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Thursday, August 06, 2026

ASSOBIO

Oh, como anseio em letras saudosistas

Gravar o assobio que, em doce arcadismo,

Cortava a brisa em tardes de narciso,

Sem mágoas, só veludos e conquistas!


Quando irrompia, límpido, na praça

Do amigo — e eco, travesso, na fachada,

Anunciava a lírica jornada

De meninos sem trama nem desgraça.


E mais doce era ouvi-lo na vereda,

Sem fios, sem telas, sem pressa louca:

“Já cheguei, meu amor”, dizia a boca

Que assobiava à lua, leda e queda.


Ah, como o tempo, em seu rigor, roubou-me

Esse assobio que a alma ainda implora!

Pois hoje o celular, frio, devora

O som que, outrora, o peito namorava.


Permite, Musa, em versos noventistas,

Que eu fixe o assobio que, na puberdade,

Marcou tua alma com felicidade

E o dê, rimado, às páginas tão tristes.

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