Sem cor, nem riqueza
Longa fila se cruza
Norte-Sul, Leste-Oeste
Canções alegres
Coros afinados
Um poema
Pás nas mãos
Escolas construir
Uma inovação
Machados afiados
Florestas desbravar
Mais alimentação
Thursday, February 02, 2012
Monday, January 02, 2012
PAIXÃO ADULTA
Passeio,
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro
Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso
E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite
Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?
Sempre que a saudade bate
pelo crepúsculo encontro
Tua imagem
sempre na mesma posição,
o mesmo sorriso luminoso
E no silêncio,
quase me gritam teus murmúrios prazerosos
Na calada da noite
Já sem sono,
pergunto para mim mesmo:
ílusão minha ou também sentes o que sinto?
Monday, December 12, 2011
DRAMA
Cinta sobre a cintura
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria é devir
Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro
Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito
- Ai tio, me dá só cinquenta!
Sujo-descalço
Ventre denunciado gravidez
Já no seu sétimo mês.
É miséria é devir
Ranho substituindo leite roubado
Lá vai o monandengue
Carregando cama-papelão
Mutilando sonhos na ponte-mansão
Diambula pela cidade sem paradeiro
Na noite escura do petróleo exportado
Na barriga-cheia dos homens do morro
Que sugam folhas como abelhas
Solta o grito
- Ai tio, me dá só cinquenta!
Friday, December 09, 2011
AIS!
Homens mandados na guerra
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996
Lá enterrados na terra
Mulheres desoladas
Eternamente preocupadas
Sem pão p´ros chorões monandengues
Que aos gritos reclamam pais ausentes
Todos em ais clamando
Sem emprego
Sem formação
E eu também esperando minha vez
Para que a terra me coma de vez
Só choro também
Ai minha Angola!
25.05.1996
Tuesday, November 01, 2011
BURACO NEGRO
Entre terra e mar
Um tufão se forma dentro de mim
Buummm!
Pedaços meus espalhando essa dor inócua
Fustigai-vos óh ventos
Maltratai-vos óh águas
Façam-se remoinhos
Mas deixai-me espraiar-me neste sepulcro
Arrancai vossos corações impiedosos
Tocai vossas ngomas de ódio
Encham-se cabaças de fel
Mas deixa-me aqui escalando este cume
Um tufão se forma dentro de mim
Buummm!
Pedaços meus espalhando essa dor inócua
Fustigai-vos óh ventos
Maltratai-vos óh águas
Façam-se remoinhos
Mas deixai-me espraiar-me neste sepulcro
Arrancai vossos corações impiedosos
Tocai vossas ngomas de ódio
Encham-se cabaças de fel
Mas deixa-me aqui escalando este cume
Sunday, October 09, 2011
CHORO INÚTIL DE MULHER
Por que choras mãe
Se dos que ontem partiram não há noticias de regresso?
Por que choras mulher
Se tuas lágrima de ontem ainda corre na savana
Por que lamentas velha Ngonga
Se de teus netos restam sacrifícios apenas
O meu irmão partiu
Não sei p´ra onde
À força
Acorrentado
Pontapeado seguiu para a guerra
O primo também partiu
Maltratado
Abandonou a escola
Qual ladrão para o carro jogado
É sargento agora
O sol passa
De lua em lua
Naquela trincheira do sul
Naquela cela do norte
Naquela mata do nordeste
Só trevas
Só trevas os rodeiam
Se dos que ontem partiram não há noticias de regresso?
Por que choras mulher
Se tuas lágrima de ontem ainda corre na savana
Por que lamentas velha Ngonga
Se de teus netos restam sacrifícios apenas
O meu irmão partiu
Não sei p´ra onde
À força
Acorrentado
Pontapeado seguiu para a guerra
O primo também partiu
Maltratado
Abandonou a escola
Qual ladrão para o carro jogado
É sargento agora
O sol passa
De lua em lua
Naquela trincheira do sul
Naquela cela do norte
Naquela mata do nordeste
Só trevas
Só trevas os rodeiam
Friday, September 09, 2011
MINH´ANGOLA
Tórrida e sofrida
Minha pátria
Dorida, martirizada
Minha terra
Amargurada e atormentada
Sem descanso
Sem paz
Sem água
Pão, alguém viu?
Sem puro oxigénio
Roubado de árvores estropiadas
Quem contou?
As bombas que matam homens
Os rios feitos de lágrimas
As bocas sedentas de tudo
Até quando?
O brotar de novas acácias
O rasgar do luto destes tempos
O sorrir despreocupado das crianças …
Minha pátria
Dorida, martirizada
Minha terra
Amargurada e atormentada
Sem descanso
Sem paz
Sem água
Pão, alguém viu?
Sem puro oxigénio
Roubado de árvores estropiadas
Quem contou?
As bombas que matam homens
Os rios feitos de lágrimas
As bocas sedentas de tudo
Até quando?
O brotar de novas acácias
O rasgar do luto destes tempos
O sorrir despreocupado das crianças …
Saturday, August 06, 2011
AQUI ATÉ MORRER
Plantado na solidão e castigado sem apelo
Eis-me aqui neste canto
Olhando teu rasto passar
Sem palavras, nem presentes bonitos p´ra te dar.
Na rota contínua do sol
Quedando-se no azul do mar
Sempre aqui nesta cama, sonhando acordado
Vivendo a custa do sofrer e cantando versos ao léu!
Eis-me aqui neste canto
Olhando teu rasto passar
Sem palavras, nem presentes bonitos p´ra te dar.
Na rota contínua do sol
Quedando-se no azul do mar
Sempre aqui nesta cama, sonhando acordado
Vivendo a custa do sofrer e cantando versos ao léu!
Saturday, July 09, 2011
ÂNSIA DE AMAR
No teu colo frágil de mulher
Com quentura de ovelha
Minh´alma quer descanso
Em teus braços de trepadeira
Se estendendo da terra ao céu
Empurrando pr´o voo meu eu
Em tua boca mulheril
Louca e carnuda do beijo refractário
Pecaminosa como a maçã setembrina
Minha língua anseia habitar
E sentir o agridoce do teu beijo
Perdido nos olhares que se dispersam
No teu colo juvenil,
Frio no verão e quente no inverno
Minha mente quer repouso
E desfazer-se da virgindade
Que a timidez instalou em mim
É hora!
Com quentura de ovelha
Minh´alma quer descanso
Em teus braços de trepadeira
Se estendendo da terra ao céu
Empurrando pr´o voo meu eu
Em tua boca mulheril
Louca e carnuda do beijo refractário
Pecaminosa como a maçã setembrina
Minha língua anseia habitar
E sentir o agridoce do teu beijo
Perdido nos olhares que se dispersam
No teu colo juvenil,
Frio no verão e quente no inverno
Minha mente quer repouso
E desfazer-se da virgindade
Que a timidez instalou em mim
É hora!
Thursday, June 09, 2011
CHEGA DE JURAS
Procurei-te
Teu cheiro nas pétalas não mais encontrei
Secou a flor
Com ela Sumiste como o vapor que se dilui no espaço
Assim era tão efémero teu amor
Mil vezes cantado ao ouvido surdo
Quantas juras prometidas?
Teu cheiro nas pétalas não mais encontrei
Secou a flor
Com ela Sumiste como o vapor que se dilui no espaço
Assim era tão efémero teu amor
Mil vezes cantado ao ouvido surdo
Quantas juras prometidas?
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