Sangue
salpicando sobre pedras
paridas num tempo esquecido
duras, ressequidas
carentes duma bica d'água
Sangue
entre corpos andrajosos
em viagem sem fim
num pobre atalho
abraçando orgasmos férteis
Sangue
entre gente humilde
regressada da saudade morta
noutra terra de peregrinação obrigatória
É natal
e jorra sangue na Bica d'água!
Thursday, April 07, 2011
Monday, March 21, 2011
VENDAVAL
Escuso-me olhar aos ventos
que luzes carregam
derrubando grilhões
Tão pouco respiro silêncios heurísticos
impostos p'lo tormento do chicote
que amansa massas carentes
Recuso-me viver vida-prisão
asfixiada e suplicante
Carregai-me por isso oh ventos do norte!
que luzes carregam
derrubando grilhões
Tão pouco respiro silêncios heurísticos
impostos p'lo tormento do chicote
que amansa massas carentes
Recuso-me viver vida-prisão
asfixiada e suplicante
Carregai-me por isso oh ventos do norte!
Saturday, February 19, 2011
PARTIU A MÃE GRANDE*
Choremo-la com arte
Com a ngoma e dikanza
Lá nos altos Céus,
Onde Deus lhe reservou o merecido lugar,
Com certeza,
Gostará das obras boas de filhos e amigos
Choremo-la com prosa e poesia...
Com pintura e escultura
Choremo-la com realidades e ficções,
Choremo-la de verdade!
* Homenagem à doan Luzia mãe do meu grande Kota Caetano
Com a ngoma e dikanza
Lá nos altos Céus,
Onde Deus lhe reservou o merecido lugar,
Com certeza,
Gostará das obras boas de filhos e amigos
Choremo-la com prosa e poesia...
Com pintura e escultura
Choremo-la com realidades e ficções,
Choremo-la de verdade!
* Homenagem à doan Luzia mãe do meu grande Kota Caetano
Sunday, January 02, 2011
PULMÃO CARENTE
Quando o sol do amor bater tua porta
Aqui estarei
Sorvendo a saudade do teu aroma
Refugiado na imaginação dum dia sem história
Quando a porta do teu coração se abrir
Aqui estarei
Para teus olhos meu sorriso colorir
Na imensidão desta floresta sem fim
Quando o sol do amor em ti raiar
Aqui estarei
Mostrando a flor nascente aos ares norte-leste
Que enchem este pulmão carente!
Aqui estarei
Sorvendo a saudade do teu aroma
Refugiado na imaginação dum dia sem história
Quando a porta do teu coração se abrir
Aqui estarei
Para teus olhos meu sorriso colorir
Na imensidão desta floresta sem fim
Quando o sol do amor em ti raiar
Aqui estarei
Mostrando a flor nascente aos ares norte-leste
Que enchem este pulmão carente!
Thursday, December 30, 2010
ÚLTIMO DESEJO
Hermes,
Meu amor,
Estou coberto de vermes
Nem que estajas morta
Cumpre meu desejo
Aproveito última oportunidade
Pousando-te na morgue
Fornecendo-te meu amor
Só para conter nossa dor
Meu amor,
Estou coberto de vermes
Nem que estajas morta
Cumpre meu desejo
Aproveito última oportunidade
Pousando-te na morgue
Fornecendo-te meu amor
Só para conter nossa dor
Monday, November 22, 2010
CORRIDA
Trepei montanhas ao encontro do sol
apenas o mar encontrei brotando sal
jovem, girei o mundo como girassol
adulto, voltei vestindo sisal
Chega de corrida!
Renuncio à partida
apenas o mar encontrei brotando sal
jovem, girei o mundo como girassol
adulto, voltei vestindo sisal
Chega de corrida!
Renuncio à partida
Saturday, October 16, 2010
PRETA PRETINHA
Preta
Pretinha cor de nuvens
carregadas de chuvas fartas
mira-me este teu olhar esbugalhado
Preta
Baixinha de pernas galopes
fugidias na preguiça do tempo
acolha-me no teu abraço fogoso
Preta
Gostozinha como jinguenga
trazida do longinquo nordeste
beija-me com os teus lábios carnudos
Preta
Esguia como a obreira abelha
lavrando flores de Outubro
enche-me de teu mel
Preta
Espertinha na quilometragem da idade
escondida no azul do sorriso
empresta-me tua mocidade
Pretinha cor de nuvens
carregadas de chuvas fartas
mira-me este teu olhar esbugalhado
Preta
Baixinha de pernas galopes
fugidias na preguiça do tempo
acolha-me no teu abraço fogoso
Preta
Gostozinha como jinguenga
trazida do longinquo nordeste
beija-me com os teus lábios carnudos
Preta
Esguia como a obreira abelha
lavrando flores de Outubro
enche-me de teu mel
Preta
Espertinha na quilometragem da idade
escondida no azul do sorriso
empresta-me tua mocidade
Friday, September 24, 2010
EU E O OCULTO
Há vezes
em que não são os pássaros quem chilreiam
mas as árvores
Há vezes
em que não é o vento quem zurze
mas o ar
Há vezes
em que não é o corpo quem fala
mas a alma
Há vezes
em que não é o poeta quem declama
mas o guerrilheiro
Há vezes
em que não sou eu quem age
mas o oculto
Há vezes
...
Luciano Canhnaga, UCP/Maio 2005.
em que não são os pássaros quem chilreiam
mas as árvores
Há vezes
em que não é o vento quem zurze
mas o ar
Há vezes
em que não é o corpo quem fala
mas a alma
Há vezes
em que não é o poeta quem declama
mas o guerrilheiro
Há vezes
em que não sou eu quem age
mas o oculto
Há vezes
...
Luciano Canhnaga, UCP/Maio 2005.
Monday, August 30, 2010
QUANDO O CÉREBRO E O CORAÇÃO SE CASAM
A alegria e a tristeza se abraçam
É total a angústia
Do pensar e não dizer
Ideias que apodrecem na boca
Altivando a mudez
E não mora distante a surdez
Correr e em simultâneo parar
Amar e compreender
Rir e ao mesmo tempo chorar
É total a angústia
Do pensar e não dizer
Ideias que apodrecem na boca
Altivando a mudez
E não mora distante a surdez
Correr e em simultâneo parar
Amar e compreender
Rir e ao mesmo tempo chorar
Friday, July 09, 2010
ÚLTIMO ADEUS
Motivos para desconfiar
Vezes te dei
Razão para de vez partir
Não ma deste o suficiente
Procurei pelo arrependimento
Motivos também me negaste
Desmerecemos único caminho
Seguirei minha rota
De costas viradas ao teu percurso
Vezes te dei
Razão para de vez partir
Não ma deste o suficiente
Procurei pelo arrependimento
Motivos também me negaste
Desmerecemos único caminho
Seguirei minha rota
De costas viradas ao teu percurso
Tuesday, June 29, 2010
PEDRA, CAL E TINTA
Fiz (emos) a nossa parte
Melhoramos o que insatisfazia
E lutamos para manter o desejável
Ganhamos soldo e conhecimentos
Lançamos betão, pedra e cal
E fizemos crescer o edifício
Patrão e empregado
Em satisfação empatados
Amigos fizemos
Lágrimas verteram
No fim o abraço
E a satisfação do dever cumprido
Melhoramos o que insatisfazia
E lutamos para manter o desejável
Ganhamos soldo e conhecimentos
Lançamos betão, pedra e cal
E fizemos crescer o edifício
Patrão e empregado
Em satisfação empatados
Amigos fizemos
Lágrimas verteram
No fim o abraço
E a satisfação do dever cumprido
Sunday, April 25, 2010
A ÚLTIMA FORÇA*
Procurou inspiração
Encontrou-a efémera
A vítima nem percebeu
De amores quase morreu
A tempo porém, se restabeleceu
Vítima e predador
Numa entrega enganosa
Vítima, quê isso?
Se na entrega muito aprendeu...
Xê mulher!
O grito de alerta a despertou
Libertada das masmorras disse:
_ Não à incultura!
* Réplica de autora conhecida
Encontrou-a efémera
A vítima nem percebeu
De amores quase morreu
A tempo porém, se restabeleceu
Vítima e predador
Numa entrega enganosa
Vítima, quê isso?
Se na entrega muito aprendeu...
Xê mulher!
O grito de alerta a despertou
Libertada das masmorras disse:
_ Não à incultura!
* Réplica de autora conhecida
Thursday, March 25, 2010
ILUSÃO
Tão logo voou
Cedo abortou
Não era aquele o seu percurso
Apenas tentou
E sem saber cativou
Sua última vítima inocente
Ele também o era
Vítima duma vida mal programada
E a vida retomou o seu curso
Tal rio
Ferida abaixo
Mágoas duma experiência amputada
Mas prazeirosa
Choro numa noite que seduz
Avança
Mesmo sem luz...
Cedo abortou
Não era aquele o seu percurso
Apenas tentou
E sem saber cativou
Sua última vítima inocente
Ele também o era
Vítima duma vida mal programada
E a vida retomou o seu curso
Tal rio
Ferida abaixo
Mágoas duma experiência amputada
Mas prazeirosa
Choro numa noite que seduz
Avança
Mesmo sem luz...
Friday, February 12, 2010
ZUCA
Acorda-me deste sono moribundo
e leva-me neste barco que se afunda
Na viagem da bunda
Revejo meu direito de viver
e dispo-me de roupas vagabundas
rasgadas no teu regaço de prazer
Nosso amor é marear!
e leva-me neste barco que se afunda
Na viagem da bunda
Revejo meu direito de viver
e dispo-me de roupas vagabundas
rasgadas no teu regaço de prazer
Nosso amor é marear!
Tuesday, January 12, 2010
ÁGUA DO KWANZA
Tão calmas a jusante
Quanto agitadas a montante
Límpidas ao olhar distante
Tão belas e refrescantes
Como o amor que sacio no esguiar
da plástica pelo tempo forjada
Qual secular leito do Kwanza
Que se perde no farfalhar de cada gota que passa!
Quanto agitadas a montante
Límpidas ao olhar distante
Tão belas e refrescantes
Como o amor que sacio no esguiar
da plástica pelo tempo forjada
Qual secular leito do Kwanza
Que se perde no farfalhar de cada gota que passa!
Monday, December 28, 2009
(IN)VERSUS
Correu meses a alegria
De repente parou o relógio
Siameses vieram da mulher
(In)fortúnio inundou o alvorecer
Na casa da borda amanheci
(Des)convidado para a festa me dirigi
Pois etiquetas há muito perdi...
De repente parou o relógio
Siameses vieram da mulher
(In)fortúnio inundou o alvorecer
Na casa da borda amanheci
(Des)convidado para a festa me dirigi
Pois etiquetas há muito perdi...
Tuesday, December 08, 2009
TRILOGIAMOROSA
À chegada
Transborda alegria
Afastam-se alergias
Bem alto cantam orgias
No dia derradeiro
Despedem-se orgias
Com a bagagem se vai a alegria
Para o regresso contando-se dias
Na ausência
Grita alto a saudade
Dos afagos com prazer
Para submergir a maldade
Das coisas por fazer...
Luciano Canhanga
Transborda alegria
Afastam-se alergias
Bem alto cantam orgias
No dia derradeiro
Despedem-se orgias
Com a bagagem se vai a alegria
Para o regresso contando-se dias
Na ausência
Grita alto a saudade
Dos afagos com prazer
Para submergir a maldade
Das coisas por fazer...
Luciano Canhanga
Monday, November 23, 2009
À HORA DA SUBIDA
(poema evocativo)
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!
Luciano Canhanga
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!
Luciano Canhanga
Tuesday, November 03, 2009
CHORAÇÃO
Quase chorei
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...
Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...
Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)
Saturday, October 03, 2009
UM DIA
Quando nem forças tivermos
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!
Luciano Canhanga
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!
Luciano Canhanga
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