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Thursday, July 04, 2013

FUKA YAMI (TERRA-MÃE)


 

Libolo

Inicialmente simples povoações

Básicas, sem estrelas, nem erudição,

Ordem e trabalho fizeram dela

Luzenta e admirada circunscrição

Orgulho desta Nação!

 

Monday, June 10, 2013

EU TENHO UM SONHO


> Que Saurimo será um centro de intelectualidade
> Que será uma candeia que irradiará sua luz a toda Angola
> Eu tenho um sonho
> Que as crianças que hoje assistem, sem opção, novelas brasileiras e
> mexicanas
> Distribuídas sem controlo, nem medição
> Venham a ser as mais cultas desta urbe
> Irradiando conhecimento à província e ao país
> Eu tenho um sonho
> Que desta pequena experiencia,
> O Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura
> Nasça a árvore que alimentará a província e o país de luz e sabedoria.
> Eu tenho um sonho
> Que nunca mais a ignorância fará parte de nossas vivências
> Que a ciência e a razão serão nossas armas
> E nunca mais a razão da força e do ocultismo.
> Eu tenho um sonho...

> (Inspirado no "I have a dream" de M. Luther King Jr.)

Saturday, June 01, 2013

É HORA


Tocou a sineta

É o pássaro que está no cimo

Quem faz deslocar o sino

Cá dentro, outros sinos tocam em mim


É, desde sempre, minha sina:

Toca o sino no cimo da igreja

Sinos internos em mim pelejam

Wednesday, May 01, 2013

RESILIÊNCIA

Fez vendaval,
Apesar de caule brando,
A árvore não resvalou
Apenas folhas se soltaram e
Ramos levados pelo vento

Permaneceu hirto o tronco
Enraizado no solo másculo

Não foi desta vez!

Monday, April 01, 2013

BRIGADISTA

Mal o sol raiou
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão

Quem pega o intriguista-cão?
Que desgovernado ladra como vulcão?
Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?

Chegou a hora da verdade
Todos despidos de vaidades
Discursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?

Num campo dragões vomitam razões
Noutro razões idosas disputam acções
Voam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?

Monday, March 11, 2013

ALMA SANGRENTA


Um tufão de dor varre meu corpo estropiado
Enqanto lavas de sangue atravessam minha alma mutilada
O corpo estropiado sara
Porém, minh' alma mutilada sangra sem cor, sem valor


Queria meu corpo perdoar
Não fosse esse esvair sem fim
Da vida a terminar
Como artista sem delfim

Neste sepulcro em que me encontro
Me convidas para de novo sorrir
Como nos dias em que teu calor senti
Mas já cá não mora o alento

Meu corpo de fogo viciado pede
É teu o afago mais quente
Mas minh´alma em lavas se despede
É outro o mundo que me percebe?

Morri
Apenas corpo presente
Já cá não mora quem sente
Só alma farrapo


Thursday, February 14, 2013

DEPOIS DO AMOR O AMOR


Cama quente

Briga ausente

Saudade disso quem não sente?

Uns apenas consentem

Intrigas e pelo meio presentes

Para manter calma a corrente

Outros ainda tocam vida prá frente

Ignorando pentes e serpentes

Mantendo Vida alegre

Frestas e ventos ao poeta trazem

Vídeos e escritos que traduzem

Quão bom é ter cama quente!

Friday, February 01, 2013

SOMBRA DE REALEZA


(À Rosa, enfermeira do HMP)

Pasmo
Rodeia almas estropiadas
Encurraladas por vontades seculares
Há uma sombra de realeza que espanta!

No rasgo da noite
Apenas silêncios recticentes
Enchendo corações de amores abstratos
É a tua sombra que encanta!

No além da curva sanitária
Morre o sêmen preguiçoso
Esvaziando o imaginário doentio
Apenas Rosa!

Luanda, 11.08.2000

Tuesday, January 01, 2013

AO HOMEM

Três caminhos apenas:

- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar

Um destes é meu!

25.02.2004

Saturday, December 01, 2012

AMAR É

- Caminhar
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?

O nosso amor é a importância que nos atribuímos!

05.02.2004

Thursday, November 01, 2012

NA CAMA DE HOTEL


Sugando tetas moribundas duma kitata kuribeka

No leito da morte

Xaxatando nádegas flácidas do álcool barrigudo

Trágic´aventura dum incauto viajante

prostrado no prazer momentâneo


Na cama de hotel

Desfaz vida, assando castanhas em kifufutila mortuário

deixando na brasa sua longinqu´amada
 

Na cama de hotel, sonha enterrando sonhos

Mbunda ya kitadi

negócio de hoje

mbolo ya kizwa

Kufwa kidi!


É na cama de hotel


Luena, 28.09.2012

Monday, October 01, 2012

DESESPERO


Noite cálida e de esperança

Silêncio e só silêncio reina

Cá dentro dançam lobos

E sobre a banca é a luz dorminhoca que tilinta

É madrugada

 
Envergonhadas voam cegonhas

Enquanto lobos trespassam corações

No horizonte, raios apressados anunciam mais um dia sem dono

Revezam-se os sóis

Outro dia sem Esperança

 

Saturday, September 01, 2012

Mwana Pwo

Na grandeza do teu corpo
desnudado
Inspiro meu eu
esquelético
Pra te dizer
amor

Wednesday, August 01, 2012

DOR INGENTE

Doi saber que sou teu irmão,
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro  insistimos

Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos

Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!

Monday, July 09, 2012

REGRESSO ANUNCIADO

Eu Parto

Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza  de que volto, mãe!

Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida

Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários

Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou  pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão

Eu Volto

Tuesday, June 12, 2012

Tempo de nakas

É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma

Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)

Thursday, May 24, 2012

CAMPO DE VENTO

Vinde e cultivai
Que é próprio o momento!

Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo

Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!

21.07.2004

Monday, April 02, 2012

KIFUFUTILA

Meu regaço é quente
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor

Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento

Sou a  amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!

Friday, March 02, 2012

ÊXODO

Ontem na sanzala
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas

Thursday, February 02, 2012

MARCHANDO

Sem cor, nem riqueza
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste

Canções alegres
Coros afinados
Um poema

Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação

Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação