A vida sonhada desanda A velocidade acordada desagrada O corpo doi amaldiçoado Náufrago segue o pensamento dividido Na longa distância da amada Nos sonhos o retorno que tarda!
Depois do exílio Eis-me aqui Rico de nada Vazio como papel ao vento Na mente apenas velhas profissões (sem importância) e cursos ainda sem aplicação (nesta terra)
E agora que estou de volta Penso no silêncio que vos leguei Na paz que vos neguei Nas benesses que não vos dei E peço: Perdão porque falhei
Debruço-me sobre a janela e vejo à madrugada teu corpo chocolate se espreguiçando na cama Não tarda meu sangue corre minhas artérias rompem é manhã E o sol já brinca no quintal dos odores orgâsmicos o pó corpos moídos numa noite de prazer E fazemos balanço...
Tarda o sono Nos sonhos a traição Nas brincadeiras as ofensas Na traição os mau-tratos Na bebedeira o desconsolo Da gripe Chora a filha acossada Do silencio parabólico outro pranto Se choro os risos Se (dese) canto os apupos Nos sonhos a alegria roubada Nos folguedos a tristeza contada Hoje só falo com os botões Os meus botões