Translate

Wednesday, May 02, 2007

POR QUE...


Insistimos continuar
Se há mais dor que prazer
e se a tristeza é pão diário
Se minhas carícias são chibatadas
e se inconfidências sobrepõem confidência

Se há mais desconfianças que crenças
e se o homem ideal é apenas uma sombra

Por que insistimos em ficar se...



Luciano Canhanga

Wednesday, April 11, 2007

ENTRE SOL E SOMBRA

Acomodei-me na penumbra
titubeei

Vegeto agora na densa floresta
Vivendo a solidão da secura
Sedenta aguarda-me a lareira
Cá mesmo
Árvores miúdas fazem-me seu estrume
Enquanto vegeto na floresta


Luciano Canhanga, 26/03/07

Tuesday, April 03, 2007

COMO É DURO

Saber que

Há suspiro/gemido por exteriorizar

Um beijo suspenso

(talvez nunca mais se retome)

E um abraço fracassado

Saber que

Já são incaminhaveis

os trilhos desenhados

A diferença é muro

intransponível para coabitar

Como é duro...


Luciano Canhanga, 28/03/07

Monday, March 19, 2007

DIA DO PAI

Luciano boa sorte
Trabalhe bem
Gostei muito por seres meu pai
Feliz dia do pai








Mohamed Mociano Canhanga "Kutimbe"

Friday, March 02, 2007

NO TEU DIA

Tu
mulher que me carregas
e suportas em dias de meiguice amputada
Recebe a flor que não te dei

Neste teu dia
de prantos e choros
pelo calor fugidio na distância

Na recordação desencontrada
uma flor apenas
e a cruz que sou!


Luciano Canhanga

Sunday, February 18, 2007

DALTONISMO


Vivo
todos os dias atrás do sol
para evitar viver
na escuridão da paixão
onde uma cor persiste
A ilusão
!



Luciano Canhanga 28/07/03

Thursday, February 08, 2007

MILIKA


Inconformo-me com o silêncio
que aos cegos parece propositado
pois desconhecem o que vivemos
tu porém,
Sabes que não

Neste inconformismo te mensageio
mesmo sabendo que não a lerás
E como as palavras ao vento sobrevivem
um dia conhecerás o meu coração
e saberás que nele te tive
nos dias de ausência condicionada
Saúde pra ti e nossas filhas


Luciano Canhanga

Sunday, January 28, 2007

CHOVE LÁ FORA


Meu telhado canta

aos gotejos

Teimosa e torrencialmente

Cai e troveja

Não tarda

Os rios se enchem

Os canais transbordam

As casas cedem

Tudo se perde

Homens choram

Chorá-los-emos

Ao findar a chuva


Luciano Canhanga

Tuesday, January 23, 2007

LEMBRANÇA


Tão perto quanto hoje
o aproximar dos lábios
e nossos corpos trementes

Volvidos dias imemoráveis
persiste na pele o arrepio nervoso
e na alma o fechar de olhos
para a mesma vontade
daquela primeira vez

Luciano Canhanga, 16.11.2000

Wednesday, January 03, 2007

ANGÚSTIA


Morreu o ano e com ele a euforia
partilho agora o quarto gélido
com a saudade e o tédio

Morreu a vontade de amar
no escuro perdeu-se o lenço
p'ra tuas lágrimas de prazer
Na luz apenas o surdouvido
p'ros teus gemidos de viagem

Em mim apenas a negação
e a vontade de metamorfosear

Luciano Canhanga

Wednesday, December 20, 2006

OSSO MEU

Tão grande

Tão escorregadio e

Tão gostoso

Que ninguém te quer perder


E eu tão pequeno na matilha

Vou transportando-te

Entre o saborear e escapar

Desses cães colossos

Entre sorte e audácia

Hei-te aqui

Segura na minha toca

E faço-te OSSO MEU



Luciano Canhanga

Tuesday, December 12, 2006

QUERO BEBER-TE

São 5H40
O despertador alerta-me para a jornada
Desfaço-me dos cobertores
E sinto no dorso a angústia
Do momento não revivido
Hoje quero beber-te

Na lembrança encontro a marca
Do afecto partilhado há léguas
E lavo a boca
Esquecendo o sabor a peixe frio
Do beijo virginal

Na destreza da razão
Percorro tuas picadas
E faço-te hoje
Frio do meu calor
No trópico do quarto gélido



Luciano Canhanga

Sunday, November 12, 2006

AQUI (nesta casa)


Todos têm necessidades
Sofrem
Padecem de enfermidades
Sentem-se cansados

Todos pedem
Amam e Reclamam
Querem ser ouvidos

Todos recebem
São amados
Se choram são consolados
Menos eu

Que não peço
Não choro
Não preciso
Porque se pensa

que não existo


Luciano Canhanga

Monday, October 02, 2006

I LOVED A WOMAN



when I was young I used to love
and I loved a lady
But now I don't love anymore
I forgot it
I'm living my life going with the wind
Trying to be quite with my self

Now love is my main problem
and no way for...
I don't love
I forgot it
I'm going away
As a full river going to the sea

Luciano Canhanga

Sunday, September 17, 2006

CONFESSO


Ontem
Passei pela vida apressado
como o prazer orgâsmico
duma deslealdade consentida

Hoje
O arrependimento pela vida sem rácio
a digestão do fel camuflado no mel
e os ferimentos contraídos na pressa

Amanhã
A escola que não fui
nos dias de euforia descuidada
e o repúdio pelo exemplo que não dei

Luciano Canhanga

Friday, September 08, 2006

7NCONTRO



Talhados plo 10tino
10encontros marcam vidas
100 10frute sonhado
Na distância o tédio 3passa corações
enquanto n1/4 se guardam os prazeres
Até vinda dum 9mbro incógnito
Além mar a foz
curto é o dia
pra a sede do camelo


Luciano Canhanga

Friday, September 01, 2006

PLANTANDO COUVES


Neste viver distante
Vou plantando couves
À beira mar relaxando

Na mesma angústia marcante
Repasto olhos em alhos peitorais
E olho

O busto que me embriaga no odor
Deste perfume que me sequestra
E protesto

O despolir do batom sem pudor
E a beleza do sorriso qu’água leva p’ra eternidade
E vou plantando couves

Colhendo alhos também
Luciano Canhanga

Wednesday, August 30, 2006

O HOMEM QUE AMAS



É este
loucamente apaixonado
entregue aos teus desejos
incapaz ainda de ser o homem
qu'amada quer

É este
que luta pra se livrar
e que espera sempre
estar em tuas mãos angélicas
p'ra te cantar versos infinitos
d'amor sem limites



Luciano Canhanga

Wednesday, August 09, 2006

A MULHER QUE NUNCA VI


Afundado na enorme saudade
Vou sorvendo o fel deste silêncio
Aguardando qu’o tempo me leve
de volta à mãe civilização

Na doçura ausente do teu ai
Escondo meu tédio diário
Do fio dental encarnado
Sobre o branco na bunda

E é neste andar excitante
Que me alieno
Fazendo-me companhia as orgias
com a mulher que nunca vi


Luciano Canhanga

Monday, May 22, 2006

se eu fosse EU


Sentaria à sombra da Mulemba
Leria um jornal que o amigo Cuteta escreveu
Borrifaria meu almoço com um noticiário do amigo Kitembo
E à noite um repasto bisante à moda da TPA
Vendo o Bens falando (des)coisas óbvias

Se Eu fosse eu

Embalar-me-ia nos ditos
Continuaria ali no Rangel
Vivendo parasitadamente na herdade alheia
Teria um carro sugador e uma sucursal mulata

Se EU fosse eu

Jamais aceitaria exílios
Jamais partilharia intimidades
Jamais passaria por reptil desconhecido
Nem sentiria esta saudade
dos copos que não bebi.

Luciano Canhanga