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Wednesday, March 01, 2017

(D)EVOLUÇÃO DISCURSIVA

Ela e o seu
Ele e a sua
Eles e os seus
Equação acabada e exclusiva

Ela: os nossos
Ele: os nossos
Em um se fundiram todos

A tua e os nossos
Os meus e a tua
Tu e a tua, p'ra rua
Equação desfeita na briga-da-noite

P'ra fora
Há rua que vos aguarda
Já!
 
 
SC 2014

Tuesday, February 14, 2017

AMOR NA LUA

(e o poeta de Kuteka)
- Filha, quero ama-la!
Quê
A mala?
Não me atrapalhes, tenho sono!
E por que não levas a mochila, no roupeiro?
- Eu disse que vou amar-te!
Já te disse, poeta, não me lixes!
Se vais a Marte ou à Lua, fala-me amanhã!

Sunday, January 08, 2017

TAMBI KU BATA

Uma névoa sobre os céus do Libolo
Cá abaixo apenas gritos
- Aníbal?!
Um manto sobre nossos olhos
- Anibal?!
Uma montanha mais curta
- Metros retirados ao nosso alpendre intelectual
Ainda ontem conversávamos
- Sobre Libolo e outras coisas nossas
Escureceu o céu
- Já não é nosso o Aníbal
Tomai conta dele, ó céus
- É já vosso o Aníbal!

Tuesday, December 06, 2016

SATIRCÓPIH

Manhã cedo, iam domingueiros à igreja
(joelho dobrado)
Onde diziam: ser todos irmãos
Minutos depois, faziam-se à embala
(caçadeira ao ombro)
Onde rusgavam preto-objecto em vossas mãos
Assim construístes vossas nações
À custa de sangue e suor alheios
Dizeis hoje: "pretos-sem-noções"
Deixai-nos, não mutilem nossos anseios!
HIPÓCRITAS
 

Friday, November 18, 2016

NÃO SOU MAIS QUEM PENSAVAS


POETA

Eu?

Esquece-me

Fugiu-se de mim a gramática

A mesma que me serviu de escada

Ai, os verbos!

Já não averbo.

Até epitáfio para sobrinha finada

Os versos escapam

 

Forte

Eu?

Tão fraco, frívolo, oco

Só ócio...

Nem ombro pra meu irmão!

Thursday, September 01, 2016

AO ATAQUE SEM TEMOR!

Assalta-me amor

Assim mesmo, sem pudor
Vem firme
Com toda tua fome
Toda tua ira
Toda tua pressa
Toda tua te(n)são
Não me poupes o pescoço
Nem deixes destroço
Asfixia-me no teu beijo metal
Agarra-me num abraço letal
Adentra-me pelo bolso
Assalta-me amor maldoso
 
 
 
 
 
 

01.07.2016

 

Monday, August 01, 2016

ÀS VEZES

Apetece-me contar:
Quantas voltas dei para abraçar
Quantas lágrimas derramei para sorrir
Quantas lutas travei para me afirmar
Quantas solas consertei para beijar
Quantos passos recuei para pular
Às vezes
Apetece-me dizer:
- Filha, luta por mim,
Desforra as desgraças
Aproveita as venturas
Atola os petulantes
Mas é outro tempo...

Friday, June 03, 2016

À PRINCESA CANHANGA


Assim mesmo
Como amas as flores
Como abelhas mesmo...
Assim é esse amor

Paternal e imortal
Sempre presente
Mesmo na quilometragem da distância!

 
 

Sunday, May 01, 2016

CONTE(n)SÃO


 
Já fui locutor p'ra tua sede de notícias

Em tuas horas cultas fui poeta

Recitei Êça,

Camões e Vigário

Já fiz teatro,

Sátira e Comédia

Até colo emprestei

P'ra lágrimas que não provoquei

Chuva e frio enfrentei

P'ra te ver sorrir

P'ra saciar tuas fomes até exílio tentei

De repente,

Olho atento p'ro espelho,

Do cárcere me liberto

Reencontro-me e grito:

- Jamais!

Chega de patetices

Animador de tuas noites

Não sou mais!

Friday, April 01, 2016

DESAFIO

Descampado maltratado
Inertes comprados
Vezes várias surripiados
                          (à socapa)
Blocos que ergueram outros fogos
"Ó tio, ó tia, são alheios!"

Vieram homens
De braços firmes
Fortes e determinados
Barro e vargem movimentados
Cimento, pedra, ferro, suor
Não tarda
O mato ergue o rosto
Do descampado nova cara!