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Monday, March 09, 2026

BARBAS EM CHAMAS, SILÊNCIOS EM FUMAÇA

Caíram reis como folhas secas,

e o mundo, sentado na sombra,

aplaudiu o incêndio

sem notar que o vento mudava.

A verdade, teimosa,
é a árvore que resiste ao deserto;
e os povos, mesmo feridos,
ainda acendem as últimas lâmpadas
contra a noite que avança.

Hoje, um canto do mundo arde,
amanhã será outro 
O fogo nunca pergunta
de onde vem,
apenas para onde pode ir.

E o silêncio,
esse lobo de passos leves,
Já devora vozes
que deviam ser pontes.

No fim, não será o grito dos maus
que nos perderá,
mas a quietude dos que, podendo falar,
escolheram fechar a janela.