Caíram reis como folhas secas,
e o mundo, sentado na sombra,
aplaudiu o incêndio
sem notar que o vento mudava.
A verdade, teimosa,
é a árvore que resiste ao deserto;
e os povos, mesmo feridos,
ainda acendem as últimas lâmpadas
contra a noite que avança.
Hoje, um canto do mundo arde,
amanhã será outro
O fogo nunca pergunta
de onde vem,
apenas para onde pode ir.
E o silêncio,
esse lobo de passos leves,
Já devora vozes
que deviam ser pontes.
No fim, não será o grito dos maus
que nos perderá,
mas a quietude dos que, podendo falar,
escolheram fechar a janela.