Gosto
De trabalhar
Adaptar-me a ambientes
quaisquer
Climas organizacionais
quaisquer
quentes ou frios
Gostaria
De me não viciar,
de novo
Remetendo-me ao trabalho e à madrinha solidão
escrita
Meus melhores recantos
Faltando de QVL
Tuesday, March 01, 2016
Monday, February 01, 2016
TORMENTO
É de manhã que mais sinto o tormento
Quando me liberto do ópio e do sono
Quando o pensador ligo
E ele, às voltas,
Vagueia, vagueia
Como canoa ancorada
Da qual se rema
Rema, rema, rema
Sem movimento
No mesmo lugar, eterno
E o pensador, em depressão,
Desiste de pensar
Mas o dia se aproxima
Há decisão a tomar,
Já tardia no calendário juliano
E ligo, de novo, o pensador
Que entra às voltas e desiste
Quanto tormento?!
Quando me liberto do ópio e do sono
Quando o pensador ligo
E ele, às voltas,
Vagueia, vagueia
Como canoa ancorada
Da qual se rema
Rema, rema, rema
Sem movimento
No mesmo lugar, eterno
E o pensador, em depressão,
Desiste de pensar
Mas o dia se aproxima
Há decisão a tomar,
Já tardia no calendário juliano
E ligo, de novo, o pensador
Que entra às voltas e desiste
Quanto tormento?!
Friday, January 01, 2016
GRITO RASTEIRO
Brigam herbívoros
Pelejam ébrios no capim rasteiro
Outrora levado ao estômago
Jaz pés, a baixo
Inútil, triturado
E brigam valentes
Poderosos no pensar
Vargem rasteira destroem sem cessar
Até que poeira apenas os cerca
É sede, é fome
Relva escassa,
Pisoteada ao gosto da rebeldia gratuita
Implora-se, suplica-se
Mas ela, relva fresquinha,
Verdinha, ressuscita noutra margem
Noutra vida parida da lassidão do tempo
E ressurgem sorrisos distantes
Enquanto herbívoros famintos padecem...
In Canções ao vento
Tuesday, December 01, 2015
MANO DÉCIMO
Mona-a-ngamba de nascença
Cedo procurou libertar-se
E conseguiu
Tempos depois
Na moda das tarrafas extra-bairrais
A mona-a-ngamba voltou sem ais
Agredido na honra
Espoliado no suor
Chifrado no sentimento
Jazz Mano Décimo
Ano dez no ralo
Refúgio no submundo é tenda
Há anos trocada pela mansão
urbana
Cima a baixo percorre calçadão
E recupera o amigo papelão
Há anos substituído p'lo cómodo
colchão
E sobrevive, Mano Décimo
Chifrudo
Sangrento
Esvaindo-se por todos poros
- Bebeu do veneno
Proclama a vilã
- Engordou a cobra com suor
Dispara condoída a irmã
Sem ópio que dor amortece
Nem frasco que tudo esquece
Vive e quase enlouquece
Mano Décimo caminha a leste
Do Kuteka à Irlanda
Carregando o peso do nada
E, aos poucos, desfalece,
Mano Décimo.
In Canções ao vento
Sunday, November 01, 2015
ELES
Aos magotes
Dias e noites
Fingem-se satisfeitos
Quando é outra
A dama de suas vidas
E trocam gritos por silêncios
Vociferantes
Sim
Silêncios como faca do talheiro
Na escuridão dos carcereiros
Na ignorância dos sensores
Na liberdade da palavra
Lançam vozes eternas
OS POETAS
Dias e noites
Fingem-se satisfeitos
Quando é outra
A dama de suas vidas
E trocam gritos por silêncios
Vociferantes
Sim
Silêncios como faca do talheiro
Na escuridão dos carcereiros
Na ignorância dos sensores
Na liberdade da palavra
Lançam vozes eternas
OS POETAS
Thursday, October 01, 2015
TUDO É DOR
Brigas frívolas
Silêncio abrigo
A saudade dos de casa
Das árvores, da Katumbu, do António e do Phande
Doi tudo
Pés, cabeça, abdómen e cervical
Até a fome doi
Se me liberto da dor!
Silêncio abrigo
A saudade dos de casa
Das árvores, da Katumbu, do António e do Phande
Doi tudo
Pés, cabeça, abdómen e cervical
Até a fome doi
Se me liberto da dor!
Tuesday, September 01, 2015
TORRA
Hoje vou torrar
Amanhã vou kubar
Manhã inteira
Mboa, não dês bandeira
Já expliquei a dika
Terminei a bumba
Sábado não vou amarrar
Domingo vou exercitar
Amanhã vou kubar
Manhã inteira
Mboa, não dês bandeira
Já expliquei a dika
Terminei a bumba
Sábado não vou amarrar
Domingo vou exercitar
Saturday, August 15, 2015
A CANETA E A CANECA
Desisti da caneta
É agora a caneca
A caneca...
Que consolo?!.
É neta jogada no colo
Ou brincando na careca
Ó caneca!
Teus gritos já me soam à sineta
Que fazer desta praceta
Sem tinta na caneta
Para mais uma croniqueta?
E calculo
Quilómetros por andar até Kakolu
Caneta e caneca na busca da soneca
Desperto sem consolo
Vou embriagar-me com caneta!
É agora a caneca
A caneca...
Que consolo?!.
É neta jogada no colo
Ou brincando na careca
Ó caneca!
Teus gritos já me soam à sineta
Que fazer desta praceta
Sem tinta na caneta
Para mais uma croniqueta?
E calculo
Quilómetros por andar até Kakolu
Caneta e caneca na busca da soneca
Desperto sem consolo
Vou embriagar-me com caneta!
Saturday, August 01, 2015
CANÇÃO DO TI-CHICO
Haveres teus
Haveres nossos
Haveres meus
Contigo me juntei na pobreza
A mim pertence a riqueza
Pra ti dou a despesa
Sai, sem haver levar
Vai, desiste 'té morrer!
- Abdico
Sem registo de tudo abdico!
Dia de partida, estrada longa
Para curta cilindrada
- Amor, é de arrependimento que te conto
Tudo é teu em todos os cantos
Casas, carros e os encantos!
Na estrada, Ti-Chico, sempre em prantos:
- Amo o labor
Tu o meu suor!
Haveres nossos
Haveres meus
Contigo me juntei na pobreza
A mim pertence a riqueza
Pra ti dou a despesa
Sai, sem haver levar
Vai, desiste 'té morrer!
- Abdico
Sem registo de tudo abdico!
Dia de partida, estrada longa
Para curta cilindrada
- Amor, é de arrependimento que te conto
Tudo é teu em todos os cantos
Casas, carros e os encantos!
Na estrada, Ti-Chico, sempre em prantos:
- Amo o labor
Tu o meu suor!
Wednesday, July 15, 2015
A MEIO DO KASIMBU
Queimadas e caçadas
No Libolo, sempre casadas
Já participei de muitas, ainda kanuku
Manhã cedo, afiar flechas e catanas,
Erguer corda e zagaia
Cães já famintos, para que não fujam da presa,
Tratados como ouro, antes da caçada
Depois, no repasto dos donos, se contentam com bola seca de funji
E ossos (des)conseguidos pelos dentes envelhecidos do mwadyakime
As caçadas e as queimadas,
Sempre casadas com fumo,
Capim alto ardendo, cinza preta, kwata,-kwata,
Agarra para os aportuguesados que levam ralhetes e cassetetes
Às caçadas e as queimadas, Doutor não vai
Fica na cidade, mas sente cheiro do capim e do produto da caçada
E quem se deleita é o filósofo de esquina,
O calcinhas, meio indígena, meio assimilado
Vai à caçada de roupa completa
Voltando sujo-amarrotado, quando não roto-descalço
É a meio do kasimbu!
Monday, June 15, 2015
LETRAS MILAGROSAS
A poesia supera a dor
Leva-nos ao abstrato
Faz-nos sugar os mares
E os céus apalpar
Com ela se sonha
Mesmo acordado se sonha
Mergulhado na poesia
Isso sentirá o capim
Quando deixar de ser trampolim
Para ruminantes e manatins!
In Canções ao vento
Monday, June 01, 2015
BRISA
Essa tua cordilheira, Isa
Já me lembra aquel´algibeira
Abandonada na estrada, à beira
São torres Pisa
Esse teu
peito, Isa
Eterno caderno do amor moderno
Convida
p´ro desenho
Minha
vertical caneta
Que
percorre teus desejos sequiosos
Aguardando
por tinta
Expelida
pela minha caneta
Nesse teu peito,
Isa,
Empresto minha caneta
Para rabiscos na tua
camisa
Até gritarias...
Até à chegada da
brisa!
Monday, May 25, 2015
QUINTA CANÇÃO (A MAIO)
Que trazes pra mim, ó Maio?
Não te chega este meu 41º Maio?
E 8º do homónimo filho mais teu que meu?
Terei sossego na lavoura e na choupana?
Se vai amainar a tempestade que arrasa minha cidade?
Param a chuva torrencial, trovoadas e raios?
Raios que o partam!
E, olho pra ti, ó Maio da minha progenitura
Num momento em que mais me vêm interrogações à mente
Espero recitar, pacientemente
Quando de mim te fartares
- E tudo Maio deixou!
Ou tudo tu levarás?
Não te chega este meu 41º Maio?
E 8º do homónimo filho mais teu que meu?
Terei sossego na lavoura e na choupana?
Se vai amainar a tempestade que arrasa minha cidade?
Param a chuva torrencial, trovoadas e raios?
Raios que o partam!
E, olho pra ti, ó Maio da minha progenitura
Num momento em que mais me vêm interrogações à mente
Espero recitar, pacientemente
Quando de mim te fartares
- E tudo Maio deixou!
Ou tudo tu levarás?
Friday, May 01, 2015
SENTINDO-ME ASSIM
Há chuva
Há tempestadeHá raios e trovões
Há dor estranha dentro de mim
Há medo
Há força tambémHá frio e calafrios
Há também esperança dentro de mim
Há angústia obtusa
Há temor mesquinho
Há incertezas…
Há também em mim emergentes desafios.
Wednesday, April 01, 2015
PASSANTE
É como um restaurante
Seu back office não visite
Para que imundície não destape
E sua fome não afugente!
Mulher anunciante
De longe elegante
Que se apregoa gostosa, caliente...
É cozinha de restaurante!
Mulher apelativa a transeunte
Histórias fecundas no reporte
Corre água turva à jusante
Delicie-se, não pergunte!
Como internet é o homem
Moderno, de liso abdómen
Seu telefone não conecte
Para não ver serpente!
Seu back office não visite
Para que imundície não destape
E sua fome não afugente!
Mulher anunciante
De longe elegante
Que se apregoa gostosa, caliente...
É cozinha de restaurante!
Mulher apelativa a transeunte
Histórias fecundas no reporte
Corre água turva à jusante
Delicie-se, não pergunte!
Como internet é o homem
Moderno, de liso abdómen
Seu telefone não conecte
Para não ver serpente!
Sunday, March 01, 2015
A HORA DO GRITO
Cinco Litros
Nasceu distante
No tempo e na geografia
Cinco Litros
P’ro Nordeste desterrado
Num pseudo-contrato, escravatura moderna
luz-e-tana
Cinco Litros
Sonho de liberdade alimentou
E caçadeira para o ataque sonhou
Dia de pagamento,
Cinco Litros,
Mala do salário surripiou
Padre pidesco colono contratou
Mulher domingueira segredo soltou
Cinco litros na cadeia parou
Estropiado,
Pela roda da Bed Ford
Cinco Litros da vida se despediu
Ainda corre fama
Cinco Litros é herói
Na Lunda e na vida de injustiçados!
Obs: Versificação de uma narrativa do nordeste angolano. Faz parte da Antologia de Poesia Contemporânea Entre o Sono e o Sonho Vol. VI, Chiado Editora, Pt, 21.03.2015.
Sunday, February 01, 2015
EMPURRADA
Caminha
Passo apressado pela rua
Desvia
Homem descalço na grua
Enfia-se
No beco agulhado da casa que
sonhou sua
Envia
Olhar aguçado para a lua
Repara
No reflexo espelhado que vai nua
Engole
Licor drogado que depressa actua
Conclui
No telhado da noite a vida
continua…
Thursday, January 01, 2015
DE BAIXO DA PONTE
Homens de longe
Sem moral nem norte
Destilam ureia na areia
Distância rogando boleia
É a ponte que todos rodeia
Mulheres talhadas na vida
Emprego fecundo na via
Desfilam carnudas vadias
Debaixo de ponte vazia
Quem és tu mulher-a-dias?
Jovens temperados na rua
Sem sorte perdida crua
Disputam sobras
Procuram sombras
Buscam sossego roubado
Pela agua infiltrada no telhado
Escapada da ponte ruída
Crianças da escola destruída
Sepultam sonhos
Riscando na ponte desenhos
Em troca, largos desdéns
Mas a vida corre debaixo da ponte!
Sem moral nem norte
Destilam ureia na areia
Distância rogando boleia
É a ponte que todos rodeia
Mulheres talhadas na vida
Emprego fecundo na via
Desfilam carnudas vadias
Debaixo de ponte vazia
Quem és tu mulher-a-dias?
Jovens temperados na rua
Sem sorte perdida crua
Disputam sobras
Procuram sombras
Buscam sossego roubado
Pela agua infiltrada no telhado
Escapada da ponte ruída
Crianças da escola destruída
Sepultam sonhos
Riscando na ponte desenhos
Em troca, largos desdéns
Mas a vida corre debaixo da ponte!
Monday, December 01, 2014
O PÃO QUE O MAR REJEITA
Vem da baixa
Do Cazenga, na caixa
Vem de Viana
Com pseud'homens e levianas
Vem de Centralidades
Na ignorância de todas idades
Vem dos ricos
Despidos de princípios
É saco
É sobra de pincho
É frasco
É garrafa do mata-bicho
Recolhe o lixo
Senão te lixo
Antes que o mar vire bicho!
Do Cazenga, na caixa
Vem de Viana
Com pseud'homens e levianas
Vem de Centralidades
Na ignorância de todas idades
Vem dos ricos
Despidos de princípios
É saco
É sobra de pincho
É frasco
É garrafa do mata-bicho
Recolhe o lixo
Senão te lixo
Antes que o mar vire bicho!
Saturday, November 01, 2014
RETRATO DELA
Sem adornos é um vazio
Vaso sem flores e pousio
Carecendo de implante e regadio
Atavios que despertam o elogio
Diferente é a mukubal
Urbana ou rural
Mulher sempre natural
Um vaso escultural!
Wednesday, October 01, 2014
DISCURSO NOCTURNO
Sou louca
Sou perdição
Dou corpo
Dou atenção
Sozinha sinto desejos
Acompanhada sofro de tédios
Sou gelo
Sou foguetão
Paga-me sexo
Mas não me cobres coração!
Em noite fria viro cobertor
Em dia tropical sou refrigerador
Partilho beijos
Mas é dinheiro que desejo!
Sou perdição
Dou corpo
Dou atenção
Sozinha sinto desejos
Acompanhada sofro de tédios
Sou gelo
Sou foguetão
Paga-me sexo
Mas não me cobres coração!
Em noite fria viro cobertor
Em dia tropical sou refrigerador
Partilho beijos
Mas é dinheiro que desejo!
Monday, September 01, 2014
CARGA PESADA
Na
imaginação,
Teus
fluidos me invadem o rostoE, como ganancioso cão
Lambuzo-me no teu entreposto
Vácuo,
tormento e torneira de desgosto
Sinto
quando de ti me desencostoSukwama!
Grito
sufocado pelo prazer do fogo
Que
meus cacimbos depressa afugentaE, grito: coma-me logo!
Que é teu o lago que me apascenta
E, junto graxas às nossas engrenagens,
Nesta floresta húmida, com ramagens
Que me fermentam gingingas na barriga
Quando aprisionado na válvula da tua briga!
Friday, August 01, 2014
OKAVANGO
Repousam riquezas em lagos adormecidos
Grutas e caminhos, há muito esquecidos
Hoje desfiladeiros para caminhantes desconhecidos
Catadores de belezas e tesouros em prados estendidos
A sol e nuvens nunca guarnecidos
Não há chuva que os deixe aborrecidos
Lá estão eles: sempre convencidos
Embora de calor estarrecidos
Juntam moedas e nas algibeiras comprimidos
Doenças afugentam com impregnados tecidos
São turistas de longe saídos!
Grutas e caminhos, há muito esquecidos
Hoje desfiladeiros para caminhantes desconhecidos
Catadores de belezas e tesouros em prados estendidos
A sol e nuvens nunca guarnecidos
Não há chuva que os deixe aborrecidos
Lá estão eles: sempre convencidos
Embora de calor estarrecidos
Juntam moedas e nas algibeiras comprimidos
Doenças afugentam com impregnados tecidos
São turistas de longe saídos!
Wednesday, July 30, 2014
NO MEU IMAGINÁRIO
Ei-la sorridente
Vestida de preto, cinza e branco
Brilha ao sol de Julho minguante
Na cabeça, trança esperança
Filho kasula às costas
A filha puxa pela mão
A caminho do sol
Seu rumo é sul
É norte, é leste
É oeste, são ilhas também
Trilham quilómetros
Partilham conhecimentos
Mostra caminhos e alimentam sonhos
Quem é ela?
- Mulher africana!
In: Amor sem Pudor
Vestida de preto, cinza e branco
Brilha ao sol de Julho minguante
Na cabeça, trança esperança
Filho kasula às costas
A filha puxa pela mão
A caminho do sol
Seu rumo é sul
É norte, é leste
É oeste, são ilhas também
Trilham quilómetros
Partilham conhecimentos
Mostra caminhos e alimentam sonhos
Quem é ela?
- Mulher africana!
In: Amor sem Pudor
Tuesday, July 01, 2014
IDADE DE CONDOR
IDADE (DE) CONDOR
Todos dias uma febrezinha
Impedindo degustar saborosas febrinhas
Aqui e acolá uma dorzinha
Ao acordar e adormecer outra queixinha
Lá vai o Condor
Levando com dor
Essa vida já sem vigor.
Todos dias uma febrezinha
Impedindo degustar saborosas febrinhas
Aqui e acolá uma dorzinha
Ao acordar e adormecer outra queixinha
Lá vai o Condor
Levando com dor
Essa vida já sem vigor.
Sunday, June 01, 2014
GOLFO VELHO
GOLFO VELHO
Micro clima
Escarpado baixo a cima
Esquia, fria, berço de toqueias...
Santopeias também nascem como trepadeiras
Golfo Velho
Frio crescente
Na peleja até me ajoelho
Com esta minha lenha minguante
Micro clima
Escarpado baixo a cima
Esquia, fria, berço de toqueias...
Santopeias também nascem como trepadeiras
Golfo Velho
Frio crescente
Na peleja até me ajoelho
Com esta minha lenha minguante
Golfo
velho
Em noites devassas, escassas
No ar fumaças, esperanças idosas
Macho reformado, cansado, arrependido
Na quilometragem do golfo envelhecido...
Em noites devassas, escassas
No ar fumaças, esperanças idosas
Macho reformado, cansado, arrependido
Na quilometragem do golfo envelhecido...
In: Amor sem Pudor
Sunday, May 25, 2014
RENDIÇÃO
Moeram-se os dentes
De tanto moer
Perderam-se as forças
De tanto mover
Tua cintura
Não mais farfalho
Em tua quentura
Não mais mergulho...
Enterrei meu machado, meu orgulho
Apenas como-te com os olhos!
In: Amor sem Pudor
Thursday, May 01, 2014
ÁGUA NA BOCA
Deitado na minha kibaka
Tu apenas nos meus sonhosDesfilando longa e bela
(nos meus braços)
E percorro tuas distâncias
(milímetro a milímetro)
Meu queixo apalpando buzinas peitorais
Com a direita alavanco tuas velocidades
Entre pernas, é minha língua quem conduz!
In: Amor sem Pudor
Tuesday, April 01, 2014
SALAFRÁRIO
Estás hoje prostrado no meu travesseiro
Fingindo amor verdadeiro
Descobri que tudo que dizes é brejeiro
Cansei-me, interesseiro
Anda-te daí
Já não mora aqui
A mulher que chorou por ti
Desisti!
Saturday, March 08, 2014
SORRISO A ANGOLANA
Nesta cama que me acolhe
No consagrado teu dia
Percorre-me a memória
Os sorrisos mais luminosos que me brindaste
Mesmo multi-atarefada
Mesmo preocupada
Entre emprego e família dividida
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE
De dor gemendo, aflita,
Sonolenta,
De noite mal dormida
Do mona adoentado
Moída pelo trabalho
Pelas lidas caseiras
Cuidando marido ressacado
Ou desviando patrão mal-intencionado
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE!
No consagrado teu dia
Percorre-me a memória
Os sorrisos mais luminosos que me brindaste
Mesmo multi-atarefada
Mesmo preocupada
Entre emprego e família dividida
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE
De dor gemendo, aflita,
Sonolenta,
De noite mal dormida
Do mona adoentado
Moída pelo trabalho
Pelas lidas caseiras
Cuidando marido ressacado
Ou desviando patrão mal-intencionado
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE!
Tuesday, February 11, 2014
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Encantos e desencantos, amores e desamores, da guerra e da paz.
E, paradoxalmente, quanto maior o drama da guerra, mais valor damos à paz!
Classificado como: Poesia › Intimista
Palavras-chave:: Desencantos, Encantos, Esperança, Desilusão, Dor, Amor, Paz, Guerra, Angola
Encantos e desencantos, amores e desamores, da guerra e da paz.
E, paradoxalmente, quanto maior o drama da guerra, mais valor damos à paz!
Palavras-chave:: Desencantos, Encantos, Esperança, Desilusão, Dor, Amor, Paz, Guerra, Angola
Saturday, February 01, 2014
CRUZES DE FEVEREIRO
As
cruzes estarão cheias
Repletas
de gente que não acredita
Nem
embarca nas tácticas dos que querem vender
Cada
vez mais à custa dos que acreditam em fadas
O
mercantilismo está a virar as cabeças das pessoas
E a
inventar modas que se tornam mundiais
Há,
entretanto, os ateus,
Os
incrédulos,
Os,
que mesmo com a pressão mundial, preferem desligar-se
E
emigrar, em datas como esta, para outros planetas
Ainda
não infestados pela febre do consumismo
O
14 de Fevereiro é mais um resultado do mercantilismo
É
apenas vender...
Que
chovam dilúvios de críticas
Que
se quebrem os telhados
Que
se esvoace a folhagem arbórea.
Que
se apartem todos de mim, neste dia,
Eu não embarco
Eu não acredito!
Wednesday, January 01, 2014
GAIVOTA DE CHINGUAR
Preciso de voar
Como a gaivota do Chinguar
Que ginga e ginga no ar
Recordando intermináveis noites de luar
Comendo, bebendo sem muito gastar
Com direito a caviar
Para que não me aprisiones
Nestes teus gestos impressionantes
Tomando todo meu tempo
Ligando de tempo em tempo!
In: Amor sem Pudor
Como a gaivota do Chinguar
Que ginga e ginga no ar
Recordando intermináveis noites de luar
Preciso de
repousar
Depois de teus caminhos conquistarComendo, bebendo sem muito gastar
Com direito a caviar
Peço que te
aproximes,
Sem que cedo
te apaixonesPara que não me aprisiones
Nestes teus gestos impressionantes
Peço que me ames apenas
Que não me partas as pernasTomando todo meu tempo
Ligando de tempo em tempo!
Sunday, December 01, 2013
SANTA LUZIA
Dia-a-dia,
cobiçada baia
Embora
vivendo de amor em dia
É
terra com relva sempre vazia
Vargem
que morre com a maresia
Santa
Luzia, Grande baia
Em
ti procurei alegria
Sempre
que ao mar me fazia
Homens
distantes, Luzia acolhia
De
mim, entretanto, apenas se ria
Ó
Santo Cabo, por que demoras penetrar esta baia?
In: Amor sem Pudor
Friday, November 01, 2013
CALDO DE AMOR
Andamos anos
Um compondo versos Outro fazendo pedaços
Ela um poço de sede
Eu um rio sem mar
Um dia, nossos corpos involuntariamente se tocaram
Chamas há muito ocultas acenderam
Eu procurando mar para desaguar
Ela procurando água para sede saciar
Rolou o tempo
Sua sede transformada em fogoMinh’água transformada em lago
Eu, um leão faminto
Ela, vitelo perdido
Como chave na fechadura, tomarmos um caldo!
In: Amor sem Pudor (no prelo)
Tuesday, October 01, 2013
TREPADA DE GALO
Rochedos salientes na savana delgada
Corre o cabrito, corre a vaca malhada
Correm homens, corre o gado
Rio abaixo no solo escavado
Gotejos em tempo próprio
Corre água, corre leite com brio
Entre rochedos, no meio a cascata
Zurra a burra, descansa a vitela sensata
Sobe, desce pêndulo guiado a martelo
Corpo presente, na memória ausente o pesadelo
Na relva relincha o cavalo
No arbusto trepa o galo!
In: Amor sem Pudor
No arbusto trepa o galo!
Wednesday, September 18, 2013
A TRIPLA DIMENSÃO DO(s) 10ENCANTOS DE SOBERANO CANHANGA
NOTA PRÉVIA DO AUTOR
O meu Sonho começado nos anos 90 e retomado com mais vigor com a abertura desta página vê-se realizado com a publicação do livro que traz o mesmo título deste Blog. Vamos caminhar, buscando agora atingir a forma e perfeição inatingidos no primeiro poemário. Siga-nos atento como o faz Nguimba Ngola.
Por:
Nguimba Ngola
Setembro
é o mês em que nasceu Agostinho Neto e, no dia 17, o nosso poeta transita. O povo
lembra-se dele nas várias dimensões da sua vida, como poeta e político. Na Cidade Diamante, a cidade da Pedra
Brilhante, Neto também foi lembrado. Várias foram as actividades.
Na
manhã do dia 16, o anfiteatro da Escola Média Politécnica, transbordou
literalmente de alunos. Sim. Plateia jovem ouve atentamente a governadora,
Cândida Narciso, palestrando sobre Agostinho Neto. Em seguida, vem a
apresentação do terceiro (O Sonho de Kaúia, Manongo-Nongo, 10encantos) livro do
escritor Soberano Canhanga, jovem de Libolo, onde nasceu há 37 anos.
A mim, coube
a missão, desnecessária (?), de apresentar o livro que, depois de alguma
relutância, aceitei porquanto tinha sido indicada outra apresentadora que por
motivos alheios não se fez presente.
Soberano
é um dedicado “bloguista”. Tomei inicial contacto com seu texto poético no seu
blog “10encantos” que é o título do mais recente livro publicado. Já na sua
forma gráfica, cuja apresentação não deixa a desejar, peguei o “filhinho” do
Soberano entre mãos, acariciei-o, senti-lhe o cheiro agradável, passeei
brevemente nos textos, para constatar o modo de arrumação. Enquanto isso, a voz
no microfone anunciava o nome Nguimba Ngola para tomar o lugar. Um friozinho
toma conta de mim, é grande a responsabilidade, câmaras, olhares atentos
expectantes da apresentação, “é o tio dos livros do tchilar…” ainda ouvi da
plateia. Som e palavra é igual a poder. Ganhei o poder e comecei. Tirei partido
da apresentação para o aconselhamento dos jovens sobe a importância da leitura.
No final, as palmas. Ah, que alívio! Acabou, não é nada fácil falar ao público.
Já no aconchego dos lençóis, eis que meu anfitrião comunica que lhe foi pedido o
texto da apresentação. Não o tinha. Apenas as notas rabiscadas em papel qual
esboço orientador do pensamento. Um pequeno lap top foi-me entregue. Agora
escreva o texto, disse-me Soberano Canhanga.
10encantos do
Soberano
Analiso a poesia desencantada do
Soberano em três dimensões: Dimensão textual, dimensão social e dimensão
espiritual.
Os textos do Soberano se nos
apresentam com uma estrutura externa não tradicional, não encontraremos formas
fixas como o soneto. Sim. Os textos são desprovidos de métrica, impera porém o
verso livre que deixa margens para maior criatividade e liberdade ao poeta.
Ainda assim, elementos poéticos
básicos podem ser observados como a rima “Revejo/ num quarto agora vazio/ esse
teu corpo tão esguio// Recrio/ emoções e amores loucos…/ voltam à vida aos
poucos// Reencontro/ espalhados pelo chão/ roupas, beijos e paixão!” (in Sem
medo, pg 85). O ritmo também confere beleza nos vários textos 10encantados. É
sentir, por exemplo, “À fala com os meus botões” onde “tarda o sono/ nos sonhos
a traição…” (pg 103), ou ainda “tórrida e sofrida/ minha pátria/ dorida…” (pg
53).
A linguagem poética, em muitos
textos, torna-se expressiva pelo recurso de figuras e tropos e é assim que
encontraremos “pretinha cor de nuvens”, “espertinha na quilometragem da idade”,
“o sol já brinca no quintal”, “fustigai-vos ó ventos/ maltratai-vos ó águas/
façam-se remoinhos”, “no além da curva sanitária/ morre o sémen preguiçoso”.
A dimensão social dos poemas do Soberano Canhanga, reveste-se de textos, alguns dramáticos, porém apontado esperanças, “e sonhos de liberdade”. Sinto isso no poema “Êxodo” (pg 29). Quem não constata hoje, o drama nas vidas de muitos que “ontem/ na sanzala/ gente farta gritando/ canções alegres, intrépidas!”? E “Hoje/ na cidade/ gente magra/ esfarrapada/ entoa baladas tristes”… Profunda para todos, pois o contrário seria como diz o sujeito lírico do Soberano Canhanga apenas “paz podre” (pg 61), “paz sem perdão/ é tentar esquecer/ sem dar o braço a torcer/ não é paz, é podridão”. Eis então que no que depender de todos nós, devemos buscar sempre a paz.
A dimensão social dos poemas do Soberano Canhanga, reveste-se de textos, alguns dramáticos, porém apontado esperanças, “e sonhos de liberdade”. Sinto isso no poema “Êxodo” (pg 29). Quem não constata hoje, o drama nas vidas de muitos que “ontem/ na sanzala/ gente farta gritando/ canções alegres, intrépidas!”? E “Hoje/ na cidade/ gente magra/ esfarrapada/ entoa baladas tristes”… Profunda para todos, pois o contrário seria como diz o sujeito lírico do Soberano Canhanga apenas “paz podre” (pg 61), “paz sem perdão/ é tentar esquecer/ sem dar o braço a torcer/ não é paz, é podridão”. Eis então que no que depender de todos nós, devemos buscar sempre a paz.
Sensível, o poeta, ante o drama da
transição (morte), pede a que se chore a “mãe-grande”, mãe de seu “grande kota
José Caetano”, “com prosa e poesia…// com pintura e escultura/ choremo-la com
realidades e ficções/ choremo-la com ARTE!” (pg 33). São os 10encantos do poeta,
desabafos e choros, “o mundo enfrentar/ sofrer (?)”.
O fenómeno prostituição também é
motivo lírico pois pululam ao vento “kitata kuribeka”, que deixam suas tetas
moribundas serem sugadas “no leito da morte”. Hoje é intensa a correria ao
“álcool barrigudo” e, despudoradamente, vão “xaxatando nádegas flácidas” “mbunda
ya kitadi”, “mbolo ya kizwa/ kufwa kidi!” (in Na cama de hotel, pg 18).
O falante lírico vive intensamente
suas paixões, descrevendo-as com nostalgia, rememorando sonhos e traições, e
muitas vezes encantando-se com a beleza da(s) sua(s) amada(s).
Na dimensão espiritual, vejo o
poeta convocar-nos para o cultivo. “Vinde e cultivai/ que é próprio o memento!”
É o momento de amar verdadeiramente pois “ o nosso amor é a importância que nos
atribuímos”. Todos aqueles que se furtarem ao verdadeiro amor devem perceber
“que é chegada a ceifa” , “é chegado o julgamento/ do Cefeiro que chega à hora”,
eis a infalível reintegração cósmica. O eu lírico confronta-se com a realidade
mística “há vezes/ em que não sou eu quem age/ mas o oculto” (pg 44). Sim. É a
inteligência universal comunicando.
Saurimo,
16.09.2013.
Sunday, September 01, 2013
FAIXA DE GAJA
Entre montanhas e a saia
Apenas savana e secura
Um túnel já sem distância
Ajuda quem por lá relaxa
Mais abaixo, a terra da promessa
Onde morre quem paus arremessa
Na vasta savana de relva escassa
Um bebedouro sedes aguça
Faixa da gaja
Entre montes gémeos e terra prometida
Caminho abaixo, a cova do umbigo
É entre saia e blusa!
In: "Amor sem Pudor"
Monday, August 05, 2013
AMOR A ZIGUE-ZAGUE
Thursday, July 04, 2013
FUKA YAMI (TERRA-MÃE)
Libolo
Inicialmente simples povoações
Básicas, sem estrelas, nem erudição,
Ordem e trabalho fizeram dela
Luzenta e admirada circunscrição
Orgulho desta Nação!
Monday, June 10, 2013
EU TENHO UM SONHO

> Que Saurimo será um centro de intelectualidade
> Que será uma candeia que irradiará sua luz a toda Angola
> Eu tenho um sonho
> Que as crianças que hoje assistem, sem opção, novelas brasileiras e
> mexicanas
> Distribuídas sem controlo, nem medição
> Venham a ser as mais cultas desta urbe
> Irradiando conhecimento à província e ao país
> Eu tenho um sonho
> Que desta pequena experiencia,
> O Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura
> Nasça a árvore que alimentará a província e o país de luz e sabedoria.
> Eu tenho um sonho
> Que nunca mais a ignorância fará parte de nossas vivências
> Que a ciência e a razão serão nossas armas
> E nunca mais a razão da força e do ocultismo.
> Eu tenho um sonho...
> (Inspirado no "I have a dream" de M. Luther King Jr.)
Saturday, June 01, 2013
É HORA
Tocou a sineta
É o pássaro que está no cimo
Quem faz deslocar o sino
Cá dentro, outros sinos tocam em mim
É, desde sempre, minha sina:
Toca o sino no cimo da igreja
Sinos internos em mim pelejam
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