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Monday, May 22, 2006

se eu fosse EU


Sentaria à sombra da Mulemba
Leria um jornal que o amigo Cuteta escreveu
Borrifaria meu almoço com um noticiário do amigo Kitembo
E à noite um repasto bisante à moda da TPA
Vendo o Bens falando (des)coisas óbvias

Se Eu fosse eu

Embalar-me-ia nos ditos
Continuaria ali no Rangel
Vivendo parasitadamente na herdade alheia
Teria um carro sugador e uma sucursal mulata

Se EU fosse eu

Jamais aceitaria exílios
Jamais partilharia intimidades
Jamais passaria por reptil desconhecido
Nem sentiria esta saudade
dos copos que não bebi.

Luciano Canhanga

Wednesday, April 12, 2006

Um olhar ao horizonte


Nessa Ilha sem vida
Tudo que respira é homem
E todo homem é amigo
Um conterrâneo e um deus
disputam consideração





Luciano Canhanga

No Íntimo






No íntimo
Há coisas sentidas
Que no andar da picada
Não têm ressonância

No íntimo
Sempre faltam atributos
Que reflictam a dor dum desterro
o peso da alma num corpo cansado
E o fardo que é o corpo
numa prisão voluntária

No íntimo há também o tricotar de ideias
desencontradas
No íntimo reside a saudade
Traduzida em 2 horas de distãncia!









Luciano Canhanga

Thursday, March 02, 2006

MINHA DOR


É dor redobrada
de lágrimas correntes
em corpos triturados
dos que partiram
Sem um final aperto de mão

Dor dum rio em rasgos
se afogando no mar
Sem retorno d'água
O doce símbolo da vida



Luciano Canhanga 05/06/05

Visão

Todos os dias
Uma cadeira vazia
No horizonte uma rua
Sempre larga e deserta

Aqui próximo na esquina
uma loja sem movimento
fechada ao abismo
pintada de luto

Na floresta invadida
Um sol sem brilho
Um canto sem pássaros
Uma roda sem crianças

Brincando doutores



Luciano Canhanga 04.06.05

Sunday, February 19, 2006

A Índia

É para nós um sonho ainda
Continuam reis nossos avós
Que fazem leis
Os mesmos senhores de goloseimas
negadas a nossos pais
quanto a nós
que dizer a nossos rebentos
aguardai pela morte
felicidade é coisa divina


Luciano Canhanga

Tuesday, February 14, 2006

Está aqui


Apenas uma Vila atirada num matagal
Tão somente a maior diamantífera
Explorando dos maiores quimberlitos do mundo
Lavrando dos maiores campos de auto-sustento

Tão somente uma empresa calada
Introspectiva (?)

Aqui
Um hospital que desafia
serviços nacionais
autonomia aérea
Mais de tres mil trabalhadores

Tão somente um toquezinho
Para conhecer
Catoca


Luciano Canhanga/Nov 2005

Monday, February 13, 2006

Que pena!

Quando a fala tarda
Pela boca desdigo coisas
Que a pena permite



Luciano Canhanga/ 2004

Incontinências

Vinde
e cultivai
Que é próprio o momento
Chegai e dizei
(des)coisas habituais
e promessas rotas pelo tempo
em vossas bocas infernais

Vinde,
dizei e fazei
Que é chagada a ceifa
Preparai obras e palavras
Umas sem palavra
Para o julgamento do ceifeiro
Que chega à hora!


Luciano Canhanga/2004

Na Escuridão da Saudade



1Km de saudade

Na escuridão da saudade
Que nos invade
Recebe este beijo
Ímpar
E doce como o sentimento
Que nos une!





Luciano Canhanga, Dez/2004

SOMENTE TU


Mulher
Que em horas esquivas
Me excitas na imaginação
Eu aqui sedento
Da tua abraçação
Quinguilo-te na esquina
Para o kandando dócil
E orgiante!



Luciano Canhanga

Minha Vida

É operária
De cinco horas para o labor vespertino
De fábrica periférica
Com apagões e labor manual
O que resta é kinañinañi
Carne borracha
Maltratada nunca engolida
É sangue de vários sangues
Sem cor!



Luciano Canhanga/Jun 05

Fakada

Martelos
Buldozeres
Bombas
Distância e traições
Amores antigos
E até mesmo perseguições
Tentaram desviar nossos sentimentos
Não fosse nossa
A maturidade e determinação.



Luciano Canhanga Dez/2004

Para quê palavras

Para muitos
Sou a consolação
Para mim
Apenas o resto
de uma quadra cadavérica
Para uns
Há causas e explicações
Para mim
apenas Vi
Vivi e existo.



Luciano Canhanga
Junho 2005