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Thursday, May 01, 2014

ÁGUA NA BOCA


Deitado na minha kibaka
Tu apenas nos meus sonhos
Desfilando longa e bela
        (nos meus braços)

E percorro tuas distâncias
     (milímetro a milímetro)

Meu queixo apalpando buzinas peitorais
Com a direita alavanco tuas velocidades
Entre pernas, é minha língua quem conduz!

 

In: Amor sem Pudor

Tuesday, April 01, 2014

SALAFRÁRIO


Estás hoje prostrado no meu travesseiro
Fingindo amor verdadeiro
Descobri que tudo que dizes é brejeiro
Cansei-me, interesseiro
Anda-te daí
Já não mora aqui
A mulher que chorou por ti
Desisti!

Saturday, March 08, 2014

SORRISO A ANGOLANA

Nesta cama que me acolhe
No consagrado teu dia

Percorre-me a memória
Os sorrisos mais luminosos que me brindaste
Mesmo multi-atarefada
Mesmo preocupada
Entre emprego e família dividida
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE

De dor gemendo, aflita,

Sonolenta,
De noite mal dormida
Do mona adoentado
Moída pelo trabalho
Pelas lidas caseiras
Cuidando marido ressacado
Ou desviando patrão mal-intencionado
TEU SORRISO SEMPRE PRESENTE!

Tuesday, February 11, 2014

VOCÊ JÁ PODE COMPRAR "10ENCANTOS" NA INTERNET


Siga o caminho: http://www.bubok.pt/livros/6897/10encantos

Autor: Soberano Canhanga
Estado: Público
Nº de páginas: 124
Tamanho: 150x210
Miolo: Preto e branco
Encadernação: Colado
Acabamento da capa: Brillo
ISBN Acabamento em capa mole com badanas: 978-989-20-3856-8
Livros vendidos: 51

Formato Preço
Acabamento em capa mole com badanas 9,90€ R$23,80
Impostos e envio não incluídos


A vida é feita de pequenos grandes nadas...
Encantos e desencantos, amores e desamores, da guerra e da paz.
E, paradoxalmente, quanto maior o drama da guerra, mais valor damos à paz!

 
Classificado como: Poesia   ›   Intimista
Palavras-chave:: Desencantos, Encantos, Esperança, Desilusão, Dor, Amor, Paz, Guerra, Angola
 

Saturday, February 01, 2014

CRUZES DE FEVEREIRO


As cruzes estarão cheias

Repletas de gente que não acredita

Nem embarca nas tácticas dos que querem vender

Cada vez mais à custa dos que acreditam em fadas

O mercantilismo está a virar as cabeças das pessoas

E a inventar modas que se tornam mundiais

Há, entretanto, os ateus,

Os incrédulos,

Os, que mesmo com a pressão mundial, preferem desligar-se

E emigrar, em datas como esta, para outros planetas

Ainda não infestados pela febre do consumismo

 
O 14 de Fevereiro é mais um resultado do mercantilismo

O objectivo não é amar mais ou menos amar 

É apenas vender...

Que chovam dilúvios de críticas

Que se quebrem os telhados

Que se esvoace a folhagem arbórea.

Que se apartem todos de mim, neste dia,
Eu não embarco
Eu não acredito!
 

Wednesday, January 01, 2014

GAIVOTA DE CHINGUAR

Preciso de voar
Como a gaivota do Chinguar
Que ginga e ginga no ar
Recordando intermináveis noites de luar

Preciso de repousar
Depois de teus caminhos conquistar
Comendo, bebendo sem muito gastar
Com direito a caviar

Peço que te aproximes,
Sem que cedo te apaixones
Para que não me aprisiones
Nestes teus gestos impressionantes

Peço que me ames apenas
Que não me partas as pernas
Tomando todo meu tempo
Ligando de tempo em tempo!

 
In: Amor sem Pudor
 

Sunday, December 01, 2013

SANTA LUZIA


Dia-a-dia, cobiçada baia

Embora vivendo de amor em dia

É terra com relva sempre vazia

Vargem que morre com a maresia

Santa Luzia, Grande baia

Em ti procurei alegria

Sempre que ao mar me fazia

Homens distantes, Luzia acolhia

De mim, entretanto, apenas se ria

Ó Santo Cabo, por que demoras penetrar esta baia?

In: Amor sem Pudor

Friday, November 01, 2013

CALDO DE AMOR


Andamos anos
Um compondo versos
Outro fazendo pedaços
Ela um poço de sede
Eu um rio sem mar

Um dia, nossos corpos involuntariamente se tocaram
Chamas há muito ocultas acenderam
Eu procurando mar para desaguar
Ela procurando água para sede saciar

Rolou o tempo
Sua sede transformada em fogo
Minh’água transformada em lago
Eu, um leão faminto
Ela, vitelo perdido
Como chave na fechadura, tomarmos um caldo!

In: Amor sem Pudor (no prelo)                                                   

Tuesday, October 01, 2013

TREPADA DE GALO

Rochedos salientes na savana delgada

Corre o cabrito, corre a vaca malhada

Correm homens, corre o gado

Rio abaixo no solo escavado 

Gotejos em tempo próprio

Corre água, corre leite com brio

Entre rochedos, no meio a cascata

Zurra a burra, descansa a vitela sensata

Sobe, desce pêndulo guiado a martelo

Corpo presente, na memória ausente o pesadelo

Na relva relincha o cavalo
No arbusto trepa o galo!

In: Amor sem Pudor
 

Wednesday, September 18, 2013

A TRIPLA DIMENSÃO DO(s) 10ENCANTOS DE SOBERANO CANHANGA

NOTA PRÉVIA DO AUTOR

O meu Sonho começado nos anos 90 e retomado com mais vigor com a abertura desta página vê-se realizado com a publicação do livro que traz o mesmo título deste Blog. Vamos caminhar, buscando agora atingir a forma e perfeição inatingidos no primeiro poemário. Siga-nos atento como o faz Nguimba Ngola.

AS TRÊS DIMENSÕES DO(s) 10ENCANTOS DE SOBERANO CANHANGA
Por: Nguimba Ngola
Setembro é o mês em que nasceu Agostinho Neto e, no dia 17, o nosso poeta transita. O povo lembra-se dele nas várias dimensões da sua vida, como poeta e político. Na Cidade Diamante, a cidade da Pedra Brilhante, Neto também foi lembrado. Várias foram as actividades.
Na manhã do dia 16, o anfiteatro da Escola Média Politécnica, transbordou literalmente de alunos. Sim. Plateia jovem ouve atentamente a governadora, Cândida Narciso, palestrando sobre Agostinho Neto. Em seguida, vem a apresentação do terceiro (O Sonho de Kaúia, Manongo-Nongo, 10encantos) livro do escritor Soberano Canhanga, jovem de Libolo, onde nasceu há 37 anos.
 
A mim, coube a missão, desnecessária (?), de apresentar o livro que, depois de alguma relutância, aceitei porquanto tinha sido indicada outra apresentadora que por motivos alheios não se fez presente.
Soberano é um dedicado “bloguista”. Tomei inicial contacto com seu texto poético no seu blog “10encantos” que é o título do mais recente livro publicado. Já na sua forma gráfica, cuja apresentação não deixa a desejar, peguei o “filhinho” do Soberano entre mãos, acariciei-o, senti-lhe o cheiro agradável, passeei brevemente nos textos, para constatar o modo de arrumação. Enquanto isso, a voz no microfone anunciava o nome Nguimba Ngola para tomar o lugar. Um friozinho toma conta de mim, é grande a responsabilidade, câmaras, olhares atentos expectantes da apresentação, “é o tio dos livros do tchilar…” ainda ouvi da plateia. Som e palavra é igual a poder. Ganhei o poder e comecei. Tirei partido da apresentação para o aconselhamento dos jovens sobe a importância da leitura. No final, as palmas. Ah, que alívio! Acabou, não é nada fácil falar ao público.
 
Já no aconchego dos lençóis, eis que meu anfitrião comunica que lhe foi pedido o texto da apresentação. Não o tinha. Apenas as notas rabiscadas em papel qual esboço orientador do pensamento. Um pequeno lap top foi-me entregue. Agora escreva o texto, disse-me Soberano Canhanga.
10encantos do Soberano

Analiso a poesia desencantada do Soberano em três dimensões: Dimensão textual, dimensão social e dimensão espiritual.
Os textos do Soberano se nos apresentam com uma estrutura externa não tradicional, não encontraremos formas fixas como o soneto. Sim. Os textos são desprovidos de métrica, impera porém o verso livre que deixa margens para maior criatividade e liberdade ao poeta.
Ainda assim, elementos poéticos básicos podem ser observados como a rima “Revejo/ num quarto agora vazio/ esse teu corpo tão esguio// Recrio/ emoções e amores loucos…/ voltam à vida aos poucos// Reencontro/ espalhados pelo chão/ roupas, beijos e paixão!” (in Sem medo, pg 85). O ritmo também confere beleza nos vários textos 10encantados. É sentir, por exemplo, “À fala com os meus botões” onde “tarda o sono/ nos sonhos a traição…” (pg 103), ou ainda “tórrida e sofrida/ minha pátria/ dorida…” (pg 53).
A linguagem poética, em muitos textos, torna-se expressiva pelo recurso de figuras e tropos e é assim que encontraremos “pretinha cor de nuvens”, “espertinha na quilometragem da idade”, “o sol já brinca no quintal”, “fustigai-vos ó ventos/ maltratai-vos ó águas/ façam-se remoinhos”, “no além da curva sanitária/ morre o sémen preguiçoso”.

A dimensão social dos poemas do Soberano Canhanga, reveste-se de textos, alguns dramáticos, porém apontado esperanças, “e sonhos de liberdade”. Sinto isso no poema “Êxodo” (pg 29). Quem não constata hoje, o drama nas vidas de muitos que “ontem/ na sanzala/ gente farta gritando/ canções alegres, intrépidas!”? E “Hoje/ na cidade/ gente magra/ esfarrapada/ entoa baladas tristes”… Profunda para todos, pois o contrário seria como diz o sujeito lírico do Soberano Canhanga apenas “paz podre” (pg 61), “paz sem perdão/ é tentar esquecer/ sem dar o braço a torcer/ não é paz, é podridão”.
Eis então que no que depender de todos nós, devemos buscar sempre a paz.
 
Sensível, o poeta, ante o drama da transição (morte), pede a que se chore a “mãe-grande”, mãe de seu “grande kota José Caetano”, “com prosa e poesia…// com pintura e escultura/ choremo-la com realidades e ficções/ choremo-la com ARTE!” (pg 33). São os 10encantos do poeta, desabafos e choros, “o mundo enfrentar/ sofrer (?)”.
O fenómeno prostituição também é motivo lírico pois pululam ao vento “kitata kuribeka”, que deixam suas tetas moribundas serem sugadas “no leito da morte”. Hoje é intensa a correria ao “álcool barrigudo” e, despudoradamente, vão “xaxatando nádegas flácidas” “mbunda ya kitadi”, “mbolo ya kizwa/ kufwa kidi!” (in Na cama de hotel, pg 18). O falante lírico vive intensamente suas paixões, descrevendo-as com nostalgia, rememorando sonhos e traições, e muitas vezes encantando-se com a beleza da(s) sua(s) amada(s).
Na dimensão espiritual, vejo o poeta convocar-nos para o cultivo. “Vinde e cultivai/ que é próprio o memento!” É o momento de amar verdadeiramente pois “ o nosso amor é a importância que nos atribuímos”. Todos aqueles que se furtarem ao verdadeiro amor devem perceber “que é chegada a ceifa” , “é chegado o julgamento/ do Cefeiro que chega à hora”, eis a infalível reintegração cósmica. O eu lírico confronta-se com a realidade mística “há vezes/ em que não sou eu quem age/ mas o oculto” (pg 44). Sim. É a inteligência universal comunicando.
Saurimo, 16.09.2013.

Sunday, September 01, 2013

FAIXA DE GAJA


Entre montanhas e a saia
Apenas savana e secura
Um túnel já sem distância
Ajuda quem por lá relaxa
Mais abaixo, a terra da promessa
Onde morre quem paus arremessa
Na vasta savana de relva escassa
Um bebedouro sedes aguça
Faixa da gaja
Entre montes gémeos e terra prometida
Caminho abaixo, a cova do umbigo
É entre saia e blusa!

In: "Amor sem Pudor"

Monday, August 05, 2013

AMOR A ZIGUE-ZAGUE

Assisti à compra do camião
Vi teu atrelado ser carregado
Também vi todo recheio ser roubado
Com o olhar saciei minha fome

Camião assaltado no tempo que corre
És hoje alimento para cães sem norte
Sede, tua, em aumento sem pudor
Resposta, minha, ausente um tormento.

In: "Amor sem pudor"

Thursday, July 04, 2013

FUKA YAMI (TERRA-MÃE)


 

Libolo

Inicialmente simples povoações

Básicas, sem estrelas, nem erudição,

Ordem e trabalho fizeram dela

Luzenta e admirada circunscrição

Orgulho desta Nação!

 

Monday, June 10, 2013

EU TENHO UM SONHO


> Que Saurimo será um centro de intelectualidade
> Que será uma candeia que irradiará sua luz a toda Angola
> Eu tenho um sonho
> Que as crianças que hoje assistem, sem opção, novelas brasileiras e
> mexicanas
> Distribuídas sem controlo, nem medição
> Venham a ser as mais cultas desta urbe
> Irradiando conhecimento à província e ao país
> Eu tenho um sonho
> Que desta pequena experiencia,
> O Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura
> Nasça a árvore que alimentará a província e o país de luz e sabedoria.
> Eu tenho um sonho
> Que nunca mais a ignorância fará parte de nossas vivências
> Que a ciência e a razão serão nossas armas
> E nunca mais a razão da força e do ocultismo.
> Eu tenho um sonho...

> (Inspirado no "I have a dream" de M. Luther King Jr.)

Saturday, June 01, 2013

É HORA


Tocou a sineta

É o pássaro que está no cimo

Quem faz deslocar o sino

Cá dentro, outros sinos tocam em mim


É, desde sempre, minha sina:

Toca o sino no cimo da igreja

Sinos internos em mim pelejam

Wednesday, May 01, 2013

RESILIÊNCIA

Fez vendaval,
Apesar de caule brando,
A árvore não resvalou
Apenas folhas se soltaram e
Ramos levados pelo vento

Permaneceu hirto o tronco
Enraizado no solo másculo

Não foi desta vez!

Monday, April 01, 2013

BRIGADISTA

Mal o sol raiou
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão

Quem pega o intriguista-cão?
Que desgovernado ladra como vulcão?
Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?

Chegou a hora da verdade
Todos despidos de vaidades
Discursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?

Num campo dragões vomitam razões
Noutro razões idosas disputam acções
Voam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?

Monday, March 11, 2013

ALMA SANGRENTA


Um tufão de dor varre meu corpo estropiado
Enqanto lavas de sangue atravessam minha alma mutilada
O corpo estropiado sara
Porém, minh' alma mutilada sangra sem cor, sem valor


Queria meu corpo perdoar
Não fosse esse esvair sem fim
Da vida a terminar
Como artista sem delfim

Neste sepulcro em que me encontro
Me convidas para de novo sorrir
Como nos dias em que teu calor senti
Mas já cá não mora o alento

Meu corpo de fogo viciado pede
É teu o afago mais quente
Mas minh´alma em lavas se despede
É outro o mundo que me percebe?

Morri
Apenas corpo presente
Já cá não mora quem sente
Só alma farrapo


Thursday, February 14, 2013

DEPOIS DO AMOR O AMOR


Cama quente

Briga ausente

Saudade disso quem não sente?

Uns apenas consentem

Intrigas e pelo meio presentes

Para manter calma a corrente

Outros ainda tocam vida prá frente

Ignorando pentes e serpentes

Mantendo Vida alegre

Frestas e ventos ao poeta trazem

Vídeos e escritos que traduzem

Quão bom é ter cama quente!

Friday, February 01, 2013

SOMBRA DE REALEZA


(À Rosa, enfermeira do HMP)

Pasmo
Rodeia almas estropiadas
Encurraladas por vontades seculares
Há uma sombra de realeza que espanta!

No rasgo da noite
Apenas silêncios recticentes
Enchendo corações de amores abstratos
É a tua sombra que encanta!

No além da curva sanitária
Morre o sêmen preguiçoso
Esvaziando o imaginário doentio
Apenas Rosa!

Luanda, 11.08.2000

Tuesday, January 01, 2013

AO HOMEM

Três caminhos apenas:

- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar

Um destes é meu!

25.02.2004

Saturday, December 01, 2012

AMAR É

- Caminhar
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?

O nosso amor é a importância que nos atribuímos!

05.02.2004

Thursday, November 01, 2012

NA CAMA DE HOTEL


Sugando tetas moribundas duma kitata kuribeka

No leito da morte

Xaxatando nádegas flácidas do álcool barrigudo

Trágic´aventura dum incauto viajante

prostrado no prazer momentâneo


Na cama de hotel

Desfaz vida, assando castanhas em kifufutila mortuário

deixando na brasa sua longinqu´amada
 

Na cama de hotel, sonha enterrando sonhos

Mbunda ya kitadi

negócio de hoje

mbolo ya kizwa

Kufwa kidi!


É na cama de hotel


Luena, 28.09.2012

Monday, October 01, 2012

DESESPERO


Noite cálida e de esperança

Silêncio e só silêncio reina

Cá dentro dançam lobos

E sobre a banca é a luz dorminhoca que tilinta

É madrugada

 
Envergonhadas voam cegonhas

Enquanto lobos trespassam corações

No horizonte, raios apressados anunciam mais um dia sem dono

Revezam-se os sóis

Outro dia sem Esperança

 

Saturday, September 01, 2012

Mwana Pwo

Na grandeza do teu corpo
desnudado
Inspiro meu eu
esquelético
Pra te dizer
amor

Wednesday, August 01, 2012

DOR INGENTE

Doi saber que sou teu irmão,
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro  insistimos

Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos

Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!

Monday, July 09, 2012

REGRESSO ANUNCIADO

Eu Parto

Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza  de que volto, mãe!

Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida

Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários

Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou  pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão

Eu Volto

Tuesday, June 12, 2012

Tempo de nakas

É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma

Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)

Thursday, May 24, 2012

CAMPO DE VENTO

Vinde e cultivai
Que é próprio o momento!

Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo

Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!

21.07.2004

Monday, April 02, 2012

KIFUFUTILA

Meu regaço é quente
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor

Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento

Sou a  amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!

Friday, March 02, 2012

ÊXODO

Ontem na sanzala
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas

Thursday, February 02, 2012

MARCHANDO

Sem cor, nem riqueza
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste

Canções alegres
Coros afinados
Um poema

Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação

Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação

Monday, January 02, 2012

PAIXÃO ADULTA

Passeio,
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro

Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso

E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite

Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?

Monday, December 12, 2011

DRAMA

Cinta sobre a cintura
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria o devir

Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro

Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito:
- ai tio, me dá só cinquenta!

Friday, December 09, 2011

AIS!

Homens mandados na guerra
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996

Tuesday, November 01, 2011

BURACO NEGRO

Entre terra e mar
Um tufão se forma dentro de mim
Buummm!
Pedaços meus espalhando essa dor inócua

Fustigai-vos óh ventos
Maltratai-vos óh águas
Façam-se remoinhos
Mas deixai-me espraiar-me neste sepulcro

Arrancai vossos corações impiedosos
Tocai vossas ngomas de ódio
Encham-se cabaças de fel
Mas deixa-me aqui escalando este cume

Sunday, October 09, 2011

CHORO INÚTIL DE MULHER

Por que choras mãe
Se dos que ontem partiram não há noticias de regresso?
Por que choras mulher
Se tuas lágrima de ontem ainda corre na savana
Por que lamentas velha Ngonga
Se de teus netos restam sacrifícios apenas
O meu irmão partiu
Não sei p´ra onde
À força
Acorrentado
Pontapeado seguiu para a guerra
O primo também partiu
Maltratado
Abandonou a escola
Qual ladrão para o carro jogado
É sargento agora
O sol passa
De lua em lua
Naquela trincheira do sul
Naquela cela do norte
Naquela mata do nordeste
Só trevas
Só trevas os rodeiam

Friday, September 09, 2011

MINH´ANGOLA

Tórrida e sofrida
Minha pátria
Dorida, martirizada
Minha terra
Amargurada e atormentada
Sem descanso
Sem paz
Sem água
Pão, alguém viu?
Sem puro oxigénio
Roubado de árvores estropiadas
Quem contou?
As bombas que matam homens
Os rios feitos de lágrimas
As bocas sedentas de tudo
Até quando?
O brotar de novas acácias
O rasgar do luto destes tempos
O sorrir despreocupado das crianças …

Saturday, August 06, 2011

AQUI ATÉ MORRER

Plantado na solidão e castigado sem apelo
Eis-me aqui neste canto
Olhando teu rasto passar
Sem palavras, nem presentes bonitos p´ra te dar.

Na rota contínua do sol
Quedando-se no azul do mar
Sempre aqui nesta cama, sonhando acordado
Vivendo a custa do sofrer e cantando versos ao léu!

Saturday, July 09, 2011

ÂNSIA DE AMAR

No teu colo frágil de mulher
Com quentura de ovelha
Minh´alma quer descanso
Em teus braços de trepadeira
Se estendendo da terra ao céu
Empurrando pr´o voo meu eu
Em tua boca mulheril
Louca e carnuda do beijo refractário
Pecaminosa como a maçã setembrina
Minha língua anseia habitar
E sentir o agridoce do teu beijo
Perdido nos olhares que se dispersam
No teu colo juvenil,
Frio no verão e quente no inverno
Minha mente quer repouso
E desfazer-se da virgindade
Que a timidez instalou em mim
É hora!

Thursday, June 09, 2011

CHEGA DE JURAS

Procurei-te
Teu cheiro nas pétalas não mais encontrei
Secou a flor
Com ela Sumiste como o vapor que se dilui no espaço
Assim era tão efémero teu amor
Mil vezes cantado ao ouvido surdo
Quantas juras prometidas?

Tuesday, May 31, 2011

MILDE HUMILDE MULHER

MILDE HUMILDE MULHER


É ela
Milde mulata monaputo
de pai fugido na corrida dos cravos
virando kitata afamada no Sueiro
Amigada com preTuga fubeiro


Viveu
ensinado arte antiga de xaxatagem
a kamabwins, meninos da kabunga



É ela, agora
Meiga humilde mulher
cantando velhos “nga dibeka kwá Jezú”
ou cosendo batas do caçula monandengwe
rasgadas no liceu empedrado

É ainda ela
varrenddo ruas da maratona emporcalhada,
assobiando tat´êtu kudyulo!

É minha sogra agora
de panos riscados
kassumbulados do estranja Kamará
e vendidos pelo muzangala da kangonha


É sempre a mesma
cuidando monandegwes trazidos
anos sim, anos sempre
pelos monas deseducados nos xaxatanços da mocidade
                          parte-bracista do tempo de kaprandanda

Conta agora
curvas e contra-curvas das apanha moedas
                                              de Cinco Réis!

E, de kaxexe, ganha juízo…

Thursday, April 07, 2011

SANGUE NA BICA D'ÁGUA

Sangue
salpicando sobre pedras
paridas num tempo esquecido
duras, ressequidas
carentes duma bica d'água

Sangue
entre corpos andrajosos
em viagem sem fim
num pobre atalho
abraçando orgasmos férteis

Sangue
entre gente humilde
regressada da saudade morta
noutra terra de peregrinação obrigatória

É natal
e jorra sangue na Bica d'água!

Monday, March 21, 2011

VENDAVAL

Escuso-me olhar aos ventos
que luzes carregam
derrubando grilhões

Tão pouco respiro silêncios heurísticos
impostos p'lo tormento do chicote
que amansa massas carentes

Recuso-me viver vida-prisão
asfixiada e suplicante
Carregai-me por isso oh ventos do norte!

Saturday, February 19, 2011

PARTIU A MÃE GRANDE*

Choremo-la com arte
Com a ngoma e dikanza
Lá nos altos Céus,
Onde Deus lhe reservou o merecido lugar,
Com certeza,
Gostará das obras boas de filhos e amigos
Choremo-la com prosa e poesia...
Com pintura e escultura
Choremo-la com realidades e ficções,

Choremo-la de verdade!


* Homenagem à doan Luzia mãe do meu grande Kota Caetano

Sunday, January 02, 2011

PULMÃO CARENTE

Quando o sol do amor bater tua porta
Aqui estarei
Sorvendo a saudade do teu aroma
Refugiado na imaginação dum dia sem história

Quando a porta do teu coração se abrir
Aqui estarei
Para teus olhos meu sorriso colorir
Na imensidão desta floresta sem fim

Quando o sol do amor em ti raiar
Aqui estarei
Mostrando a flor nascente aos ares norte-leste
Que enchem este pulmão carente!

Thursday, December 30, 2010

ÚLTIMO DESEJO

Hermes,
Meu amor,
Estou coberto de vermes
Nem que estajas morta
Cumpre meu desejo
Aproveito última oportunidade
Pousando-te na morgue
Fornecendo-te meu amor
Só para conter nossa dor

Monday, November 22, 2010

CORRIDA

Trepei montanhas ao encontro do sol
apenas o mar encontrei brotando sal
jovem, girei o mundo como girassol
adulto, voltei vestindo sisal
Chega de corrida!
Renuncio à partida

Saturday, October 16, 2010

PRETA PRETINHA

Preta
Pretinha cor de nuvens
carregadas de chuvas fartas
mira-me este teu olhar esbugalhado

Preta
Baixinha de pernas galopes
fugidias na preguiça do tempo
acolha-me no teu abraço fogoso

Preta
Gostozinha como jinguenga
trazida do longinquo nordeste
beija-me com os teus lábios carnudos

Preta
Esguia como a obreira abelha
lavrando flores de Outubro
enche-me de teu mel

Preta
Espertinha na quilometragem da idade
escondida no azul do sorriso
empresta-me tua mocidade

Friday, September 24, 2010

EU E O OCULTO

Há vezes
em que não são os pássaros quem chilreiam
mas as árvores

Há vezes
em que não é o vento quem zurze
mas o ar

Há vezes
em que não é o corpo quem fala
mas a alma

Há vezes
em que não é o poeta quem declama
mas o guerrilheiro

Há vezes
em que não sou eu quem age
mas o oculto

Há vezes
...

Luciano Canhnaga, UCP/Maio 2005.

Monday, August 30, 2010

QUANDO O CÉREBRO E O CORAÇÃO SE CASAM

A alegria e a tristeza se abraçam

É total a angústia

Do pensar e não dizer

Ideias que apodrecem na boca

Altivando a mudez

E não mora distante a surdez

Correr e em simultâneo parar

Amar e compreender

Rir e ao mesmo tempo chorar

Friday, July 09, 2010

ÚLTIMO ADEUS

Motivos para desconfiar

Vezes te dei

Razão para de vez partir

Não ma deste o suficiente

Procurei pelo arrependimento

Motivos também me negaste

Desmerecemos único caminho

Seguirei minha rota

De costas viradas ao teu percurso

Tuesday, June 29, 2010

PEDRA, CAL E TINTA

Fiz (emos) a nossa parte
Melhoramos o que insatisfazia
E lutamos para manter o desejável
Ganhamos soldo e conhecimentos
Lançamos betão, pedra e cal
E fizemos crescer o edifício
Patrão e empregado
Em satisfação empatados
Amigos fizemos
Lágrimas verteram
No fim o abraço
E a satisfação do dever cumprido

Sunday, April 25, 2010

A ÚLTIMA FORÇA*

Procurou inspiração

Encontrou-a efémera
A vítima nem percebeu
De amores quase morreu
A tempo porém, se restabeleceu
Vítima e predador
Numa entrega enganosa

Vítima, quê isso?
Se na entrega muito aprendeu...

Xê mulher!

O grito de alerta a despertou
Libertada das masmorras disse:
_ Não à incultura!

* Réplica de autora conhecida

Thursday, March 25, 2010

ILUSÃO

Tão logo voou
Cedo abortou
Não era aquele o seu percurso
Apenas tentou
E sem saber cativou
Sua última vítima inocente
Ele também o era
Vítima duma vida mal programada
E a vida retomou o seu curso
Tal rio
Ferida abaixo
Mágoas duma experiência amputada
Mas prazeirosa
Choro numa noite que seduz
Avança
Mesmo sem luz...

Friday, February 12, 2010

ZUCA

Acorda-me deste sono moribundo
e leva-me neste barco que se afunda
Na viagem da bunda
Revejo  meu direito de viver
e dispo-me de roupas vagabundas
rasgadas no teu regaço de prazer
Nosso amor é marear!

Tuesday, January 12, 2010

ÁGUA DO KWANZA

Tão calmas a jusante
Quanto agitadas a montante
Límpidas ao olhar distante
Tão belas e refrescantes
Como o amor que sacio no esguiar
da plástica pelo tempo forjada
Qual secular leito do Kwanza
Que se perde no farfalhar de cada gota que passa!

Monday, December 28, 2009

(IN)VERSUS

Correu meses a alegria
De repente parou o relógio
Siameses vieram da mulher
(In)fortúnio inundou o alvorecer
Na casa da borda amanheci
(Des)convidado para a festa me dirigi
Pois etiquetas há muito perdi...

Tuesday, December 08, 2009

TRILOGIAMOROSA

À chegada
Transborda alegria
Afastam-se alergias
Bem alto cantam orgias
No dia derradeiro
Despedem-se orgias
Com a bagagem se vai a alegria
Para o regresso contando-se dias
Na ausência
Grita alto a saudade
Dos afagos com prazer
Para submergir a maldade
Das coisas por fazer...

Luciano Canhanga

Monday, November 23, 2009

À HORA DA SUBIDA

(poema evocativo)
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!

Luciano Canhanga

Tuesday, November 03, 2009

CHORAÇÃO

Quase chorei
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...

Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)

Saturday, October 03, 2009

UM DIA

Quando nem forças tivermos
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!

Luciano Canhanga

Wednesday, September 09, 2009

CANÇÃO DO TEMPO

Beatriz, meu amor
procuro-te e sou infeliz
aqui é pôr do sol
já se foi o dia
brilhou o astro-mãe
a escuridão toma conta do rol
e eu com medo das trevas
sem você minha estrela-guia
canto que no canto reapareças
p'ra que depressa me aqueças...

Luciano Canhanga

Tuesday, August 11, 2009

LONGE D'ALMAR

O poiso da gaivota
pelos ares apenas
lembrando tempos negros
dum passado moribundo

A distância no austin
por terra craterada
ossos marcam vidas
queimadas no negócio longíquo

Longe d'almar
roupa passada,
mordómica prisão,
vidas contadas

Luiano Canhanga

Tuesday, July 28, 2009

DIÁRIO AMOROSO

Os homens não precisam ser
Têm de aparecer
Tal qual campos santos
Sepulcros limpos
Topos de branco pintados
Corpos mofos e pódridos
Repousam dentro
Assim a paridade conjugal
Passeios aos pares
Cerveja nos bares
Chifre nos cabarés
Lábios de sorrisos inundados
Transbordam elogios alheios
E a vida conta passos
Mais um dia passa
Lá dentro o mesmo buraco
A mesma rosna
O mesmo roncar nocturno
Até que um se vai
Destapando q’houve d’amorfo

Luciano Canhanga

Tuesday, July 07, 2009

VIAGEM

Embalado
Nos teus braços viajei
para onde
não sei
faminto
nas estradas dormi
e de graça comi
pois o dinheiro não dei
Na rusga do chimba
minha algibeira mostrei
Pena
que roupa não vestia

Luciano Canhanga

Monday, June 15, 2009

CÂNDID'AMOR

Procurei no alô do telefone a voz cândida
De oferta a exaltação de mimos queridos
Num amparo de ternura
E sufocos há muito esquecidos
Na memória a Cândida apanas
Parida de melosos amores forjados
Além terra-mar

Luciano canhanga

Monday, May 25, 2009

FRÁGIL

Cuidado!
Pega devagar ...
com ternura
Fala baixo...
mas com afecto
Decide antes
se é...
P'ra ficar
ou p'ra descartar
Se p'ra zombar
ou p'ra amar
E se amar
fá-lo...
Com responsabilidade

Luciano Canhanga
(inspirado em Cuidado de Carol Vicente: http://silenciosidade.blogspot.com)

Wednesday, April 01, 2009

MELHOR IDADE

Quero lá chegar
Quando luzes conquistar
Para olhos verem sucessos
E no curso da vida Progressos
da confusa cidade me desfarei
E por arrimos andarei
Quando tiver a melhor idade

Luciano Canhanga

Sunday, March 15, 2009

PAZ PODRE

Paz sem perdão
É tentar esquecer
Sem dar mão a torcer
É podridão!

Paz com mágoas
É apertar a mão do irmão
Pronto a derramar lágrimas
É ter arma no cinturão!

Luciano Canhanga

Sunday, March 01, 2009

FIM DA PICADA

Chega!
Cansei-me de fazer
Amor sem prazer
Pára!
Morde-me teu ventre
neste desprazer desgastante
Sinto!
Qu'o vapor da fenda
Agora me ofega

Luciano Canhanga

Monday, February 02, 2009

A MULATA QUE PERDI


Do primeiro beijo à Marta

se foi a imagem

Apenas as classe que frequentamos

e os caminhos trilhados

Na lembrança

Apenas a magreza

da esbelta mulata

Perdida

Nas estórias contadas

de metralhados contratados

a chicotes lusitanos

Queira,

refeito do trauma

em ti renasça a Marta

perdida na primária

mantendo a fragrância

e o brilho no olhar


Luciano Canhanga

Thursday, January 01, 2009

ÁGUA E SABÃO

Entre montanhas que parem trovões
Uma floresta fabrica silêncios
Relâmpagos matam chilreios
Qual música aos solfejos

No transbordo cervejeiro da festa
Répteis famintos disputam restos
Qual pardais em colheitas milheirais

Na ociosa embriagues assumem grandezas
Disputando belezas fabricadas
E a noite fervente devolve luz
Qual sonho mutilado à madrugada

Luciano Canhanga

Wednesday, December 24, 2008

NVULA

Chove
aos gotejos
Torrencialmente talvez
Algures
Não distante outra vez
Casas cedem
Gotejos que sedes matam
Chove
aos cântaros
Feliz canta
o barulhento telhado
a infelicidade do viandante molhado
E chove...

Luciano Canhanga

Sunday, December 14, 2008

UM DIA NA PELE ALHEIA

O pai solteiro é um soldado

que usa como cajado a máquina de lavar

o ferro de engomar

a linha e agulha para recoser

o amparo da galinha

para controlar

O pai solteiro é a mãe

que no cantar se desfaz dos nervos

que no caminhar se descontrai

de aborrecimentos de filhos inquietos

e infâmias de marido alcólatra

O pai solteiro é um ser

igual no género

diferente no fazer crescer

O pai solteiro é um HEROI


Luciano Canhanga

Tuesday, December 02, 2008

LEVANTAR

Resigno
antecipar-me ao Campo Santo
quando filhos reclamam direitos
proporcionados com trabalho digno
Recuso-me
aceitar que pára a vida
quando a jovialidade convida
para passos em corrida
Aceito
Sim desafios
Não importa se enormes
Se me consomem horas a fio

Luciano Canhanga

Saturday, November 15, 2008

LUZ

Se minha vida é obra
Se a obra é universal
Se o universo é humano
Se os homens se alimentam
Se o alimento é também esperança
Aqui deixo o meu pedaço de luz

Luciano Canhanga

Saturday, November 01, 2008

DESPERTAR

Nas noites não dormidas
Na complicação a comprar
(Des)querido por abortar
Penso no que há de vir
Cada vez que fazemos amor
Assim
Custaram tão caras
Minhas noites de amor
Nunca!


Luciano Canhanga

Thursday, October 02, 2008

REJUVENESCER

JHIIIH
Sussurrava excitante tua voz
Ao meu ouvido colado
ESGUIA
Viram-te meus olhos atentos
Naquele encontro à prima-vista
BUM
Cantas hoje à distância
Da saudade moribunda
GIGA
Vêem-te hoje meus olhos
Cegos de gordura importada!

Luciano Canhanga

Thursday, September 25, 2008

CAMINHAR

Entre inúmeros acertos
incontáveis desacertos também
Vida pára!

Entre trabalhos e barulhos
No meio atrapalhos
Pára a vida?

Entre apuros e reflexos
Paragens e silêncios também
A vida não pára!

Entre grosseiros e levianas
Silêncios vociferam êbrios
A vida passeia à frente!

Luciano Canhanga

Sunday, September 14, 2008

CANTO AO CARNAVAL


1
Nossos sonhos
nossas gentes
nossas vidas
sempre adiadas para depois
e o amanhã que é sempre amanhã

Com Angola em paz
nossos filhos querem ver
a sombra eterna dessa árvore
que está crescer
e os frutos lindos dessa flor
a desabrochar
Viva o carnaval

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

2
Na marginal toda a vénia
é só para nós (nome do grupo)
da Ingombota, Cazenga e Rangel
Todo povo Xtá aqui
P'rá aplaudir (nome do grupo)
Dessa vez nosso grupo é melhor
e quem aposta perderá

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

Luciano Canhanga

Tuesday, August 19, 2008

NOVAMENTE

Na hora de partida
A saudade dos que vão
Dos que ficam e
dos que nunca partem

O sabor à madrugada
dos últimos beijos roubados
e os olhares da cunhada
sempre preguiçosos

Na hora de partida
É assim
Ninguém entardece
mesmo engolindo noites


Luciano Canhanga

Thursday, July 10, 2008

"QUANDO VOLTAR"*

Rico de Amor...
Para dar, aos que amo
Febre de aprender...
Com quem sabe!
Pobre de dor...
Já aqui não mora,
a saudade...
que por ti,
um dia senti...


São Sabuguero (em comentário ao poema Regresso)

* Título meu: Canhanga