Monday, November 23, 2009
À HORA DA SUBIDA
Caro chefe!
Que sempre nos bemtrataste
Agora que subiste
Queira também olhar p’ros que deixas
Nesta hora de louvores
Muitos pedem favores
e esquerdistas se apressam à direita
Uns te bajulam nos elogios
Outros se contêm nas palavras
Passando mentirosos por verdadeiros
A mim ocorre apenas pedir
Que se precisares aqui estou
Se prescindires aqui continuo
Se desceres aqui me encontrarás
Comigo a minha fidelidade
Canina!
Luciano Canhanga
Tuesday, November 03, 2009
CHORAÇÃO
Ao ler tua carta repleta
de memórias idosas...
Não que as desconhecesse,
Pois fotos e relevos vi
De amores e nostalgias me falaste
Chorei e não sei porquê,
Pois de inválidos atritos paternais sabia
E foi a maior perda de sentido
Mesmo assim chorei
e não sei porquê
Pois o amor em nós existe...
Luciano Canhanga
(à luso/kibalista São Sabugueiro)
Saturday, October 03, 2009
UM DIA
Para desejos saciarmos
Ou
P'ro seu regaço Deus m'arrebatar
Finalmente compreenderás
Que lírios te cantei aos ventos
E toda vida rosas negaste
Pois amor igual jamais verás!
Luciano Canhanga
Wednesday, September 09, 2009
CANÇÃO DO TEMPO
procuro-te e sou infeliz
aqui é pôr do sol
já se foi o dia
brilhou o astro-mãe
a escuridão toma conta do rol
e eu com medo das trevas
sem você minha estrela-guia
canto que no canto reapareças
p'ra que depressa me aqueças...
Luciano Canhanga
Tuesday, August 11, 2009
LONGE D'ALMAR
pelos ares apenas
lembrando tempos negros
dum passado moribundo
A distância no austin
por terra craterada
ossos marcam vidas
queimadas no negócio longíquo
Longe d'almar
roupa passada,
mordómica prisão,
vidas contadas
Luiano Canhanga
Tuesday, July 28, 2009
DIÁRIO AMOROSO
Têm de aparecer
Tal qual campos santos
Sepulcros limpos
Topos de branco pintados
Corpos mofos e pódridos
Repousam dentro
Assim a paridade conjugal
Passeios aos pares
Cerveja nos bares
Chifre nos cabarés
Lábios de sorrisos inundados
Transbordam elogios alheios
E a vida conta passos
Mais um dia passa
Lá dentro o mesmo buraco
A mesma rosna
O mesmo roncar nocturno
Até que um se vai
Destapando q’houve d’amorfo
Luciano Canhanga
Tuesday, July 07, 2009
VIAGEM
Nos teus braços viajei
para onde
não sei
faminto
nas estradas dormi
e de graça comi
pois o dinheiro não dei
Na rusga do chimba
minha algibeira mostrei
Pena
que roupa não vestia
Luciano Canhanga
Monday, June 15, 2009
CÂNDID'AMOR
De oferta a exaltação de mimos queridos
Num amparo de ternura
E sufocos há muito esquecidos
Na memória a Cândida apanas
Parida de melosos amores forjados
Além terra-mar
Luciano canhanga
Monday, May 25, 2009
FRÁGIL
Pega devagar ...
com ternura
Fala baixo...
mas com afecto
Decide antes
se é...
P'ra ficar
ou p'ra descartar
Se p'ra zombar
ou p'ra amar
E se amar
fá-lo...
Com responsabilidade
Luciano Canhanga
(inspirado em Cuidado de Carol Vicente: http://silenciosidade.blogspot.com)
Wednesday, April 01, 2009
MELHOR IDADE
Quando luzes conquistar
Para olhos verem sucessos
E no curso da vida Progressos
da confusa cidade me desfarei
E por arrimos andarei
Quando tiver a melhor idade
Luciano Canhanga
Sunday, March 15, 2009
PAZ PODRE
É tentar esquecer
Sem dar mão a torcer
É podridão!
Paz com mágoas
É apertar a mão do irmão
Pronto a derramar lágrimas
É ter arma no cinturão!
Luciano Canhanga
Sunday, March 01, 2009
FIM DA PICADA
Cansei-me de fazer
Amor sem prazer
Pára!
Morde-me teu ventre
neste desprazer desgastante
Sinto!
Qu'o vapor da fenda
Agora me ofega
Luciano Canhanga
Monday, February 02, 2009
A MULATA QUE PERDI
Do primeiro beijo à Marta
se foi a imagem
Apenas as classe que frequentamos
e os caminhos trilhados
Na lembrança
Apenas a magreza
da esbelta mulata
Perdida
Nas estórias contadas
de metralhados contratados
a chicotes lusitanos
Queira,
refeito do trauma
em ti renasça a Marta
perdida na primária
mantendo a fragrância
e o brilho no olhar
Luciano Canhanga
Thursday, January 01, 2009
ÁGUA E SABÃO
Uma floresta fabrica silêncios
Relâmpagos matam chilreios
Qual música aos solfejos
No transbordo cervejeiro da festa
Répteis famintos disputam restos
Qual pardais em colheitas milheirais
Na ociosa embriagues assumem grandezas
Disputando belezas fabricadas
E a noite fervente devolve luz
Qual sonho mutilado à madrugada
Luciano Canhanga
Wednesday, December 24, 2008
NVULA
aos gotejos
Torrencialmente talvez
Algures
Não distante outra vez
Casas cedem
Gotejos que sedes matam
Chove
aos cântaros
Feliz canta
o barulhento telhado
a infelicidade do viandante molhado
E chove...
Luciano Canhanga
Sunday, December 14, 2008
UM DIA NA PELE ALHEIA
O pai solteiro é um soldado
que usa como cajado a máquina de lavar
o ferro de engomar
a linha e agulha para recoser
o amparo da galinha
para controlar
O pai solteiro é a mãe
que no cantar se desfaz dos nervos
que no caminhar se descontrai
de aborrecimentos de filhos inquietos
e infâmias de marido alcólatra
O pai solteiro é um ser
igual no género
diferente no fazer crescer
O pai solteiro é um HEROI
Luciano Canhanga
Tuesday, December 02, 2008
LEVANTAR
antecipar-me ao Campo Santo
quando filhos reclamam direitos
proporcionados com trabalho digno
Recuso-me
aceitar que pára a vida
quando a jovialidade convida
para passos em corrida
Aceito
Sim desafios
Não importa se enormes
Se me consomem horas a fio
Luciano Canhanga
Saturday, November 15, 2008
LUZ
Se a obra é universal
Se o universo é humano
Se os homens se alimentam
Se o alimento é também esperança
Aqui deixo o meu pedaço de luz
Luciano Canhanga
Saturday, November 01, 2008
DESPERTAR
Na complicação a comprar
(Des)querido por abortar
Penso no que há de vir
Cada vez que fazemos amor
Assim
Custaram tão caras
Minhas noites de amor
Nunca!
Luciano Canhanga
Thursday, October 02, 2008
REJUVENESCER
Sussurrava excitante tua voz
Ao meu ouvido colado
ESGUIA
Viram-te meus olhos atentos
Naquele encontro à prima-vista
BUM
Cantas hoje à distância
Da saudade moribunda
GIGA
Vêem-te hoje meus olhos
Cegos de gordura importada!
Luciano Canhanga