In: Amor sem Pudor
Sunday, December 01, 2013
SANTA LUZIA
In: Amor sem Pudor
Friday, November 01, 2013
CALDO DE AMOR
Outro fazendo pedaços
Ela um poço de sede
Eu um rio sem mar
Um dia, nossos corpos involuntariamente se tocaram
Chamas há muito ocultas acenderam
Eu procurando mar para desaguar
Ela procurando água para sede saciar
Minh’água transformada em lago
Eu, um leão faminto
Ela, vitelo perdido
Como chave na fechadura, tomarmos um caldo!
Tuesday, October 01, 2013
TREPADA DE GALO
No arbusto trepa o galo!
Wednesday, September 18, 2013
A TRIPLA DIMENSÃO DO(s) 10ENCANTOS DE SOBERANO CANHANGA
NOTA PRÉVIA DO AUTOR
O meu Sonho começado nos anos 90 e retomado com mais vigor com a abertura desta página vê-se realizado com a publicação do livro que traz o mesmo título deste Blog. Vamos caminhar, buscando agora atingir a forma e perfeição inatingidos no primeiro poemário. Siga-nos atento como o faz Nguimba Ngola.
A dimensão social dos poemas do Soberano Canhanga, reveste-se de textos, alguns dramáticos, porém apontado esperanças, “e sonhos de liberdade”. Sinto isso no poema “Êxodo” (pg 29). Quem não constata hoje, o drama nas vidas de muitos que “ontem/ na sanzala/ gente farta gritando/ canções alegres, intrépidas!”? E “Hoje/ na cidade/ gente magra/ esfarrapada/ entoa baladas tristes”… Profunda para todos, pois o contrário seria como diz o sujeito lírico do Soberano Canhanga apenas “paz podre” (pg 61), “paz sem perdão/ é tentar esquecer/ sem dar o braço a torcer/ não é paz, é podridão”. Eis então que no que depender de todos nós, devemos buscar sempre a paz.
Sunday, September 01, 2013
FAIXA DE GAJA
Entre montanhas e a saia
Apenas savana e secura
Um túnel já sem distância
Ajuda quem por lá relaxa
Mais abaixo, a terra da promessa
Onde morre quem paus arremessa
Na vasta savana de relva escassa
Um bebedouro sedes aguça
Faixa da gaja
Entre montes gémeos e terra prometida
Caminho abaixo, a cova do umbigo
É entre saia e blusa!
In: "Amor sem Pudor"
Monday, August 05, 2013
AMOR A ZIGUE-ZAGUE
Thursday, July 04, 2013
FUKA YAMI (TERRA-MÃE)
Monday, June 10, 2013
EU TENHO UM SONHO

> Que Saurimo será um centro de intelectualidade
> Que será uma candeia que irradiará sua luz a toda Angola
> Eu tenho um sonho
> Que as crianças que hoje assistem, sem opção, novelas brasileiras e
> mexicanas
> Distribuídas sem controlo, nem medição
> Venham a ser as mais cultas desta urbe
> Irradiando conhecimento à província e ao país
> Eu tenho um sonho
> Que desta pequena experiencia,
> O Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura
> Nasça a árvore que alimentará a província e o país de luz e sabedoria.
> Eu tenho um sonho
> Que nunca mais a ignorância fará parte de nossas vivências
> Que a ciência e a razão serão nossas armas
> E nunca mais a razão da força e do ocultismo.
> Eu tenho um sonho...
> (Inspirado no "I have a dream" de M. Luther King Jr.)
Saturday, June 01, 2013
É HORA
Wednesday, May 01, 2013
RESILIÊNCIA
Apesar de caule brando,
A árvore não resvalou
Apenas folhas se soltaram e
Ramos levados pelo vento
Permaneceu hirto o tronco
Enraizado no solo másculo
Não foi desta vez!
Monday, April 01, 2013
BRIGADISTA
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão
Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?
Discursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?
Voam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?
Monday, March 11, 2013
ALMA SANGRENTA
Um tufão de dor varre meu corpo estropiado
Enqanto lavas de sangue atravessam minha alma mutilada
O corpo estropiado sara
Porém, minh' alma mutilada sangra sem cor, sem valor
Da vida a terminar
Como artista sem delfim
Neste sepulcro em que me encontro
Me convidas para de novo sorrir
Como nos dias em que teu calor senti
Mas já cá não mora o alento
Mas minh´alma em lavas se despede
É outro o mundo que me percebe?
Já cá não mora quem sente
Só alma farrapo
Thursday, February 14, 2013
DEPOIS DO AMOR O AMOR
Friday, February 01, 2013
SOMBRA DE REALEZA
(À Rosa, enfermeira do HMP)
Pasmo
Rodeia almas estropiadas
Encurraladas por vontades seculares
Há uma sombra de realeza que espanta!
No rasgo da noite
Apenas silêncios recticentes
Enchendo corações de amores abstratos
É a tua sombra que encanta!
No além da curva sanitária
Morre o sêmen preguiçoso
Esvaziando o imaginário doentio
Apenas Rosa!
Luanda, 11.08.2000
Tuesday, January 01, 2013
AO HOMEM
- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar
Um destes é meu!
25.02.2004
Saturday, December 01, 2012
AMAR É
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?
O nosso amor é a importância que nos atribuímos!
05.02.2004
Thursday, November 01, 2012
NA CAMA DE HOTEL
Sugando tetas moribundas duma kitata kuribeka
No leito da morte
Xaxatando nádegas flácidas do álcool barrigudo
Trágic´aventura dum incauto viajante
prostrado no prazer momentâneo
Na cama de hotel
Desfaz vida, assando castanhas em kifufutila mortuário
deixando na brasa sua longinqu´amada
Na cama de hotel, sonha enterrando sonhos
Mbunda ya kitadi
negócio de hoje
mbolo ya kizwa
Kufwa kidi!
É na cama de hotel
Luena, 28.09.2012
Monday, October 01, 2012
DESESPERO
Saturday, September 01, 2012
Wednesday, August 01, 2012
DOR INGENTE
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro insistimos
Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos
Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!
Monday, July 09, 2012
REGRESSO ANUNCIADO
Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza de que volto, mãe!
Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida
Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários
Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão
Eu Volto
Tuesday, June 12, 2012
Tempo de nakas
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma
Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)
Thursday, May 24, 2012
CAMPO DE VENTO
Que é próprio o momento!
Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo
Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!
21.07.2004
Monday, April 02, 2012
KIFUFUTILA
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor
Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento
Sou a amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!
Friday, March 02, 2012
ÊXODO
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas
Thursday, February 02, 2012
MARCHANDO
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste
Canções alegres
Coros afinados
Um poema
Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação
Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação
Monday, January 02, 2012
PAIXÃO ADULTA
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro
Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso
E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite
Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?
Monday, December 12, 2011
DRAMA
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria o devir
Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro
Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito:
- ai tio, me dá só cinquenta!
Friday, December 09, 2011
AIS!
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996
Tuesday, November 01, 2011
BURACO NEGRO
Um tufão se forma dentro de mim
Buummm!
Pedaços meus espalhando essa dor inócua
Fustigai-vos óh ventos
Maltratai-vos óh águas
Façam-se remoinhos
Mas deixai-me espraiar-me neste sepulcro
Arrancai vossos corações impiedosos
Tocai vossas ngomas de ódio
Encham-se cabaças de fel
Mas deixa-me aqui escalando este cume
Sunday, October 09, 2011
CHORO INÚTIL DE MULHER
Se dos que ontem partiram não há noticias de regresso?
Por que choras mulher
Se tuas lágrima de ontem ainda corre na savana
Por que lamentas velha Ngonga
Se de teus netos restam sacrifícios apenas
O meu irmão partiu
Não sei p´ra onde
À força
Acorrentado
Pontapeado seguiu para a guerra
O primo também partiu
Maltratado
Abandonou a escola
Qual ladrão para o carro jogado
É sargento agora
O sol passa
De lua em lua
Naquela trincheira do sul
Naquela cela do norte
Naquela mata do nordeste
Só trevas
Só trevas os rodeiam
Friday, September 09, 2011
MINH´ANGOLA
Minha pátria
Dorida, martirizada
Minha terra
Amargurada e atormentada
Sem descanso
Sem paz
Sem água
Pão, alguém viu?
Sem puro oxigénio
Roubado de árvores estropiadas
Quem contou?
As bombas que matam homens
Os rios feitos de lágrimas
As bocas sedentas de tudo
Até quando?
O brotar de novas acácias
O rasgar do luto destes tempos
O sorrir despreocupado das crianças …
Saturday, August 06, 2011
AQUI ATÉ MORRER
Eis-me aqui neste canto
Olhando teu rasto passar
Sem palavras, nem presentes bonitos p´ra te dar.
Na rota contínua do sol
Quedando-se no azul do mar
Sempre aqui nesta cama, sonhando acordado
Vivendo a custa do sofrer e cantando versos ao léu!
Saturday, July 09, 2011
ÂNSIA DE AMAR
Com quentura de ovelha
Minh´alma quer descanso
Em teus braços de trepadeira
Se estendendo da terra ao céu
Empurrando pr´o voo meu eu
Em tua boca mulheril
Louca e carnuda do beijo refractário
Pecaminosa como a maçã setembrina
Minha língua anseia habitar
E sentir o agridoce do teu beijo
Perdido nos olhares que se dispersam
No teu colo juvenil,
Frio no verão e quente no inverno
Minha mente quer repouso
E desfazer-se da virgindade
Que a timidez instalou em mim
É hora!
Thursday, June 09, 2011
CHEGA DE JURAS
Teu cheiro nas pétalas não mais encontrei
Secou a flor
Com ela Sumiste como o vapor que se dilui no espaço
Assim era tão efémero teu amor
Mil vezes cantado ao ouvido surdo
Quantas juras prometidas?
Tuesday, May 31, 2011
MILDE HUMILDE MULHER
É ela
Milde mulata monaputo
de pai fugido na corrida dos cravos
virando kitata afamada no Sueiro
Amigada com preTuga fubeiro
Viveu
ensinado arte antiga de xaxatagem
a kamabwins, meninos da kabunga
É ela, agora
Meiga humilde mulher
cantando velhos “nga dibeka kwá Jezú”
ou cosendo batas do caçula monandengwe
rasgadas no liceu empedrado
É ainda ela
varrenddo ruas da maratona emporcalhada,
assobiando tat´êtu kudyulo!
É minha sogra agora
de panos riscados
kassumbulados do estranja Kamará
e vendidos pelo muzangala da kangonha
É sempre a mesma
cuidando monandegwes trazidos
anos sim, anos sempre
pelos monas deseducados nos xaxatanços da mocidade
parte-bracista do tempo de kaprandanda
Conta agora
curvas e contra-curvas das apanha moedas
de Cinco Réis!
E, de kaxexe, ganha juízo…
Thursday, April 07, 2011
SANGUE NA BICA D'ÁGUA
salpicando sobre pedras
paridas num tempo esquecido
duras, ressequidas
carentes duma bica d'água
Sangue
entre corpos andrajosos
em viagem sem fim
num pobre atalho
abraçando orgasmos férteis
Sangue
entre gente humilde
regressada da saudade morta
noutra terra de peregrinação obrigatória
É natal
e jorra sangue na Bica d'água!
Monday, March 21, 2011
VENDAVAL
que luzes carregam
derrubando grilhões
Tão pouco respiro silêncios heurísticos
impostos p'lo tormento do chicote
que amansa massas carentes
Recuso-me viver vida-prisão
asfixiada e suplicante
Carregai-me por isso oh ventos do norte!
Saturday, February 19, 2011
PARTIU A MÃE GRANDE*
Com a ngoma e dikanza
Lá nos altos Céus,
Onde Deus lhe reservou o merecido lugar,
Com certeza,
Gostará das obras boas de filhos e amigos
Choremo-la com prosa e poesia...
Com pintura e escultura
Choremo-la com realidades e ficções,
Choremo-la de verdade!
* Homenagem à doan Luzia mãe do meu grande Kota Caetano
Sunday, January 02, 2011
PULMÃO CARENTE
Aqui estarei
Sorvendo a saudade do teu aroma
Refugiado na imaginação dum dia sem história
Quando a porta do teu coração se abrir
Aqui estarei
Para teus olhos meu sorriso colorir
Na imensidão desta floresta sem fim
Quando o sol do amor em ti raiar
Aqui estarei
Mostrando a flor nascente aos ares norte-leste
Que enchem este pulmão carente!
Thursday, December 30, 2010
ÚLTIMO DESEJO
Meu amor,
Estou coberto de vermes
Nem que estajas morta
Cumpre meu desejo
Aproveito última oportunidade
Pousando-te na morgue
Fornecendo-te meu amor
Só para conter nossa dor
Monday, November 22, 2010
CORRIDA
apenas o mar encontrei brotando sal
jovem, girei o mundo como girassol
adulto, voltei vestindo sisal
Chega de corrida!
Renuncio à partida
Saturday, October 16, 2010
PRETA PRETINHA
Pretinha cor de nuvens
carregadas de chuvas fartas
mira-me este teu olhar esbugalhado
Preta
Baixinha de pernas galopes
fugidias na preguiça do tempo
acolha-me no teu abraço fogoso
Preta
Gostozinha como jinguenga
trazida do longinquo nordeste
beija-me com os teus lábios carnudos
Preta
Esguia como a obreira abelha
lavrando flores de Outubro
enche-me de teu mel
Preta
Espertinha na quilometragem da idade
escondida no azul do sorriso
empresta-me tua mocidade
Friday, September 24, 2010
EU E O OCULTO
em que não são os pássaros quem chilreiam
mas as árvores
Há vezes
em que não é o vento quem zurze
mas o ar
Há vezes
em que não é o corpo quem fala
mas a alma
Há vezes
em que não é o poeta quem declama
mas o guerrilheiro
Há vezes
em que não sou eu quem age
mas o oculto
Há vezes
...
Luciano Canhnaga, UCP/Maio 2005.
Monday, August 30, 2010
QUANDO O CÉREBRO E O CORAÇÃO SE CASAM
É total a angústia
Do pensar e não dizer
Ideias que apodrecem na boca
Altivando a mudez
E não mora distante a surdez
Correr e em simultâneo parar
Amar e compreender
Rir e ao mesmo tempo chorar
Friday, July 09, 2010
ÚLTIMO ADEUS
Vezes te dei
Razão para de vez partir
Não ma deste o suficiente
Procurei pelo arrependimento
Motivos também me negaste
Desmerecemos único caminho
Seguirei minha rota
De costas viradas ao teu percurso
Tuesday, June 29, 2010
PEDRA, CAL E TINTA
Melhoramos o que insatisfazia
E lutamos para manter o desejável
Ganhamos soldo e conhecimentos
Lançamos betão, pedra e cal
E fizemos crescer o edifício
Patrão e empregado
Em satisfação empatados
Amigos fizemos
Lágrimas verteram
No fim o abraço
E a satisfação do dever cumprido
Sunday, April 25, 2010
A ÚLTIMA FORÇA*
Encontrou-a efémera
A vítima nem percebeu
De amores quase morreu
A tempo porém, se restabeleceu
Vítima e predador
Numa entrega enganosa
Vítima, quê isso?
Se na entrega muito aprendeu...
Xê mulher!
O grito de alerta a despertou
Libertada das masmorras disse:
_ Não à incultura!
* Réplica de autora conhecida
Thursday, March 25, 2010
ILUSÃO
Cedo abortou
Não era aquele o seu percurso
Apenas tentou
E sem saber cativou
Sua última vítima inocente
Ele também o era
Vítima duma vida mal programada
E a vida retomou o seu curso
Tal rio
Ferida abaixo
Mágoas duma experiência amputada
Mas prazeirosa
Choro numa noite que seduz
Avança
Mesmo sem luz...
Friday, February 12, 2010
ZUCA
e leva-me neste barco que se afunda
Na viagem da bunda
Revejo meu direito de viver
e dispo-me de roupas vagabundas
rasgadas no teu regaço de prazer
Nosso amor é marear!
Tuesday, January 12, 2010
ÁGUA DO KWANZA
Quanto agitadas a montante
Límpidas ao olhar distante
Tão belas e refrescantes
Como o amor que sacio no esguiar
da plástica pelo tempo forjada
Qual secular leito do Kwanza
Que se perde no farfalhar de cada gota que passa!
Monday, December 28, 2009
(IN)VERSUS
De repente parou o relógio
Siameses vieram da mulher
(In)fortúnio inundou o alvorecer
Na casa da borda amanheci
(Des)convidado para a festa me dirigi
Pois etiquetas há muito perdi...
Tuesday, December 08, 2009
TRILOGIAMOROSA
Transborda alegria
Afastam-se alergias
Bem alto cantam orgias
No dia derradeiro
Despedem-se orgias
Com a bagagem se vai a alegria
Para o regresso contando-se dias
Na ausência
Grita alto a saudade
Dos afagos com prazer
Para submergir a maldade
Das coisas por fazer...
Luciano Canhanga
Monday, November 23, 2009
À HORA DA SUBIDA
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!
Luciano Canhanga
Tuesday, November 03, 2009
CHORAÇÃO
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...
Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)
Saturday, October 03, 2009
UM DIA
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!
Luciano Canhanga
Wednesday, September 09, 2009
CANÇÃO DO TEMPO
procuro-te e sou infeliz
aqui é pôr do sol
já se foi o dia
brilhou o astro-mãe
a escuridão toma conta do rol
e eu com medo das trevas
sem você minha estrela-guia
canto que no canto reapareças
p'ra que depressa me aqueças...
Luciano Canhanga
Tuesday, August 11, 2009
LONGE D'ALMAR
pelos ares apenas
lembrando tempos negros
dum passado moribundo
A distância no austin
por terra craterada
ossos marcam vidas
queimadas no negócio longíquo
Longe d'almar
roupa passada,
mordómica prisão,
vidas contadas
Luiano Canhanga
Tuesday, July 28, 2009
DIÁRIO AMOROSO
Têm de aparecer
Tal qual campos santos
Sepulcros limpos
Topos de branco pintados
Corpos mofos e pódridos
Repousam dentro
Assim a paridade conjugal
Passeios aos pares
Cerveja nos bares
Chifre nos cabarés
Lábios de sorrisos inundados
Transbordam elogios alheios
E a vida conta passos
Mais um dia passa
Lá dentro o mesmo buraco
A mesma rosna
O mesmo roncar nocturno
Até que um se vai
Destapando q’houve d’amorfo
Luciano Canhanga
Tuesday, July 07, 2009
VIAGEM
Nos teus braços viajei
para onde
não sei
faminto
nas estradas dormi
e de graça comi
pois o dinheiro não dei
Na rusga do chimba
minha algibeira mostrei
Pena
que roupa não vestia
Luciano Canhanga
Monday, June 15, 2009
CÂNDID'AMOR
De oferta a exaltação de mimos queridos
Num amparo de ternura
E sufocos há muito esquecidos
Na memória a Cândida apanas
Parida de melosos amores forjados
Além terra-mar
Luciano canhanga
Monday, May 25, 2009
FRÁGIL
Pega devagar ...
com ternura
Fala baixo...
mas com afecto
Decide antes
se é...
P'ra ficar
ou p'ra descartar
Se p'ra zombar
ou p'ra amar
E se amar
fá-lo...
Com responsabilidade
Luciano Canhanga
(inspirado em Cuidado de Carol Vicente: http://silenciosidade.blogspot.com)
Wednesday, April 01, 2009
MELHOR IDADE
Quando luzes conquistar
Para olhos verem sucessos
E no curso da vida Progressos
da confusa cidade me desfarei
E por arrimos andarei
Quando tiver a melhor idade
Luciano Canhanga
Sunday, March 15, 2009
PAZ PODRE
É tentar esquecer
Sem dar mão a torcer
É podridão!
Paz com mágoas
É apertar a mão do irmão
Pronto a derramar lágrimas
É ter arma no cinturão!
Luciano Canhanga
Sunday, March 01, 2009
FIM DA PICADA
Cansei-me de fazer
Amor sem prazer
Pára!
Morde-me teu ventre
neste desprazer desgastante
Sinto!
Qu'o vapor da fenda
Agora me ofega
Luciano Canhanga
Monday, February 02, 2009
A MULATA QUE PERDI
Do primeiro beijo à Marta
se foi a imagem
Apenas as classe que frequentamos
e os caminhos trilhados
Na lembrança
Apenas a magreza
da esbelta mulata
Perdida
Nas estórias contadas
de metralhados contratados
a chicotes lusitanos
Queira,
refeito do trauma
em ti renasça a Marta
perdida na primária
mantendo a fragrância
e o brilho no olhar
Luciano Canhanga
Thursday, January 01, 2009
ÁGUA E SABÃO
Uma floresta fabrica silêncios
Relâmpagos matam chilreios
Qual música aos solfejos
No transbordo cervejeiro da festa
Répteis famintos disputam restos
Qual pardais em colheitas milheirais
Na ociosa embriagues assumem grandezas
Disputando belezas fabricadas
E a noite fervente devolve luz
Qual sonho mutilado à madrugada
Luciano Canhanga
Wednesday, December 24, 2008
NVULA
aos gotejos
Torrencialmente talvez
Algures
Não distante outra vez
Casas cedem
Gotejos que sedes matam
Chove
aos cântaros
Feliz canta
o barulhento telhado
a infelicidade do viandante molhado
E chove...
Luciano Canhanga
Sunday, December 14, 2008
UM DIA NA PELE ALHEIA
O pai solteiro é um soldado
que usa como cajado a máquina de lavar
o ferro de engomar
a linha e agulha para recoser
o amparo da galinha
para controlar
O pai solteiro é a mãe
que no cantar se desfaz dos nervos
que no caminhar se descontrai
de aborrecimentos de filhos inquietos
e infâmias de marido alcólatra
O pai solteiro é um ser
igual no género
diferente no fazer crescer
O pai solteiro é um HEROI
Luciano Canhanga
Tuesday, December 02, 2008
LEVANTAR
antecipar-me ao Campo Santo
quando filhos reclamam direitos
proporcionados com trabalho digno
Recuso-me
aceitar que pára a vida
quando a jovialidade convida
para passos em corrida
Aceito
Sim desafios
Não importa se enormes
Se me consomem horas a fio
Luciano Canhanga
Saturday, November 15, 2008
LUZ
Se a obra é universal
Se o universo é humano
Se os homens se alimentam
Se o alimento é também esperança
Aqui deixo o meu pedaço de luz
Luciano Canhanga
Saturday, November 01, 2008
DESPERTAR
Na complicação a comprar
(Des)querido por abortar
Penso no que há de vir
Cada vez que fazemos amor
Assim
Custaram tão caras
Minhas noites de amor
Nunca!
Luciano Canhanga
Thursday, October 02, 2008
REJUVENESCER
Sussurrava excitante tua voz
Ao meu ouvido colado
ESGUIA
Viram-te meus olhos atentos
Naquele encontro à prima-vista
BUM
Cantas hoje à distância
Da saudade moribunda
GIGA
Vêem-te hoje meus olhos
Cegos de gordura importada!
Luciano Canhanga
Thursday, September 25, 2008
CAMINHAR
incontáveis desacertos também
Vida pára!
Entre trabalhos e barulhos
No meio atrapalhos
Pára a vida?
Entre apuros e reflexos
Paragens e silêncios também
A vida não pára!
Entre grosseiros e levianas
Silêncios vociferam êbrios
A vida passeia à frente!
Luciano Canhanga
Sunday, September 14, 2008
CANTO AO CARNAVAL

1
Nossos sonhos
nossas gentes
nossas vidas
sempre adiadas para depois
e o amanhã que é sempre amanhã
Com Angola em paz
nossos filhos querem ver
a sombra eterna dessa árvore
que está crescer
e os frutos lindos dessa flor
a desabrochar
Viva o carnaval
CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular
2
Na marginal toda a vénia
é só para nós (nome do grupo)
da Ingombota, Cazenga e Rangel
Todo povo Xtá aqui
P'rá aplaudir (nome do grupo)
Dessa vez nosso grupo é melhor
e quem aposta perderá
CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular
Luciano Canhanga
Tuesday, August 19, 2008
NOVAMENTE
A saudade dos que vão
Dos que ficam e
dos que nunca partem
O sabor à madrugada
dos últimos beijos roubados
e os olhares da cunhada
sempre preguiçosos
Na hora de partida
É assim
Ninguém entardece
mesmo engolindo noites
Luciano Canhanga
Thursday, July 10, 2008
"QUANDO VOLTAR"*
Para dar, aos que amo
Febre de aprender...
Com quem sabe!
Pobre de dor...
Já aqui não mora,
a saudade...
que por ti,
um dia senti...
São Sabuguero (em comentário ao poema Regresso)
* Título meu: Canhanga
Sunday, June 15, 2008
CARTA PRA MINH'AMADA
Onde me junto para te realizar
aspirando igual estar
Meus interesses se extrapolam
sugando-te o que não sou
tentando também te completar
e minha mão à palmatória dou
Realizando sonhos que rolam
Luciano Canhanga
Tuesday, May 13, 2008
CHORO DE PARTIDA
Thursday, April 17, 2008
DOIS ANOS DE (IN)CERTEZAS
Saturday, March 15, 2008
REGRESSO

Depois do exílio
Eis-me aqui
Rico de nada
Vazio como papel ao vento
Na mente apenas velhas profissões
(sem importância)
e cursos ainda sem aplicação
(nesta terra)
E agora que estou de volta
Penso no silêncio que vos leguei
Na paz que vos neguei
Nas benesses que não vos dei
E peço:
Perdão porque falhei
Luciano Canhanga
Saturday, February 02, 2008
CÁLICE
Tuesday, January 08, 2008
SEM MEDO
Tuesday, December 11, 2007
OUTRA VEZ EU
Wednesday, November 07, 2007
TELEFONE TOCOU
Wednesday, October 10, 2007
BALANÇO
à madrugada teu corpo
chocolate se espreguiçando na cama
Não tarda
meu sangue corre
minhas artérias rompem
é manhã
E o sol já brinca no quintal
dos odores orgâsmicos o pó
corpos moídos numa noite de prazer
E fazemos balanço...
Luciano Canhanga
Tuesday, September 11, 2007
MINHA PAZ
Thursday, September 06, 2007
AQUI II
Tuesday, August 07, 2007
HOJE SÓ FALO COM OS BOTÕES

Tarda o sono
Nos sonhos a traição
Nas brincadeiras as ofensas
Na traição os mau-tratos
Na bebedeira o desconsolo
Da gripe Chora a filha acossada
Do silencio parabólico outro pranto
Se choro os risos
Se (dese) canto os apupos
Nos sonhos a alegria roubada
Nos folguedos a tristeza contada
Hoje só falo com os botões
Os meus botões
Luciano Canhanga











