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Thursday, September 25, 2008

CAMINHAR

Entre inúmeros acertos
incontáveis desacertos também
Vida pára!

Entre trabalhos e barulhos
No meio atrapalhos
Pára a vida?

Entre apuros e reflexos
Paragens e silêncios também
A vida não pára!

Entre grosseiros e levianas
Silêncios vociferam êbrios
A vida passeia à frente!

Luciano Canhanga

Sunday, September 14, 2008

CANTO AO CARNAVAL


1
Nossos sonhos
nossas gentes
nossas vidas
sempre adiadas para depois
e o amanhã que é sempre amanhã

Com Angola em paz
nossos filhos querem ver
a sombra eterna dessa árvore
que está crescer
e os frutos lindos dessa flor
a desabrochar
Viva o carnaval

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

2
Na marginal toda a vénia
é só para nós (nome do grupo)
da Ingombota, Cazenga e Rangel
Todo povo Xtá aqui
P'rá aplaudir (nome do grupo)
Dessa vez nosso grupo é melhor
e quem aposta perderá

CORO
No carnaval nossa fama
Ultrapassa a capital
Desça à marginal
Viva o carnaval
Nossa cultura popular

Luciano Canhanga

Tuesday, August 19, 2008

NOVAMENTE

Na hora de partida
A saudade dos que vão
Dos que ficam e
dos que nunca partem

O sabor à madrugada
dos últimos beijos roubados
e os olhares da cunhada
sempre preguiçosos

Na hora de partida
É assim
Ninguém entardece
mesmo engolindo noites


Luciano Canhanga

Thursday, July 10, 2008

"QUANDO VOLTAR"*

Rico de Amor...
Para dar, aos que amo
Febre de aprender...
Com quem sabe!
Pobre de dor...
Já aqui não mora,
a saudade...
que por ti,
um dia senti...


São Sabuguero (em comentário ao poema Regresso)

* Título meu: Canhanga

Sunday, June 15, 2008

CARTA PRA MINH'AMADA

Nesse contrato social

páreo pre-matrimonial

Onde me junto para te realizar

aspirando igual estar

Meus interesses se extrapolam

sugando-te o que não sou

tentando também te completar

e minha mão à palmatória dou

Realizando sonhos que rolam


Luciano Canhanga

Tuesday, May 13, 2008

CHORO DE PARTIDA


Chora minh'alma seca
Calou-se a voz
Titubiante segue sega
nesta vida atroz
Pros nordestinos a voz que se cala
Pras lágrimas o secar da foz



Luciano Canhanga

Thursday, April 17, 2008

DOIS ANOS DE (IN)CERTEZAS


A vida sonhada desanda
A velocidade acordada desagrada
O corpo doi amaldiçoado
Náufrago segue o pensamento dividido
Na longa distância da amada
Nos sonhos o retorno que tarda!

Luciano Canhanga

Saturday, March 15, 2008

REGRESSO


Depois do exílio
Eis-me aqui
Rico de nada
Vazio como papel ao vento
Na mente apenas velhas profissões
(sem importância)
e cursos ainda sem aplicação
(nesta terra)

E agora que estou de volta
Penso no silêncio que vos leguei
Na paz que vos neguei
Nas benesses que não vos dei
E peço:
Perdão porque falhei

Luciano Canhanga

Saturday, February 02, 2008

CÁLICE


Sobre o branco repousa o corpo
sobre a negrura o vermelho
(que gera a guerra)
Daqui há nada a orgia
Nossos encontros são festas!


Luciano Canhanga

Tuesday, January 08, 2008

SEM MEDO


Recrio nos contornos do quarto vazio
as curvas do teu corpo esguio

Das vezes em que nos amamos
reencontro perdidos no chão

Os odores, as roupas e os beijos
dados com paixão


Luciano Canhanga

Tuesday, December 11, 2007

OUTRA VEZ EU


Sinto ainda o eco da tua voz
dizendo-me quem és,
lembrando-me que queres
nesta distância atroz
A única
Simplesmente

Não interessam os quês
Também não dizes os porquês
Simplesmente exiges
Ameaçando que desistes
E eu
Pensando na tua candura
e na vida que é dura...

Luciano Canhanga

Wednesday, November 07, 2007

TELEFONE TOCOU


Noutro lado uma voz
rouca
Choramingando dor
duma separação forçada

Amor
Já não dá
Nunca disseste verdade
Cansei-me de...

Alô, meu bem,
Pensa bem...

A resposta deste lado
trémula
e velhinha


Luciano Canhanga

Wednesday, October 10, 2007

BALANÇO

Debruço-me sobre a janela e vejo
à madrugada teu corpo
chocolate se espreguiçando na cama
Não tarda
meu sangue corre
minhas artérias rompem
é manhã
E o sol já brinca no quintal
dos odores orgâsmicos o pó
corpos moídos numa noite de prazer
E fazemos balanço...

Luciano Canhanga

Tuesday, September 11, 2007

MINHA PAZ


Que se quebrem os telhados
repletos de gente abaixo

Que esvoace a folhagem arbórea
entupida de aves adentro

Que rolem os rochedos
habitados por canta-pedras

Que se rasguem as montanhas
cercadas de homens tementes

Que se cale esta voz
ofuscada pelo grito ensurdecedor
Jamais cederei à minha paz


Luciano Canhanga

Thursday, September 06, 2007

AQUI II


Quão pesado é este exílio
e tão forte esta saudade

Quão asfixiante é a ausência do teu ar
e tão forte a solidão em horas friolentas

Quão bom é dizer te quero
e duro não te ter

AQUI



Luciano Canhanga

Tuesday, August 07, 2007

HOJE SÓ FALO COM OS BOTÕES


Tarda o sono
Nos sonhos a traição
Nas brincadeiras as ofensas
Na traição os mau-tratos
Na bebedeira o desconsolo
Da gripe Chora a filha acossada
Do silencio parabólico outro pranto
Se choro os risos
Se (dese) canto os apupos
Nos sonhos a alegria roubada
Nos folguedos a tristeza contada
Hoje só falo com os botões
Os meus botões


Luciano Canhanga

Wednesday, July 25, 2007

GRITO DE CARCEREIRO



Dei-te
ao longo desse tempo
Mais tristezas que
alegrias

Mais choros que
sorrisos

Quero
Retomes teu brilho

Renuncio
Não sou teu
carcereiro
a menos que
(de livre arbítrio)
Decidas suportar-me



Luciano Canhanga

Monday, June 11, 2007

NÃO DIZ NADA

Diz apenas que continuamos
ou que acabou
e eu delíro na escuridão!








Luciano Canhanga

Wednesday, May 02, 2007

POR QUE...


Insistimos continuar
Se há mais dor que prazer
e se a tristeza é pão diário
Se minhas carícias são chibatadas
e se inconfidências sobrepõem confidência

Se há mais desconfianças que crenças
e se o homem ideal é apenas uma sombra

Por que insistimos em ficar se...



Luciano Canhanga

Wednesday, April 11, 2007

ENTRE SOL E SOMBRA

Acomodei-me na penumbra
titubeei

Vegeto agora na densa floresta
Vivendo a solidão da secura
Sedenta aguarda-me a lareira
Cá mesmo
Árvores miúdas fazem-me seu estrume
Enquanto vegeto na floresta


Luciano Canhanga, 26/03/07