Sentaria à sombra da Mulemba
Leria um jornal que o amigo Cuteta escreveu
Borrifaria meu almoço com um noticiário do amigo Kitembo
E à noite um repasto bisante à moda da TPA
Vendo o Bens falando (des)coisas óbvias
Se Eu fosse eu
Embalar-me-ia nos ditos
Continuaria ali no Rangel
Vivendo parasitadamente na herdade alheia
Teria um carro sugador e uma sucursal mulata
Se EU fosse eu
Jamais aceitaria exílios
Jamais partilharia intimidades
Jamais passaria por reptil desconhecido
Nem sentiria esta saudade
dos copos que não bebi.
Luciano Canhanga