Translate

Monday, August 05, 2013

AMOR A ZIGUE-ZAGUE

Assisti à compra do camião
Vi teu atrelado ser carregado
Também vi todo recheio ser roubado
Com o olhar saciei minha fome

Camião assaltado no tempo que corre
És hoje alimento para cães sem norte
Sede, tua, em aumento sem pudor
Resposta, minha, ausente um tormento.

In: "Amor sem pudor"

Thursday, July 04, 2013

FUKA YAMI (TERRA-MÃE)


 

Libolo

Inicialmente simples povoações

Básicas, sem estrelas, nem erudição,

Ordem e trabalho fizeram dela

Luzenta e admirada circunscrição

Orgulho desta Nação!

 

Monday, June 10, 2013

EU TENHO UM SONHO


> Que Saurimo será um centro de intelectualidade
> Que será uma candeia que irradiará sua luz a toda Angola
> Eu tenho um sonho
> Que as crianças que hoje assistem, sem opção, novelas brasileiras e
> mexicanas
> Distribuídas sem controlo, nem medição
> Venham a ser as mais cultas desta urbe
> Irradiando conhecimento à província e ao país
> Eu tenho um sonho
> Que desta pequena experiencia,
> O Núcleo de Amigos da Leitura e Literatura
> Nasça a árvore que alimentará a província e o país de luz e sabedoria.
> Eu tenho um sonho
> Que nunca mais a ignorância fará parte de nossas vivências
> Que a ciência e a razão serão nossas armas
> E nunca mais a razão da força e do ocultismo.
> Eu tenho um sonho...

> (Inspirado no "I have a dream" de M. Luther King Jr.)

Saturday, June 01, 2013

É HORA


Tocou a sineta

É o pássaro que está no cimo

Quem faz deslocar o sino

Cá dentro, outros sinos tocam em mim


É, desde sempre, minha sina:

Toca o sino no cimo da igreja

Sinos internos em mim pelejam

Wednesday, May 01, 2013

RESILIÊNCIA

Fez vendaval,
Apesar de caule brando,
A árvore não resvalou
Apenas folhas se soltaram e
Ramos levados pelo vento

Permaneceu hirto o tronco
Enraizado no solo másculo

Não foi desta vez!

Monday, April 01, 2013

BRIGADISTA

Mal o sol raiou
Manhã cedo intruso chegou
Sua má nova anunciou
Vulcão já em erupção mostrar seu clarão

Quem pega o intriguista-cão?
Que desgovernado ladra como vulcão?
Quem ao acusado julga com perfeição?
Quem ao condenado mais estende a mão?

Chegou a hora da verdade
Todos despidos de vaidades
Discursos directos, sem veleidades
Homem condenado depressa em liberdade
Dos intriguistas quem mais quer piedade?

Num campo dragões vomitam razões
Noutro razões idosas disputam acções
Voam cegonhas
Destapam-se vergonhas
Quebram-se silêncios
Rolam edifícios
Ossos do ofício?

Monday, March 11, 2013

ALMA SANGRENTA


Um tufão de dor varre meu corpo estropiado
Enqanto lavas de sangue atravessam minha alma mutilada
O corpo estropiado sara
Porém, minh' alma mutilada sangra sem cor, sem valor


Queria meu corpo perdoar
Não fosse esse esvair sem fim
Da vida a terminar
Como artista sem delfim

Neste sepulcro em que me encontro
Me convidas para de novo sorrir
Como nos dias em que teu calor senti
Mas já cá não mora o alento

Meu corpo de fogo viciado pede
É teu o afago mais quente
Mas minh´alma em lavas se despede
É outro o mundo que me percebe?

Morri
Apenas corpo presente
Já cá não mora quem sente
Só alma farrapo


Thursday, February 14, 2013

DEPOIS DO AMOR O AMOR


Cama quente

Briga ausente

Saudade disso quem não sente?

Uns apenas consentem

Intrigas e pelo meio presentes

Para manter calma a corrente

Outros ainda tocam vida prá frente

Ignorando pentes e serpentes

Mantendo Vida alegre

Frestas e ventos ao poeta trazem

Vídeos e escritos que traduzem

Quão bom é ter cama quente!

Friday, February 01, 2013

SOMBRA DE REALEZA


(À Rosa, enfermeira do HMP)

Pasmo
Rodeia almas estropiadas
Encurraladas por vontades seculares
Há uma sombra de realeza que espanta!

No rasgo da noite
Apenas silêncios recticentes
Enchendo corações de amores abstratos
É a tua sombra que encanta!

No além da curva sanitária
Morre o sêmen preguiçoso
Esvaziando o imaginário doentio
Apenas Rosa!

Luanda, 11.08.2000

Tuesday, January 01, 2013

AO HOMEM

Três caminhos apenas:

- Ignorar e esquecer
- Aturar e sofrer
- Partir e recomeçar

Um destes é meu!

25.02.2004

Saturday, December 01, 2012

AMAR É

- Caminhar
- desabafar
- chorar (?)
- ceder sem questionar
- sonhar
- dar e receber
- traçar sem tempo para realizar
- o mundo enfrentar...
- sofrer (?)
- para quando cumprir?

O nosso amor é a importância que nos atribuímos!

05.02.2004

Thursday, November 01, 2012

NA CAMA DE HOTEL


Sugando tetas moribundas duma kitata kuribeka

No leito da morte

Xaxatando nádegas flácidas do álcool barrigudo

Trágic´aventura dum incauto viajante

prostrado no prazer momentâneo


Na cama de hotel

Desfaz vida, assando castanhas em kifufutila mortuário

deixando na brasa sua longinqu´amada
 

Na cama de hotel, sonha enterrando sonhos

Mbunda ya kitadi

negócio de hoje

mbolo ya kizwa

Kufwa kidi!


É na cama de hotel


Luena, 28.09.2012

Monday, October 01, 2012

DESESPERO


Noite cálida e de esperança

Silêncio e só silêncio reina

Cá dentro dançam lobos

E sobre a banca é a luz dorminhoca que tilinta

É madrugada

 
Envergonhadas voam cegonhas

Enquanto lobos trespassam corações

No horizonte, raios apressados anunciam mais um dia sem dono

Revezam-se os sóis

Outro dia sem Esperança

 

Saturday, September 01, 2012

Mwana Pwo

Na grandeza do teu corpo
desnudado
Inspiro meu eu
esquelético
Pra te dizer
amor

Wednesday, August 01, 2012

DOR INGENTE

Doi saber que sou teu irmão,
mas te desprezei
saber que erraste
Mas no erro  insistimos

Doi saber que um dia de costas nos virámos
Que com armas nos matámos
Que escondidos nos traímos e apelos ignorámos
Saber que quase nos vendemos

Agora que acertamos,
Peço
Que me dês a mão
Refaçamos a Nação!

Monday, July 09, 2012

REGRESSO ANUNCIADO

Eu Parto

Teus olhos banhados de lágrimas
denunciam a dor da ausência
e o vazio que fica
Mas tenho certeza  de que volto, mãe!

Minha bagagem cheia de nada
anuncia a tristeza que carrego
nessa ida sem rumo
em busca da vida

Na dureza dessa jornada
descrevo nas cartas que não te envio
o desejo de reconquistar teu colo
quente e cansado de cacimbos centenários

Dizem-me que volto
apenas me escondem se por terra ou  pelo mar
Se pelo ar
Ou no caixão

Eu Volto

Tuesday, June 12, 2012

Tempo de nakas

É centro do kixibo (cacimbo)
O cieiro apresenta-se como desenhos dum artista sazonal
Mesmo assim o verdadeiro camponês não desarma

Manhã cedo,
À fogueira um tempinho,
Afugenta a preguiça e aguça a catana
Enxada ao ombro e parte
A naka aguarda por quem a desbrave
As sementes aguardam por quem as deita à terra
E lá vai ele
Friorento e Cambaleante
Confiante na colecta que há-de-vir
É tempo de nakas
Assim é entre Junho-Agosto
(no meu Libolo)

Thursday, May 24, 2012

CAMPO DE VENTO

Vinde e cultivai
Que é próprio o momento!

Chegais e dizeis
(Des)coisas habituais
Em promessas vossas
irrealizáveis no tempo

Vinde, dizeis e fazeis
que é chegada a ceifa
Preparais obras e palavras
Uma sem palavra
É chegado o julgamento
do Ceifeiro que chega à hora!

21.07.2004

Monday, April 02, 2012

KIFUFUTILA

Meu regaço é quente
Como sol de Setembro
Na pele de homem alheio
Friorento nas mil noites
Mal vividas dum amor
Agarrado n´argola e ninhada
Já sem suor nem valor

Sou amante
Fogo e lazer
Vozes loucas em horas poucas
Delírios satânicos
Corpos desejosos,
Andrajosos no caminhodo prazer
Esquecido na noite do alembamento

Sou a  amante
Amada, diamante, desalmada, paciente
Fogueira de macho reformado
Carente de novos gemidos
Sim, nós
Eu e ele
Cofre e tesouro!

Friday, March 02, 2012

ÊXODO

Ontem na sanzala
Vacas gordas vozeavam canções alegres e intrépidas
Da guerra que ressona ainda distante
Hoje na cidade
Esfarrapadas as mesmas vacas vozeiam tristes melodias
Ávidas de paz, pão e liberdade na lonjura das estrelas

Thursday, February 02, 2012

MARCHANDO

Sem cor, nem riqueza
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste

Canções alegres
Coros afinados
Um poema

Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação

Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação

Monday, January 02, 2012

PAIXÃO ADULTA

Passeio,
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro

Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso

E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite

Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?

Monday, December 12, 2011

DRAMA

Cinta sobre a cintura
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria o devir

Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro

Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito:
- ai tio, me dá só cinquenta!

Friday, December 09, 2011

AIS!

Homens mandados na guerra
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996

Tuesday, November 01, 2011

BURACO NEGRO

Entre terra e mar
Um tufão se forma dentro de mim
Buummm!
Pedaços meus espalhando essa dor inócua

Fustigai-vos óh ventos
Maltratai-vos óh águas
Façam-se remoinhos
Mas deixai-me espraiar-me neste sepulcro

Arrancai vossos corações impiedosos
Tocai vossas ngomas de ódio
Encham-se cabaças de fel
Mas deixa-me aqui escalando este cume

Sunday, October 09, 2011

CHORO INÚTIL DE MULHER

Por que choras mãe
Se dos que ontem partiram não há noticias de regresso?
Por que choras mulher
Se tuas lágrima de ontem ainda corre na savana
Por que lamentas velha Ngonga
Se de teus netos restam sacrifícios apenas
O meu irmão partiu
Não sei p´ra onde
À força
Acorrentado
Pontapeado seguiu para a guerra
O primo também partiu
Maltratado
Abandonou a escola
Qual ladrão para o carro jogado
É sargento agora
O sol passa
De lua em lua
Naquela trincheira do sul
Naquela cela do norte
Naquela mata do nordeste
Só trevas
Só trevas os rodeiam

Friday, September 09, 2011

MINH´ANGOLA

Tórrida e sofrida
Minha pátria
Dorida, martirizada
Minha terra
Amargurada e atormentada
Sem descanso
Sem paz
Sem água
Pão, alguém viu?
Sem puro oxigénio
Roubado de árvores estropiadas
Quem contou?
As bombas que matam homens
Os rios feitos de lágrimas
As bocas sedentas de tudo
Até quando?
O brotar de novas acácias
O rasgar do luto destes tempos
O sorrir despreocupado das crianças …

Saturday, August 06, 2011

AQUI ATÉ MORRER

Plantado na solidão e castigado sem apelo
Eis-me aqui neste canto
Olhando teu rasto passar
Sem palavras, nem presentes bonitos p´ra te dar.

Na rota contínua do sol
Quedando-se no azul do mar
Sempre aqui nesta cama, sonhando acordado
Vivendo a custa do sofrer e cantando versos ao léu!

Saturday, July 09, 2011

ÂNSIA DE AMAR

No teu colo frágil de mulher
Com quentura de ovelha
Minh´alma quer descanso
Em teus braços de trepadeira
Se estendendo da terra ao céu
Empurrando pr´o voo meu eu
Em tua boca mulheril
Louca e carnuda do beijo refractário
Pecaminosa como a maçã setembrina
Minha língua anseia habitar
E sentir o agridoce do teu beijo
Perdido nos olhares que se dispersam
No teu colo juvenil,
Frio no verão e quente no inverno
Minha mente quer repouso
E desfazer-se da virgindade
Que a timidez instalou em mim
É hora!

Thursday, June 09, 2011

CHEGA DE JURAS

Procurei-te
Teu cheiro nas pétalas não mais encontrei
Secou a flor
Com ela Sumiste como o vapor que se dilui no espaço
Assim era tão efémero teu amor
Mil vezes cantado ao ouvido surdo
Quantas juras prometidas?

Tuesday, May 31, 2011

MILDE HUMILDE MULHER

MILDE HUMILDE MULHER


É ela
Milde mulata monaputo
de pai fugido na corrida dos cravos
virando kitata afamada no Sueiro
Amigada com preTuga fubeiro


Viveu
ensinado arte antiga de xaxatagem
a kamabwins, meninos da kabunga



É ela, agora
Meiga humilde mulher
cantando velhos “nga dibeka kwá Jezú”
ou cosendo batas do caçula monandengwe
rasgadas no liceu empedrado

É ainda ela
varrenddo ruas da maratona emporcalhada,
assobiando tat´êtu kudyulo!

É minha sogra agora
de panos riscados
kassumbulados do estranja Kamará
e vendidos pelo muzangala da kangonha


É sempre a mesma
cuidando monandegwes trazidos
anos sim, anos sempre
pelos monas deseducados nos xaxatanços da mocidade
                          parte-bracista do tempo de kaprandanda

Conta agora
curvas e contra-curvas das apanha moedas
                                              de Cinco Réis!

E, de kaxexe, ganha juízo…

Thursday, April 07, 2011

SANGUE NA BICA D'ÁGUA

Sangue
salpicando sobre pedras
paridas num tempo esquecido
duras, ressequidas
carentes duma bica d'água

Sangue
entre corpos andrajosos
em viagem sem fim
num pobre atalho
abraçando orgasmos férteis

Sangue
entre gente humilde
regressada da saudade morta
noutra terra de peregrinação obrigatória

É natal
e jorra sangue na Bica d'água!

Monday, March 21, 2011

VENDAVAL

Escuso-me olhar aos ventos
que luzes carregam
derrubando grilhões

Tão pouco respiro silêncios heurísticos
impostos p'lo tormento do chicote
que amansa massas carentes

Recuso-me viver vida-prisão
asfixiada e suplicante
Carregai-me por isso oh ventos do norte!

Saturday, February 19, 2011

PARTIU A MÃE GRANDE*

Choremo-la com arte
Com a ngoma e dikanza
Lá nos altos Céus,
Onde Deus lhe reservou o merecido lugar,
Com certeza,
Gostará das obras boas de filhos e amigos
Choremo-la com prosa e poesia...
Com pintura e escultura
Choremo-la com realidades e ficções,

Choremo-la de verdade!


* Homenagem à doan Luzia mãe do meu grande Kota Caetano

Sunday, January 02, 2011

PULMÃO CARENTE

Quando o sol do amor bater tua porta
Aqui estarei
Sorvendo a saudade do teu aroma
Refugiado na imaginação dum dia sem história

Quando a porta do teu coração se abrir
Aqui estarei
Para teus olhos meu sorriso colorir
Na imensidão desta floresta sem fim

Quando o sol do amor em ti raiar
Aqui estarei
Mostrando a flor nascente aos ares norte-leste
Que enchem este pulmão carente!

Thursday, December 30, 2010

ÚLTIMO DESEJO

Hermes,
Meu amor,
Estou coberto de vermes
Nem que estajas morta
Cumpre meu desejo
Aproveito última oportunidade
Pousando-te na morgue
Fornecendo-te meu amor
Só para conter nossa dor

Monday, November 22, 2010

CORRIDA

Trepei montanhas ao encontro do sol
apenas o mar encontrei brotando sal
jovem, girei o mundo como girassol
adulto, voltei vestindo sisal
Chega de corrida!
Renuncio à partida

Saturday, October 16, 2010

PRETA PRETINHA

Preta
Pretinha cor de nuvens
carregadas de chuvas fartas
mira-me este teu olhar esbugalhado

Preta
Baixinha de pernas galopes
fugidias na preguiça do tempo
acolha-me no teu abraço fogoso

Preta
Gostozinha como jinguenga
trazida do longinquo nordeste
beija-me com os teus lábios carnudos

Preta
Esguia como a obreira abelha
lavrando flores de Outubro
enche-me de teu mel

Preta
Espertinha na quilometragem da idade
escondida no azul do sorriso
empresta-me tua mocidade

Friday, September 24, 2010

EU E O OCULTO

Há vezes
em que não são os pássaros quem chilreiam
mas as árvores

Há vezes
em que não é o vento quem zurze
mas o ar

Há vezes
em que não é o corpo quem fala
mas a alma

Há vezes
em que não é o poeta quem declama
mas o guerrilheiro

Há vezes
em que não sou eu quem age
mas o oculto

Há vezes
...

Luciano Canhnaga, UCP/Maio 2005.

Monday, August 30, 2010

QUANDO O CÉREBRO E O CORAÇÃO SE CASAM

A alegria e a tristeza se abraçam

É total a angústia

Do pensar e não dizer

Ideias que apodrecem na boca

Altivando a mudez

E não mora distante a surdez

Correr e em simultâneo parar

Amar e compreender

Rir e ao mesmo tempo chorar

Friday, July 09, 2010

ÚLTIMO ADEUS

Motivos para desconfiar

Vezes te dei

Razão para de vez partir

Não ma deste o suficiente

Procurei pelo arrependimento

Motivos também me negaste

Desmerecemos único caminho

Seguirei minha rota

De costas viradas ao teu percurso

Tuesday, June 29, 2010

PEDRA, CAL E TINTA

Fiz (emos) a nossa parte
Melhoramos o que insatisfazia
E lutamos para manter o desejável
Ganhamos soldo e conhecimentos
Lançamos betão, pedra e cal
E fizemos crescer o edifício
Patrão e empregado
Em satisfação empatados
Amigos fizemos
Lágrimas verteram
No fim o abraço
E a satisfação do dever cumprido

Sunday, April 25, 2010

A ÚLTIMA FORÇA*

Procurou inspiração

Encontrou-a efémera
A vítima nem percebeu
De amores quase morreu
A tempo porém, se restabeleceu
Vítima e predador
Numa entrega enganosa

Vítima, quê isso?
Se na entrega muito aprendeu...

Xê mulher!

O grito de alerta a despertou
Libertada das masmorras disse:
_ Não à incultura!

* Réplica de autora conhecida

Thursday, March 25, 2010

ILUSÃO

Tão logo voou
Cedo abortou
Não era aquele o seu percurso
Apenas tentou
E sem saber cativou
Sua última vítima inocente
Ele também o era
Vítima duma vida mal programada
E a vida retomou o seu curso
Tal rio
Ferida abaixo
Mágoas duma experiência amputada
Mas prazeirosa
Choro numa noite que seduz
Avança
Mesmo sem luz...

Friday, February 12, 2010

ZUCA

Acorda-me deste sono moribundo
e leva-me neste barco que se afunda
Na viagem da bunda
Revejo  meu direito de viver
e dispo-me de roupas vagabundas
rasgadas no teu regaço de prazer
Nosso amor é marear!

Tuesday, January 12, 2010

ÁGUA DO KWANZA

Tão calmas a jusante
Quanto agitadas a montante
Límpidas ao olhar distante
Tão belas e refrescantes
Como o amor que sacio no esguiar
da plástica pelo tempo forjada
Qual secular leito do Kwanza
Que se perde no farfalhar de cada gota que passa!

Monday, December 28, 2009

(IN)VERSUS

Correu meses a alegria
De repente parou o relógio
Siameses vieram da mulher
(In)fortúnio inundou o alvorecer
Na casa da borda amanheci
(Des)convidado para a festa me dirigi
Pois etiquetas há muito perdi...

Tuesday, December 08, 2009

TRILOGIAMOROSA

À chegada
Transborda alegria
Afastam-se alergias
Bem alto cantam orgias
No dia derradeiro
Despedem-se orgias
Com a bagagem se vai a alegria
Para o regresso contando-se dias
Na ausência
Grita alto a saudade
Dos afagos com prazer
Para submergir a maldade
Das coisas por fazer...

Luciano Canhanga

Monday, November 23, 2009

À HORA DA SUBIDA

(poema evocativo)
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!

Luciano Canhanga

Tuesday, November 03, 2009

CHORAÇÃO

Quase chorei
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...

Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)

Saturday, October 03, 2009

UM DIA

Quando nem forças tivermos
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!

Luciano Canhanga

Wednesday, September 09, 2009

CANÇÃO DO TEMPO

Beatriz, meu amor
procuro-te e sou infeliz
aqui é pôr do sol
já se foi o dia
brilhou o astro-mãe
a escuridão toma conta do rol
e eu com medo das trevas
sem você minha estrela-guia
canto que no canto reapareças
p'ra que depressa me aqueças...

Luciano Canhanga

Tuesday, August 11, 2009

LONGE D'ALMAR

O poiso da gaivota
pelos ares apenas
lembrando tempos negros
dum passado moribundo

A distância no austin
por terra craterada
ossos marcam vidas
queimadas no negócio longíquo

Longe d'almar
roupa passada,
mordómica prisão,
vidas contadas

Luiano Canhanga

Tuesday, July 28, 2009

DIÁRIO AMOROSO

Os homens não precisam ser
Têm de aparecer
Tal qual campos santos
Sepulcros limpos
Topos de branco pintados
Corpos mofos e pódridos
Repousam dentro
Assim a paridade conjugal
Passeios aos pares
Cerveja nos bares
Chifre nos cabarés
Lábios de sorrisos inundados
Transbordam elogios alheios
E a vida conta passos
Mais um dia passa
Lá dentro o mesmo buraco
A mesma rosna
O mesmo roncar nocturno
Até que um se vai
Destapando q’houve d’amorfo

Luciano Canhanga

Tuesday, July 07, 2009

VIAGEM

Embalado
Nos teus braços viajei
para onde
não sei
faminto
nas estradas dormi
e de graça comi
pois o dinheiro não dei
Na rusga do chimba
minha algibeira mostrei
Pena
que roupa não vestia

Luciano Canhanga

Monday, June 15, 2009

CÂNDID'AMOR

Procurei no alô do telefone a voz cândida
De oferta a exaltação de mimos queridos
Num amparo de ternura
E sufocos há muito esquecidos
Na memória a Cândida apanas
Parida de melosos amores forjados
Além terra-mar

Luciano canhanga

Monday, May 25, 2009

FRÁGIL

Cuidado!
Pega devagar ...
com ternura
Fala baixo...
mas com afecto
Decide antes
se é...
P'ra ficar
ou p'ra descartar
Se p'ra zombar
ou p'ra amar
E se amar
fá-lo...
Com responsabilidade

Luciano Canhanga
(inspirado em Cuidado de Carol Vicente: http://silenciosidade.blogspot.com)

Wednesday, April 01, 2009

MELHOR IDADE

Quero lá chegar
Quando luzes conquistar
Para olhos verem sucessos
E no curso da vida Progressos
da confusa cidade me desfarei
E por arrimos andarei
Quando tiver a melhor idade

Luciano Canhanga

Sunday, March 15, 2009

PAZ PODRE

Paz sem perdão
É tentar esquecer
Sem dar mão a torcer
É podridão!

Paz com mágoas
É apertar a mão do irmão
Pronto a derramar lágrimas
É ter arma no cinturão!

Luciano Canhanga

Sunday, March 01, 2009

FIM DA PICADA

Chega!
Cansei-me de fazer
Amor sem prazer
Pára!
Morde-me teu ventre
neste desprazer desgastante
Sinto!
Qu'o vapor da fenda
Agora me ofega

Luciano Canhanga

Monday, February 02, 2009

A MULATA QUE PERDI


Do primeiro beijo à Marta

se foi a imagem

Apenas as classe que frequentamos

e os caminhos trilhados

Na lembrança

Apenas a magreza

da esbelta mulata

Perdida

Nas estórias contadas

de metralhados contratados

a chicotes lusitanos

Queira,

refeito do trauma

em ti renasça a Marta

perdida na primária

mantendo a fragrância

e o brilho no olhar


Luciano Canhanga

Thursday, January 01, 2009

ÁGUA E SABÃO

Entre montanhas que parem trovões
Uma floresta fabrica silêncios
Relâmpagos matam chilreios
Qual música aos solfejos

No transbordo cervejeiro da festa
Répteis famintos disputam restos
Qual pardais em colheitas milheirais

Na ociosa embriagues assumem grandezas
Disputando belezas fabricadas
E a noite fervente devolve luz
Qual sonho mutilado à madrugada

Luciano Canhanga

Wednesday, December 24, 2008

NVULA

Chove
aos gotejos
Torrencialmente talvez
Algures
Não distante outra vez
Casas cedem
Gotejos que sedes matam
Chove
aos cântaros
Feliz canta
o barulhento telhado
a infelicidade do viandante molhado
E chove...

Luciano Canhanga

Sunday, December 14, 2008

UM DIA NA PELE ALHEIA

O pai solteiro é um soldado

que usa como cajado a máquina de lavar

o ferro de engomar

a linha e agulha para recoser

o amparo da galinha

para controlar

O pai solteiro é a mãe

que no cantar se desfaz dos nervos

que no caminhar se descontrai

de aborrecimentos de filhos inquietos

e infâmias de marido alcólatra

O pai solteiro é um ser

igual no género

diferente no fazer crescer

O pai solteiro é um HEROI


Luciano Canhanga

Tuesday, December 02, 2008

LEVANTAR

Resigno
antecipar-me ao Campo Santo
quando filhos reclamam direitos
proporcionados com trabalho digno
Recuso-me
aceitar que pára a vida
quando a jovialidade convida
para passos em corrida
Aceito
Sim desafios
Não importa se enormes
Se me consomem horas a fio

Luciano Canhanga

Saturday, November 15, 2008

LUZ

Se minha vida é obra
Se a obra é universal
Se o universo é humano
Se os homens se alimentam
Se o alimento é também esperança
Aqui deixo o meu pedaço de luz

Luciano Canhanga

Saturday, November 01, 2008

DESPERTAR

Nas noites não dormidas
Na complicação a comprar
(Des)querido por abortar
Penso no que há de vir
Cada vez que fazemos amor
Assim
Custaram tão caras
Minhas noites de amor
Nunca!


Luciano Canhanga

Thursday, October 02, 2008

REJUVENESCER

JHIIIH
Sussurrava excitante tua voz
Ao meu ouvido colado
ESGUIA
Viram-te meus olhos atentos
Naquele encontro à prima-vista
BUM
Cantas hoje à distância
Da saudade moribunda
GIGA
Vêem-te hoje meus olhos
Cegos de gordura importada!

Luciano Canhanga

Thursday, September 25, 2008

CAMINHAR

Entre inúmeros acertos
incontáveis desacertos também
Vida pára!

Entre trabalhos e barulhos
No meio atrapalhos
Pára a vida?

Entre apuros e reflexos
Paragens e silêncios também
A vida não pára!

Entre grosseiros e levianas
Silêncios vociferam êbrios
A vida passeia à frente!

Luciano Canhanga

Sunday, September 14, 2008

CANTO AO CARNAVAL


1
Nossos sonhos
nossas gentes
nossas vidas
sempre adiadas para depois
e o amanhã que é sempre amanhã

Com Angola em paz
nossos filhos querem ver
a sombra eterna dessa árvore
que está crescer
e os frutos lindos dessa flor
a desabrochar
Viva o carnaval

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

2
Na marginal toda a vénia
é só para nós (nome do grupo)
da Ingombota, Cazenga e Rangel
Todo povo Xtá aqui
P'rá aplaudir (nome do grupo)
Dessa vez nosso grupo é melhor
e quem aposta perderá

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

Luciano Canhanga

Tuesday, August 19, 2008

NOVAMENTE

Na hora de partida
A saudade dos que vão
Dos que ficam e
dos que nunca partem

O sabor à madrugada
dos últimos beijos roubados
e os olhares da cunhada
sempre preguiçosos

Na hora de partida
É assim
Ninguém entardece
mesmo engolindo noites


Luciano Canhanga

Thursday, July 10, 2008

"QUANDO VOLTAR"*

Rico de Amor...
Para dar, aos que amo
Febre de aprender...
Com quem sabe!
Pobre de dor...
Já aqui não mora,
a saudade...
que por ti,
um dia senti...


São Sabuguero (em comentário ao poema Regresso)

* Título meu: Canhanga

Sunday, June 15, 2008

CARTA PRA MINH'AMADA

Nesse contrato social

páreo pre-matrimonial

Onde me junto para te realizar

aspirando igual estar

Meus interesses se extrapolam

sugando-te o que não sou

tentando também te completar

e minha mão à palmatória dou

Realizando sonhos que rolam


Luciano Canhanga

Tuesday, May 13, 2008

CHORO DE PARTIDA


Chora minh'alma seca
Calou-se a voz
Titubiante segue sega
nesta vida atroz
Pros nordestinos a voz que se cala
Pras lágrimas o secar da foz



Luciano Canhanga

Thursday, April 17, 2008

DOIS ANOS DE (IN)CERTEZAS


A vida sonhada desanda
A velocidade acordada desagrada
O corpo doi amaldiçoado
Náufrago segue o pensamento dividido
Na longa distância da amada
Nos sonhos o retorno que tarda!

Luciano Canhanga

Saturday, March 15, 2008

REGRESSO


Depois do exílio
Eis-me aqui
Rico de nada
Vazio como papel ao vento
Na mente apenas velhas profissões
(sem importância)
e cursos ainda sem aplicação
(nesta terra)

E agora que estou de volta
Penso no silêncio que vos leguei
Na paz que vos neguei
Nas benesses que não vos dei
E peço:
Perdão porque falhei

Luciano Canhanga

Saturday, February 02, 2008

CÁLICE


Sobre o branco repousa o corpo
sobre a negrura o vermelho
(que gera a guerra)
Daqui há nada a orgia
Nossos encontros são festas!


Luciano Canhanga

Tuesday, January 08, 2008

SEM MEDO


Recrio nos contornos do quarto vazio
as curvas do teu corpo esguio

Das vezes em que nos amamos
reencontro perdidos no chão

Os odores, as roupas e os beijos
dados com paixão


Luciano Canhanga

Tuesday, December 11, 2007

OUTRA VEZ EU


Sinto ainda o eco da tua voz
dizendo-me quem és,
lembrando-me que queres
nesta distância atroz
A única
Simplesmente

Não interessam os quês
Também não dizes os porquês
Simplesmente exiges
Ameaçando que desistes
E eu
Pensando na tua candura
e na vida que é dura...

Luciano Canhanga

Wednesday, November 07, 2007

TELEFONE TOCOU


Noutro lado uma voz
rouca
Choramingando dor
duma separação forçada

Amor
Já não dá
Nunca disseste verdade
Cansei-me de...

Alô, meu bem,
Pensa bem...

A resposta deste lado
trémula
e velhinha


Luciano Canhanga

Wednesday, October 10, 2007

BALANÇO

Debruço-me sobre a janela e vejo
à madrugada teu corpo
chocolate se espreguiçando na cama
Não tarda
meu sangue corre
minhas artérias rompem
é manhã
E o sol já brinca no quintal
dos odores orgâsmicos o pó
corpos moídos numa noite de prazer
E fazemos balanço...

Luciano Canhanga

Tuesday, September 11, 2007

MINHA PAZ


Que se quebrem os telhados
repletos de gente abaixo

Que esvoace a folhagem arbórea
entupida de aves adentro

Que rolem os rochedos
habitados por canta-pedras

Que se rasguem as montanhas
cercadas de homens tementes

Que se cale esta voz
ofuscada pelo grito ensurdecedor
Jamais cederei à minha paz


Luciano Canhanga

Thursday, September 06, 2007

AQUI II


Quão pesado é este exílio
e tão forte esta saudade

Quão asfixiante é a ausência do teu ar
e tão forte a solidão em horas friolentas

Quão bom é dizer te quero
e duro não te ter

AQUI



Luciano Canhanga

Tuesday, August 07, 2007

HOJE SÓ FALO COM OS BOTÕES


Tarda o sono
Nos sonhos a traição
Nas brincadeiras as ofensas
Na traição os mau-tratos
Na bebedeira o desconsolo
Da gripe Chora a filha acossada
Do silencio parabólico outro pranto
Se choro os risos
Se (dese) canto os apupos
Nos sonhos a alegria roubada
Nos folguedos a tristeza contada
Hoje só falo com os botões
Os meus botões


Luciano Canhanga

Wednesday, July 25, 2007

GRITO DE CARCEREIRO



Dei-te
ao longo desse tempo
Mais tristezas que
alegrias

Mais choros que
sorrisos

Quero
Retomes teu brilho

Renuncio
Não sou teu
carcereiro
a menos que
(de livre arbítrio)
Decidas suportar-me



Luciano Canhanga

Monday, June 11, 2007

NÃO DIZ NADA

Diz apenas que continuamos
ou que acabou
e eu delíro na escuridão!








Luciano Canhanga

Wednesday, May 02, 2007

POR QUE...


Insistimos continuar
Se há mais dor que prazer
e se a tristeza é pão diário
Se minhas carícias são chibatadas
e se inconfidências sobrepõem confidência

Se há mais desconfianças que crenças
e se o homem ideal é apenas uma sombra

Por que insistimos em ficar se...



Luciano Canhanga

Wednesday, April 11, 2007

ENTRE SOL E SOMBRA

Acomodei-me na penumbra
titubeei

Vegeto agora na densa floresta
Vivendo a solidão da secura
Sedenta aguarda-me a lareira
Cá mesmo
Árvores miúdas fazem-me seu estrume
Enquanto vegeto na floresta


Luciano Canhanga, 26/03/07

Tuesday, April 03, 2007

COMO É DURO

Saber que

Há suspiro/gemido por exteriorizar

Um beijo suspenso

(talvez nunca mais se retome)

E um abraço fracassado

Saber que

Já são incaminhaveis

os trilhos desenhados

A diferença é muro

intransponível para coabitar

Como é duro...


Luciano Canhanga, 28/03/07

Monday, March 19, 2007

DIA DO PAI

Luciano boa sorte
Trabalhe bem
Gostei muito por seres meu pai
Feliz dia do pai








Mohamed Mociano Canhanga "Kutimbe"

Friday, March 02, 2007

NO TEU DIA

Tu
mulher que me carregas
e suportas em dias de meiguice amputada
Recebe a flor que não te dei

Neste teu dia
de prantos e choros
pelo calor fugidio na distância

Na recordação desencontrada
uma flor apenas
e a cruz que sou!


Luciano Canhanga

Sunday, February 18, 2007

DALTONISMO


Vivo
todos os dias atrás do sol
para evitar viver
na escuridão da paixão
onde uma cor persiste
A ilusão
!



Luciano Canhanga 28/07/03

Thursday, February 08, 2007

MILIKA


Inconformo-me com o silêncio
que aos cegos parece propositado
pois desconhecem o que vivemos
tu porém,
Sabes que não

Neste inconformismo te mensageio
mesmo sabendo que não a lerás
E como as palavras ao vento sobrevivem
um dia conhecerás o meu coração
e saberás que nele te tive
nos dias de ausência condicionada
Saúde pra ti e nossas filhas


Luciano Canhanga

Sunday, January 28, 2007

CHOVE LÁ FORA


Meu telhado canta

aos gotejos

Teimosa e torrencialmente

Cai e troveja

Não tarda

Os rios se enchem

Os canais transbordam

As casas cedem

Tudo se perde

Homens choram

Chorá-los-emos

Ao findar a chuva


Luciano Canhanga

Tuesday, January 23, 2007

LEMBRANÇA


Tão perto quanto hoje
o aproximar dos lábios
e nossos corpos trementes

Volvidos dias imemoráveis
persiste na pele o arrepio nervoso
e na alma o fechar de olhos
para a mesma vontade
daquela primeira vez

Luciano Canhanga, 16.11.2000

Wednesday, January 03, 2007

ANGÚSTIA


Morreu o ano e com ele a euforia
partilho agora o quarto gélido
com a saudade e o tédio

Morreu a vontade de amar
no escuro perdeu-se o lenço
p'ra tuas lágrimas de prazer
Na luz apenas o surdouvido
p'ros teus gemidos de viagem

Em mim apenas a negação
e a vontade de metamorfosear

Luciano Canhanga

Wednesday, December 20, 2006

OSSO MEU

Tão grande

Tão escorregadio e

Tão gostoso

Que ninguém te quer perder


E eu tão pequeno na matilha

Vou transportando-te

Entre o saborear e escapar

Desses cães colossos

Entre sorte e audácia

Hei-te aqui

Segura na minha toca

E faço-te OSSO MEU



Luciano Canhanga

Tuesday, December 12, 2006

QUERO BEBER-TE

São 5H40
O despertador alerta-me para a jornada
Desfaço-me dos cobertores
E sinto no dorso a angústia
Do momento não revivido
Hoje quero beber-te

Na lembrança encontro a marca
Do afecto partilhado há léguas
E lavo a boca
Esquecendo o sabor a peixe frio
Do beijo virginal

Na destreza da razão
Percorro tuas picadas
E faço-te hoje
Frio do meu calor
No trópico do quarto gélido



Luciano Canhanga

Sunday, November 12, 2006

AQUI (nesta casa)


Todos têm necessidades
Sofrem
Padecem de enfermidades
Sentem-se cansados

Todos pedem
Amam e Reclamam
Querem ser ouvidos

Todos recebem
São amados
Se choram são consolados
Menos eu

Que não peço
Não choro
Não preciso
Porque se pensa

que não existo


Luciano Canhanga

Monday, October 02, 2006

I LOVED A WOMAN



when I was young I used to love
and I loved a lady
But now I don't love anymore
I forgot it
I'm living my life going with the wind
Trying to be quite with my self

Now love is my main problem
and no way for...
I don't love
I forgot it
I'm going away
As a full river going to the sea

Luciano Canhanga