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Friday, November 01, 2019

NOSSO INSTANTE


Mãos ao ar
Mão no teu peito e
Outra circunscrevendo teu busto 
Língua molhada é
Chuva lavando cidade prometida
Exaguando teu leito
E tu,
cheirosa, dengosa
Ávida de lua-cheia
Mar intenso de prazer,
Balbuciando, tentando...
Quem é meu nome?
E quando a luz se vai
Quarto à  meia-luz
Mundo reduzido a dois
Gemidos teus
Gemidos nossos
Nosso instante
Inunda pudores
Não há pudor
Não ha temor
É apenas amor,
Na sua forma mais natural!

Thursday, September 05, 2019

REPOUSO EM KALUMBU









Repousa o sol
Repousa o peixe moribundo para 
boca faminta de monandege
dançarino de esquina e
cueca rasgada pela escola
com pedra carteira

Repousa o negócio
de noite longa
preguiçosa como 
Kwanza a descrever 
rota final e
bolso roto de tia pregoeira, 

Repousa a canoa 






Repousa o pescador cansado
Repousam herbáceas flutuantes guardando
Jingwingi, jingandu, jimbiji nyi madiwanu!

Repousa o dongo também
mar próximo, o eterno descanso!

Thursday, August 01, 2019

UM MAR (D)E DESERTO

(Namibe)

Muito próximos,
Abraçando-se para vida e,
Às vezes, para a morte
Deserto,
Para mim, não são apenas dunas, areias e lagartos
Não são apenas arbustos espinhosos e secura...
É a cabra que deixa de trepar árvores sem folhas!

Monday, November 19, 2018

DE SOL EM SOL

Na roça colonial
Agora em mão nacional
Cresce a lavoura
Cresce a miséria
Trabalha, todo o dia, toda a hora
Cresce, apressada, a barriga do patrão
Vive o camponês abaixo de cão
Lavra de sol em sol
P'ro filho, barriga-cheia, nem mebendazol
Lavoura-recolha de chuva em chuva
Um quilo de fuba
Atendendo o estômago só
A paga do camponês
Uma tábua de peixe seco
Quando a jimboa não atende
É a fome que o surpreende
Na nova escravidão
Que engorda o ladro-patrão!

Wednesday, October 10, 2018

UM CHEIRO BOM

Cheira um cheiro bom
Pelas narinas sentido
É profundo, traz húmus
Promete Insumos
Alegra homens
Aves, plantas e demais viventes
É cheiro à chuva.
Choveu!

Saturday, September 01, 2018

NO LIBOLO, AMBOIM E NGULUNGU


Café maduro/
Avermelhado/
Bagos doces/
Reclamando cesto e o terreiro/
Para secar e escurecer/
Aguardando-lhe o descasque e torrefacção/
Aqui, sim/
Fica negro/
Na boca deixa amargo/
Amargura sentida pelo negro/
"Negro da cor do contratado"/

 

Tuesday, August 28, 2018

AGOSTO MORNO

SEM BANDEIRAS
SEM CÓLERAS
SEM BEBEDEIRAS
SEM BARULHO
SEM ESBULHO
SEM RUÍDO
É POSSÍVEL?!
AFINAL,

Tuesday, May 01, 2018

AMOR SEM PUDOR

Depois de
- 10encantos
- Canções ao vento
Já temos
- Amor sem pudor



Monday, April 09, 2018

BASTA ATENÇÃO

 
É banana-pão
É mesmo do quintalão
Se quiser, também tem opção
Há jindungu e mamão
Maracujá e limão
Ainda pequenino mas pode encher a mão
Também tem agrião
E verde feijão
Que, junto à hortelã, agrada o coração
A batateira desafia o corrimão
E a cajá-manga já enche o carro-de-mão
Não se acanhe, meu irmão
Campo ou cidade, alimento vem da mão!

Monday, November 27, 2017

ENTRE DUNAS E LENÇÓIS

Dormi contigo, Rosa
Sim, dormi contigo
Não resisti ao teu corpo esguio de mulher madura
Dormi contigo, Rosa
Passeámos pelas dunas
Vimos gungas e gazelas
Como elas, corremos e trepámos montanhas
Até fazer-se noite rosa
Dormi contigo, Rosa
De volta à planície, colhi maboques
Doces, ímpares maboques
E tu, com gula de cozinheira,
Apenas tomates e cenoura
Dormi contigo, Rosa
Na imaginação de um sussurro ousado
No ouvido velho e cansado
Dormi contigo!