Fez vendaval,
Apesar de caule brando,
A árvore não resvalou
Apenas folhas se soltaram e
Ramos levados pelo vento
Permaneceu hirto o tronco
Enraizado no solo másculo
Não foi desta vez!
Wednesday, May 01, 2013
Monday, April 01, 2013
BRIGADISTA
Mal o sol raiou
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão
Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?
Discursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?
Voam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão
Quem pega o intriguista-cão?
Que desgovernado ladra como vulcão?Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?
Chegou a hora da verdade
Todos despidos de vaidadesDiscursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?
Num campo dragões vomitam razões
Noutro razões idosas disputam acçõesVoam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?
Monday, March 11, 2013
ALMA SANGRENTA
Um tufão de dor varre meu corpo estropiado
Enqanto lavas de sangue atravessam minha alma mutilada
O corpo estropiado sara
Porém, minh' alma mutilada sangra sem cor, sem valor
Queria meu corpo perdoar
Não fosse esse esvair sem fimDa vida a terminar
Como artista sem delfim
Neste sepulcro em que me encontro
Me convidas para de novo sorrir
Como nos dias em que teu calor senti
Mas já cá não mora o alento
Meu corpo de fogo viciado pede
É teu o afago mais quenteMas minh´alma em lavas se despede
É outro o mundo que me percebe?
Morri
Apenas corpo presenteJá cá não mora quem sente
Só alma farrapo
Thursday, February 14, 2013
DEPOIS DO AMOR O AMOR
Cama quente
Briga ausente
Saudade disso quem não sente?
Uns apenas consentem
Intrigas e pelo meio presentes
Para manter calma a corrente
Outros ainda tocam vida prá frente
Ignorando pentes e serpentes
Mantendo Vida alegre
Frestas e ventos ao poeta trazem
Vídeos e escritos que traduzem
Quão bom é ter cama quente!
Friday, February 01, 2013
SOMBRA DE REALEZA
(À Rosa, enfermeira do HMP)
Pasmo
Rodeia almas estropiadas
Encurraladas por vontades seculares
Há uma sombra de realeza que espanta!
No rasgo da noite
Apenas silêncios recticentes
Enchendo corações de amores abstratos
É a tua sombra que encanta!
No além da curva sanitária
Morre o sêmen preguiçoso
Esvaziando o imaginário doentio
Apenas Rosa!
Luanda, 11.08.2000
Tuesday, January 01, 2013
AO HOMEM
Três caminhos apenas:
- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar
Um destes é meu!
25.02.2004
- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar
Um destes é meu!
25.02.2004
Saturday, December 01, 2012
AMAR É
- Caminhar
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?
O nosso amor é a importância que nos atribuímos!
05.02.2004
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?
O nosso amor é a importância que nos atribuímos!
05.02.2004
Thursday, November 01, 2012
NA CAMA DE HOTEL
Sugando tetas moribundas duma kitata kuribeka
No leito da morte
Xaxatando nádegas flácidas do álcool barrigudo
Trágic´aventura dum incauto viajante
prostrado no prazer momentâneo
Na cama de hotel
Desfaz vida, assando castanhas em kifufutila mortuário
deixando na brasa sua longinqu´amada
Na cama de hotel, sonha enterrando sonhos
Mbunda ya kitadi
negócio de hoje
mbolo ya kizwa
Kufwa kidi!
É na cama de hotel
Luena, 28.09.2012
Monday, October 01, 2012
DESESPERO
Noite cálida e de esperança
Silêncio e só silêncio reina
Cá dentro dançam lobos
E sobre a banca é a luz
dorminhoca que tilinta
É madrugada
Envergonhadas voam
cegonhas
Enquanto lobos trespassam corações
No horizonte, raios apressados
anunciam mais um dia sem dono
Revezam-se os sóis
Outro dia sem Esperança
Saturday, September 01, 2012
Wednesday, August 01, 2012
DOR INGENTE
Doi saber que sou teu irmão,
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro insistimos
Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos
Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro insistimos
Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos
Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!
Monday, July 09, 2012
REGRESSO ANUNCIADO
Eu Parto
Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza de que volto, mãe!
Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida
Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários
Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão
Eu Volto
Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza de que volto, mãe!
Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida
Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários
Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão
Eu Volto
Tuesday, June 12, 2012
Tempo de nakas
É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma
Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma
Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)
Thursday, May 24, 2012
CAMPO DE VENTO
Vinde e cultivai
Que é próprio o momento!
Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo
Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!
21.07.2004
Que é próprio o momento!
Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo
Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!
21.07.2004
Monday, April 02, 2012
KIFUFUTILA
Meu regaço é quente
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor
Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento
Sou a amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor
Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento
Sou a amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!
Friday, March 02, 2012
ÊXODO
Ontem na sanzala
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas
Thursday, February 02, 2012
MARCHANDO
Sem cor, nem riqueza
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste
Canções alegres
Coros afinados
Um poema
Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação
Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste
Canções alegres
Coros afinados
Um poema
Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação
Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação
Monday, January 02, 2012
PAIXÃO ADULTA
Passeio,
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro
Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso
E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite
Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro
Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso
E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite
Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?
Monday, December 12, 2011
DRAMA
Cinta sobre a cintura
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria o devir
Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro
Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito:
- ai tio, me dá só cinquenta!
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria o devir
Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro
Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito:
- ai tio, me dá só cinquenta!
Friday, December 09, 2011
AIS!
Homens mandados na guerra
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996
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