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Wednesday, October 10, 2018

UM CHEIRO BOM

Cheira um cheiro bom
Pelas narinas sentido
É profundo, traz húmus
Promete Insumos
Alegra homens
Aves, plantas e demais viventes
É cheiro à chuva.
Choveu!

Saturday, September 01, 2018

NO LIBOLO, AMBOIM E NGULUNGU


Café maduro/
Avermelhado/
Bagos doces/
Reclamando cesto e o terreiro/
Para secar e escurecer/
Aguardando-lhe o descasque e torrefacção/
Aqui, sim/
Fica negro/
Na boca deixa amargo/
Amargura sentida pelo negro/
"Negro da cor do contratado"/

 

Tuesday, August 28, 2018

AGOSTO MORNO

SEM BANDEIRAS
SEM CÓLERAS
SEM BEBEDEIRAS
SEM BARULHO
SEM ESBULHO
SEM RUÍDO
É POSSÍVEL?!
AFINAL,

Tuesday, May 01, 2018

AMOR SEM PUDOR

Depois de
- 10encantos
- Canções ao vento
Já temos
- Amor sem pudor



Monday, April 09, 2018

BASTA ATENÇÃO

 
É banana-pão
É mesmo do quintalão
Se quiser, também tem opção
Há jindungu e mamão
Maracujá e limão
Ainda pequenino mas pode encher a mão
Também tem agrião
E verde feijão
Que, junto à hortelã, agrada o coração
A batateira desafia o corrimão
E a cajá-manga já enche o carro-de-mão
Não se acanhe, meu irmão
Campo ou cidade, alimento vem da mão!

Monday, November 27, 2017

ENTRE DUNAS E LENÇÓIS

Dormi contigo, Rosa
Sim, dormi contigo
Não resisti ao teu corpo esguio de mulher madura
Dormi contigo, Rosa
Passeámos pelas dunas
Vimos gungas e gazelas
Como elas, corremos e trepámos montanhas
Até fazer-se noite rosa
Dormi contigo, Rosa
De volta à planície, colhi maboques
Doces, ímpares maboques
E tu, com gula de cozinheira,
Apenas tomates e cenoura
Dormi contigo, Rosa
Na imaginação de um sussurro ousado
No ouvido velho e cansado
Dormi contigo!

Sunday, October 01, 2017

INSTANTE INTIMO

Abdico
De meus desejos insanáveis
Deixo...
Que sobrevoes campos férteis
Deste mundo amável
Até atracares no porto
Dum homem afável
Que te apague desejos insaciáveis
Deste teu corpo inconsolável
Toca tua rumba
Mexe tua mbunda
Pesada kimbamba
Minha malamba
Aurora-alvorada
Vai antes que te arrependas!

Friday, September 08, 2017

POETA FARRAPO

Um poema, uma distração
Um trago, uma ilusão
O sono, um apagão
Depois, nova realidade, o cantar do pavão,
O pão por comprar,
Os filhos por gerar,
As doenças por tratar
As contas por pagar
Os patrões por aturar
Amores por reconquistar
.?!
Mais um trago
Já sem troco
Sou um farrapo!

Monday, August 14, 2017

NO CORAÇÃO DA KISAMA


Do Citembo, fino como agulha
Corre apressado, engolindo outros angolares até Ndondo
Já largo, adulto e pesado, caminho abaixo, vem ele
Kwanza desliza preguiçoso, pachorrento, de amor repleto
Cantam-lhe ao ouvido aves fartas e sedentas

Bátegas rochosas ou lodosas no convívio
Lá dentro, águas incromas, ngandu e kakusu em festa, fazendo-lhe amáveis cócegas
Ao som de pedras-batuque, ngoma da Kisama, ama suas gentes
E o Kwanza segue vagaroso, de estilo cheio até Luanda.
Paragem capital

Tuesday, July 25, 2017

À PEDRA

Cantam alegres
Sempre em grupo
Jovens casadas
Senhoras já preparadas
Moças cobiçadas
Todas prendadas
Viúvas e sengadas

Cantam e contam
Malambas de vidas
Estórias passadas
Problemas solucionados
Assuntos almofadados
Outros tantos exorcizados

E o martelo-pau
Curvo e afável
Contra o milho um lacrau
Tuc, tuc, tuc
"Quando fui moer o milho,
Julgava ser para consumo e negócio...
Serviu para casamento dele com outra!"

Lições passadas sobre a pedra
Onde o milho não resiste ao pau e pedra
E elas cantam o que pensam
Fazendo farinha com destreza!


Publicado no Jornal CULTURA de 31/07/2017