Sem bandeiras ao vento desfraldadas,
Sem cóleras de turbas inflamadas,
Sem bebedeiras de euforia vã,
Sem trombetas rompendo a manhã.
Sem barulho de palcos improvisados,
Sem elogios em coro declamados,
Sem maratonas de fervor aparente,
Sem multidões seguindo a mesma corrente.
Sem esbulho da paz quotidiana,
Sem a pressa festiva e quase insana,
Sem o ruído dos dias ceremoniais
Que vestiam de festa os velhos ais.
Agosto chegou discreto à cidade;
Nem fogos, nem delírios, nem vaidade.
Passou sereno pelas ruas nuas,
Sob o silêncio das tardes e das luas.
E muitos, por costume ou nostalgia,
Procuraram o estrépito de outrora;
Mas encontraram uma nova hora,
Feita de calma e de monotonia.
Talvez falte o fervor que entontecia,
Talvez sobre a memória um véu se estenda;
Mas a quietude, quando enfim se assenda,
Também revela o preço da alegria.
E assim agosto segue o seu caminho,
Morno, sem cortejo nem clarim;
Mostrando que o tumulto tem um fim
E que o silêncio pode vir sozinho.
Afinal,
Sem bandeiras,
Sem cóleras,
Sem bebedeiras,
Sem barulho,
Sem esbulho,
Sem ruído,
É possível.
Afinal.