banha

Abraça

Doces e salgadas piscinas

As mesmas

Que temos secas e rotas 

Em terras distantes do mar!



Friday, June 30, 2023

A ÁRVORE E A OBRA


(Pedra Escrita)

Obras de sonhador
Árvore, primeiro,
Para sombra e fruta
Obra
Para frutificar conhecimento
Crescem juntas
Uma alongando-se, a árvore
Rezando
Que no tempo obra se atrase
E na entrega se igualem
Aos 4 anos:
Árvore frutífera e obra prolífera
Vamos ter biblioteca e cajá-manga!


Thursday, June 01, 2023

NGA BALUMUKA

 Raiou o sol

Larguei o lençol e

Peguei o anzol!

Friday, May 05, 2023

ERGUET'Ó

De novo

Longe do cobertor

Sem tempo para iniciar descanso

Jamais para terminar sono

E, acordado, sonho

Erguet'homem!

Grit'empilhado o trabalho

Sunday, April 02, 2023

UM PASSARINHO NA BUNGAVÍLIA

Txe, txe, txe

Saltita pequenino

Celeste, passarinho

Do quintal, visto magrinho


Txe, txe, txe

Da palmeira do vizinho

Voa, à bungavília, curtinho

Espraiando-se ao sol amarelinho


Txe, txe, txe

Fecunda, de pianinho

Flores vermelhas e tons branquinhos

Atraindo outros bichinhos


Txe, txe, txe

Olho adiante

Há no caminho mulher andante

Um seio papaia, outro abacate


Txe, txe, txe

Com abacate alimenta 

Com papaia abebeira

No futuro há epopeia


Txe, txe, txe

Não é dela que celeste canta

Mas sua beleza encanta

Homem que decanta


Txe, txe, txe

Água rara no incerto

Caminho longo no deserto

Desafiando vida curta do insecto


Txe, txe, txe

Alegra-se a bungavília 

Que fecundada alarga família

Com o pólen que o azul polvilha.

Saturday, December 03, 2022

KWABA KWOSO

Tamanha beleza

Kalumba kuwaba wanga

A beleza da jovem é infinita

Dyala ndemba kala myenge

Os cabelos do jovem se parecem a feixes de cana

Kizwa njila imoxi aditemu

Certo dia cruzaram caminho

Ngalasa nyi ngalasa ate maka

Engraçando-se um pelo outro, iniciaram conversa

Dyala uzwela umona kwenda kwê

O jovem fala e encata-se pelo seu jingar

Kalumba kwenda kala hoha

Um gingar de cabra-do-mato

Kwo pholo a sange lwiji

Um magestoso rio pôs-se à frente

Ngasakidila, bâ!

Muito obrigado!

Kalumba amutabula nyi ujitu

Disse a jovem ao colo levada com carinho

Kuwaba kwa hanga

Beleza impar como galinha de Angola

Dizwi kala dyembe!

Voz melosa com rosa

Kwala kuzeka, nyi kubalumuka!

Há sono e acordar

Kutanga, nyi kumona wê!

Ler e ver também 

Kimenemene kuditemexa,

Amor matinal 

Ngoloxi mbambi!

E frio vespertino

Dyala kumaku,

Vale o homem pela bondade

Muhatu ujitu kalunga!

Delicadez é obra de mulher

Kuzola kwami, kufa!

Meu amor é morte (infinito)

Kusonika kuzwela!

Representar é falar (há coisas indiscritíveis)

Kumona kusonika wê!

Ver é também representar


PS: o poema foi pensado em Kimbundu, daí a dificuldade em encontrar uma tradução fiel.

Wednesday, July 27, 2022

CAMINHOS

Olivais?

Talvez Rinchôa
Apenas caminhos
Quiçá, Massamá?
Também pode ser Kis(s)ama
Caminhos longos...
Sempre passos,
Pessoas, pergaminhos
Enfim, ideias!

Thursday, June 30, 2022

AFRIKANISTAS & SATIRCÓPIH

É dia d'Afrika

Chovem encômios
A antigos e novos colonos
Desonestos e
De tudo culpados
Nos cantos de vácuo
Repletos gritaram ébrios
Afrika nossa, dos irmãos
Sem mãos
Rasgadas nos aplausos ignorantes
Do abraço ao irmão carente
De bruços
Prostrado no dia D'Afrika!
E todos o viram chegar,
(menos os afrikanistas)
Congregados no dia
É d'Afrika!

Wednesday, May 25, 2022

GRITOS (C)EGOS

Cantaram-se vivas

                 a Afrika

- Belo dia!
Escreveu-se missal 
       ao Continente
- Quão lindo exercício!
Racharam-se mãos 
  de tanto palmejar
- Que ensurdecedor!
Enrouqueceram-se vozes
          de gargantas secas
- Quanto grito?!

É tua festa mãe Afrika
Mesmo suada, dorida e rouca
                responda amem!
Ao kajimaka na maka
- Que é do dia d'Afrika!

Friday, April 01, 2022

DIVERTINDO-TE

(à distância)

Pensando que estou por perto

São minhas mãos

O vento que te cerca  

Que delicadas t'afagam

Os ruídos, tuitares de kaxexe e dikole,

São minha voz

Rouca

Falando baixinho

Em teus ouvidos

Sedentos

De prazer adiado

Monday, March 28, 2022

À PEDRA (II)

Ki ngaxiti supa

Ki ngaxiti supa

Ngiti yami yulya¹

Ah!

Ki ngaxiti supa
Ki ngaxiti supa
Mbe yakazamendu²
Uh!

Ngiti yami yolya
Ah
Ngiti yami yolya
Mbe yakazamendu
Uh!
Estórias cantadas sobre a pedra
Onde o martelo-pau
Contra o milho, um lacrau
E fazem fuba com destreza!
=

1- Fui moer milho pensando que seria para consumo no lar.
2- Serviu para casamento com outra.

Tuesday, August 31, 2021

O CÃO E O PORTÃO

Levado pelo medo acerbo e vão
Da crescente audácia da ladroeira,
Dundão pregou, à frente da trincheira,
Um aviso solene no portão:

"Cuidado com o cão!"

E a rapaziada, audaz e galhofeira,
Sem pão, sem ofício e sem patrão,
Fitando a tabuleta da barreira,
Rompeu em coro esta canção:

"Cão mudo, mudo cão!"

Mas Dundão, firme em sua prevenção,
Sem dar resposta à turba zombeteira,
Confiou mais na tábua que na razão
E manteve a sentença à dianteira:

"Cuidado com o cão!"

Então uma voz, mordaz como o açoite,

Bradou, com fina reflexão:

"Se o dono já padece sorte de cão,

Que proveito há em sustentar outro cão?"



Wednesday, July 21, 2021

CAVALO CANSADO

 Quer o homem andante

Cavalo valente

E o equino de bruços,

Do chão sai aos soluços

 

Chegou a mulher mercante

Carroça repleta

Pensando no cavalo galopante

Relincha, negando a sela

  

Chia a vida na curva da cidade

No trabalho, é homem com capacidade

Ordena a mente ao caminho

Corpo cansado nega destino

 

Homem doente

Cavalo cansado

Trabalho parado

Soldo ausente! 

Monday, March 01, 2021

CANTO À KAM&MESA

Um dia proclamaremos vitória


E a Victória saberá

Que valeu a pena

A metade de pão

E meio copo de leite
(Quando houvesse)

Ou kapungu-pungu de todos os dias!

Um dia dormiremos sono

Sono profundo de morrer

E os patrões colherão

Patacas, Kwanzas e elogios

Sem pressa em controlar o relógio

Pois o sono terá um ninho!

Monday, November 02, 2020

UM CANTO A TEREMBEMBE

Depósito secular
Abraçando córregos de sempre
Lagoa de (10)encantos
Encantos meus
Feito cantos
Prantos alheios
Fundidos no sono perdido
No mosquito faminto e sanguinário
Da mamã sem chão
Reconquistado pela água
Oh, água nossa da (10)graça!

Vejo-te,
Terembembe,
Inunda e imunda
Águas fecais negras
Nauseabundas, venenosas
Há meses presas nos córregos
Novos da modernice sem perícia
Vieram libertadoras
Dos altos, chuvas divinas
Com cantos e prantos
E, quando te apartares deste manto
Lúgubre, verde darás
Vidas novas trarás
Pois, dele estrume farás
Para a enxada da camponesa faminta
Que anseia terra enxuta



Monday, September 21, 2020

LADEAND'OURO

Ânus limpidus
Correndo abaixo
Lidimus
Altas e rochosas montanhas
Lado a lado 
Carregando Porto e Gaia
E o Douro preguiçoso
Ao mar se dirige
Vaidoso, majestoso, dengoso
Navegante também

Sunday, August 30, 2020

COVID'ENJOATIVO

Porra!

Matem a arte, por favor!

Deixem-me descomprimir

É muito tédio

É muita pressão

É demasiada informação negativa

Tanta proibição 

Artistas sem inspiração (?)!

Se se inspiram no corona, não têm onde publicar

Se publicam, ninguém se deleita

Se procuram deleitar-se vem falta de leite

Até jornais apartam-se da crónica 

Ateliers fechados para expor

Salões encerrados para dançar

Canto restrito à Live da televisão

Estou enjoado

Pareço coronhado!

Monday, December 02, 2019

2TEMPOS

Muitos
Voluntariamente
Entregaram-se à luta
Para libertar o povo

Alguns
Forçosamente
Libertam-se do povo
Para juntar tostões

Friday, November 01, 2019

INSTANTE NOSSO


Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto 

Língua molhada é
Chuva lavando cidade prometida
Enxugando teu leito
E tu,
Cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à meia-luz
Mundo reduzido a nós
Gemidos teus
Gemidos meus
Nosso instante
Imune de pudor
Não há dor
Não há temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!